Dirigido por Quentin Dupieux, Rubber é um dos filmes mais excêntricos e provocativos do cinema independente contemporâneo. Lançado em 2010, o longa rapidamente ganhou status de cult por sua premissa absurda: um pneu ganha vida, desenvolve poderes telecinéticos e sai pelo deserto explodindo cabeças. Sim, é exatamente isso.
Pra quem acha que o diretor Sam Raimi,
mundialmente conhecido por dirigir a trilogia do Homem-Aranha, só obteve mérito pela trilogia milionária de
super-heróis se engana. A marca registrada de Raimi é o terror, mas
especificamente o terror trash. Clássicos
como Uma Noite Alucinante: A Morte do
Demônio (1981) é tido como um dos seus maiores trabalhos no cinema.
Alguém já viu o filme chamado Mangue Negro? Talvez você cinéfilo de blockbuster nunca tenha ouvido falar,
mas um cinéfilo cult com certeza já
assistiu ou pelo menos já viu comentários a respeito. Pois bem, Mangue Negro é um filme independente do
gênero terror lançado em 2008, onde zumbis absurdamente bizarros aterrorizam a
tela, ou pelo menos tentam. E se trata de um filme 100% brasileiro dirigido
pelo estreante Rodrigo Aragão, um cineasta que hoje já possui diversos
trabalhos em seu currículo, e quase todos do gênero terror, por isso eu
pergunto a você: quem disse que o terror nacional se resumia apenas no Zé do
Caixão?
Como fã declarado da franquia Olhos
Famintos, que inclusive já abordei os dois primeiros filmes aqui no blog,
me sinto na obrigação de falar sobre o imenso fiasco que foi o terceiro filme
da saga, Olhos Famintos 3 lançado em
2017, dirigido por Victor Salva.
Concluindo uma franquia que veio do sucesso ao fracasso, em 2009 foi
lançado o quarto e último filme da franquia Anaconda.
Dirigido por Don E. FauntLeRoy, esse filme, assim como seu antecessor, foi
lançado diretamente na Tv, não chegou a ser exibido nos cinemas, ou seja, se trata de um telefilme. E isso se deve
ao fato do filme não apresentar os meios possíveis para render uma boa
bilheteria, em outras palavras, estava claro que iria ser mais um fracasso.
Sei que a maioria do público e a crítica em geral não aprovou a
sequência de Alien vs Predador, e as razões pelos quais apontam para uma sequência fraca são altamente válidas e
concretas. No entanto, quando eu assisti Alien
vs Predador 2 pela primeira vez, foi na época em que eu apenas curtia a
história sem reparar nos furos, fotografia péssima e atuações fracas. Na verdade,
eu curti o filme. Mas, se eu assisto hoje, a visão é bem diferente, porém,
ainda assim eu acho um bom passatempo. Aliens
vs Predador 2 foi lançado em 2007, dirigido pelos Irmãos Strause. E a
história parte exatamente de onde parou o primeiro filme.
Eu costumo assistir bons filmes trash
daqueles que ficam marcados em nossa mente. E não é pra menos que irei
falar hoje do filme Braindead ou Dead Alive, conhecido no Brasil como Fome Animal, dirigido por Peter Jackson
e lançado em 1992. Esse filme ficará para sempre marcado em minha mente como o
filme mais nojento que já assisti, se houver outro, eu ainda não conheço.
Continuando com a saga do ícone do terror nacional Zé do Caixão, após um
primeiro filme alucinante e original, José Mojica Marins deu continuidade com a
história do coveiro e em 1967 ele lançou o segundo filme com o personagem, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver. Esse
segundo filme continua exatamente de onde terminou À Meia Noite Levarei Sua Alma.
Em minha opinião, esse filme é superior ao primeiro e também eu o
considero o melhor filme do Zé do Caixão, por que aqui temos três aspectos
diferentes, não desmerecendo o filme À
Meia Noite já que este também é um clássico. O que torna Esta Noite um filme com tamanha
magnitude são as cenas muito mais aterrorizantes do que antes, aprofundamento
da filosofia de Zé e claro a cena clássica do inferno em cores.
Após sobreviver ao ataque sobrenatural no final de À Meia Noite Levarei Sua Alma, Zé do Caixão (José Mojica Marins) é inocentado de seus
crimes por falta de provas. Novamente de volta às ruas, o coveiro ainda não
desistiu de seu propósito de gerar um filho perfeito a partir da mulher
superior. E com a ajuda de seu criado, o corcunda Bruno (Nivaldo Lima), ele rapta seis
mulheres e as submetem a um teste macabro utilizando dezenas de tarântulas. A
mulher que não sentir medo poderá ser a escolhida, do contrário, as
consideradas inferiores morrerão.
Esse evento culminará em mais assassinatos, onde uma das vítimas jura
voltar do mundo dos mortos e encarnar no cadáver de seu assassino. A população
também se manifesta contra os crimes do coveiro, a maioria acreditando que Zé
do Caixão tem pacto com o demônio. Mas Zé, por outro lado, continua cético e
faz chacota com o povo supersticioso. E quem ousa interferir em seus planos se
tornava mais uma de suas vítimas.
No entanto, há algo novo nesse filme em relação ao anterior, duas
mulheres partilham da mesma filosofia de Zé. Uma delas chamada Márcia (Nádia Freitas) foi a única aprovada no teste
das tarântulas e se torna a partir daí, uma cúmplice dos crimes dele, embora
ela não tenha o aceitado se tornar a mãe do tão sonhado filho do coveiro. E a
outra é Laura (Tina Wohlers), uma jovem filha do coronel que se engraça para Zé do Caixão,
ignorando os conselhos da família e até mesmo a morte do irmão. Era esse tipo
de mulher que Josefel Zanatas procurava: aquela que não esbanja
sentimentalismos ou crenças religiosas.
Falando das cenas de tortura, José Mojica Marins foi ousado em usar
aranhas enormes e serpentes para atormentar suas vítimas. Imagine o desafio que
as atrizes tiveram que encarar? O sadismo do personagem chega a impressionar
durante o filme todo, mas apesar de toda sua crueldade, tem momentos que ele
diverte o público ao usar falas de deboche para com suas vítimas como em uma
cena antes de matar um jovem, ele diz:
“Se
passares pelo céu, dê lembranças aos anjos. Mas, se teu destino é o inferno, dá
meu endereço ao diabo.”
E mesmo diante de muitos crimes, há momentos em que torcemos para que o
coveiro cumpra seu propósito. Não sei explicar como isso acontece, talvez seja
pelo carisma do personagem e o modo de enxergar as coisas. Claro que sua
filosofia exagera muito quando ele se considera superior às outras pessoas, mas
sua maneira de enxergar o sangue e as crianças, parece que tudo faz sentido.
Mas enfim, aqui não defendo crença ou filosofia. Como é bastante evidente, o
diferencial de Esta Noite é os
inúmeros discursos de Zé do Caixão, alguns julgaram um filme muito mais
filosófico do que terror propriamente dito. Mas discordo completamente disso.
Se quiserem ver terror, Esta Noite
Encarnarei no teu Cadáver cumpre isso muito bem. Principalmente na melhor
cena do filme, Zé do Caixão está em sua cama, quando ele vê uma criatura sinistra
andando pelo quarto até que o agarra pelo pé e começa a arrasta-lo da casa até
o cemitério. Uma vez lá, Zé do Caixão é agarrado por mãos que saem da terra e o
puxam para baixo, fazendo com que ele caia no inferno. Ali ele vê pessoas sendo
torturados, gritos, pedidos de socorro, corpos pendurados e mutilados, e o
coveiro que se considera superior assiste a tudo isso apavorado, pois muitas
das almas ali eram de suas vítimas. Toda essa cena do inferno foi filmada em
cores, uma grande façanha de Mojica. Não é atoa que ele é um dos cineastas mais
admirados do Brasil.
Mas infelizmente este filme foi manchado pela censura. Na época de seu
lançamento, o Brasil se encontrava sob o domínio do governo militar que
censurava tudo que saia até dos jornais. No caso do filme, Mojica foi obrigado
a alterar o final, fazendo com que Zé do Caixão reconhecesse que deus existe
antes de supostamente morrer. Isso ficou ridículo! Pois desde o primeiro filme,
temos o conhecimento de que Zé jamais iria acreditar nisso, mesmo depois de
sofrer o ataque de almas penadas e depois sobreviver ser inocentado, ele
continuou o mesmo, além do mais, ele tem uma personalidade muito forte para se
submeter a isso.
Não precisa nem falar o quanto Mojica havia ficado irritado com essa
imposição da censura, mas ou ele cedia à exigência ou nunca poderia lançar seu
filme nos cinemas, e assim não poderia recuperar o dinheiro gasto com a
produção. Para a maioria dos fãs, a censura enterrou o personagem Zé do Caixão,
e isso durou muito tempo. Pois só foi em 2008 que foi lançado o terceiro e último filme da saga, onde Mojica longe de qualquer imposição conserta todo o
estrago que censura da década de 60 fez com sua obra. Mas mesmo com todo isso, é inegável o fato de que este filme foi uma grande produção, mesmo em uma época sem muitos recursos. Eu disse que é para mim o melhor filme do Zé do Caixão, mas também é o melhor filme de terror feito em território brasileiro.
Essa semana, eu resolvi dar uma conferida em um dos piores filmes da
história. Sim, eu já conhecia a fama desse filme, e por mera curiosidade me dei
ao luxo de apreciar essa “maravilha”. Essa postagem será um pouco irônica,
então não estranhem caso se deparem com alguma parte em que eu faço algum tipo
de sarcasmo. Mas por que irei fazer uma postagem assim? Bem, ás vezes é preciso
desabafar quando assistimos coisas ruins, nesse caso, não será um desabafo,
pois como eu disse, eu estava ciente da porcaria que é esse filme. Portanto, o
que eu quero mesmo é soltar o verbo (moderadamente claro) contra esse filme que
não é recomendável para nenhum ser humano.
O nome dessa “obra-prima” é Birdemic:
Shock and Terror, lançado em 2008 e dirigido por James Nguyen, que segundo
ele, tentou fazer algo parecido com o clássico Os Pássarosde Alfred Hitchcock, mas por favor, não comparem o mito
Hitchcock e seu brilhante filme de pássaros com essa caganeira que apareceu em
pleno século 21, e também não adianta dizer que a má qualidade se deve ao baixo
orçamento que não cola, pois conheço muitos filmes com orçamento muito mais
baixo que são infinitamente melhores do que esse. Pra ser bem sincero, eu não
sei se o diretor resolveu fazer uma “bomba” de forma proposital, por que realmente
quando começa o filme, logo nos momentos iniciais, é como se o diretor tivesse
falando: “para de assistir, enquanto há
tempo.” O começo é muito chato! São 3 minutos acompanhando um carro na
estrada, enquanto toca uma música de fundo tão irritante que dá nos nervos. Eu
vou soltar spoilers, por que eu sei
que a maioria das pessoas não se importam em saber coisas desse filme, mas se
não quiser saber algumas revelações, não siga a leitura.
Bem, dividimos o filme em duas partes, em que a primeira mostra um
romance muito chato, entre um vendedor de Software chamado Rod (Alan Bagh), que
logo “nos cativa” com sua “brilhante” atuação, e uma jovem chamada Nathalie
(Whitney Moore), que com certeza nunca pisou em uma sala de teatro na vida. O
filme acompanha o envolvimento dos dois nos primeiros 45 minutos de filme, onde
não acontece absolutamente nada, nada de ataque de pássaros e nem mesmo uma
cena de sexo entre os pombinhos, só tem blá, blá, blá. Se você está achando que
só foram apenas a falta de clima romântico e tensão no filme, você não viu foi
nada. Nessa primeira parte, assim como toda a produção, o filme é repleto de
erros, como por exemplo, cortes mal feitos, falas mecânicas, fotografia
ridícula, música de fundo de quintal, cenas aleatórias que nada contribuem no
filme, roteiro mequetrefe e principalmente as atuações toscas e medonhas, no
sentido extremo mesmo! São 45 minutos de pura enrolação, sem conteúdo, um
enredo fraquíssimo, cenas mal feitas, aliás, parece que foi gravado com uma
câmera de celular, em que mal dá pra captar o som, e como se não bastasse em
várias ocasiões que a câmera acompanha os personagens de longe. Se já estava ruim,
eles ainda fazem questão de deixar a coisa pior.
Quando chega o momento em que Rod e Nathalie vão para um motel de quinta
categoria, a gente pensa: agora sim a coisa vai ficar boa! E então o que
acontece? Nada! O cara não faz nada com a mina, a não ser esfregar seus pés nos
pés dela. Quando começa o ataque dos pássaros na cidade, lá nos 47 minutos, a
cena vem do nada, não há contexto pra ela. E o ataque? É as mil maravilhas!
Juro pra vocês que mesmo sabendo como seriam as cenas, eu caí na gargalhada.
Pra quem não sabe, os pássaros desse filme “maravilhoso” fazem barulhos de
avião e os pios são terríveis, doem os tímpanos de quem tá escutando, e ao se
chocarem nas casas e árvores, eles explodem, como se fossem pássaros kamikaze.
Putz... E os efeitos das explosões? Meu Deus do céu. Queria saber quem foi o
responsável pelos efeitos especiais, para poder dar os parabéns pelo excelente
trabalho!
Quando o casal sai do quarto, eles se juntam a outro casal ali, e saem
do motel armados para se protegerem das aves, e com que eles se armaram? Pasmem!
Eles saem do motel com cabides para se protegerem. Oh, meu Deus do céu. A cada
cena que passava a coisa ficava pior, não por causa do ataque dos animais, mas
pela bizarrice que filme fazia questão de mostrar. Quando os dois casais entram
em um carro depois de lutarem com seus cabides “mortais”, eles passam a usar
armas... (Por que não pegaram logo ao invés de usar cabides?) E quando atiram,
é munição que não acabava nunca, e para piorar eles atiravam para o nada, e sem
contar que os efeitos de tiro não combinavam com o som. Tudo mal feito e tosco!
Quando os pássaros atacam, as cenas são de deixar qualquer um
boquiaberto, por que simplesmente são gifs colados na tela, e os “atores”
lutando contra o vento. Além disso, o modo como as aves ficam fixas não tem a
menor lógica. Elas ficam com as asas abertas enquanto estão paradas. Que aves
são essas? São de outro mundo? Elas conseguem driblar as leis da física? Sério
pessoal, a gente tem que rir pra não chorar diante dessa ofensa ao cinema. E mais
absurdo ainda, quando eles saem de carro na estrada atirando pra tudo que é
lado eles encontram e salvam duas crianças e lá na frente fazem um piquenique a
céu aberto. Como isso é possível? Se as aves estão atacando tudo e todos, qual
a lógica de fazerem um piquenique a céu aberto? Ao invés de estarem lutando
para sobreviver, estão agora passeando se divertindo? É sério gente, não sei
como eu tive tanta paciência para aguentar isso, mas enfim, eu escolhi ver por
que sou curioso demais, então não posso culpar ninguém a não ser eu mesmo.
Agora eu quero compartilhar com vocês a melhor cena do filme. Após uma
garota ser morta, o namorado dela (não estou me referindo aos dois
protagonistas), tenta salvar pessoas presas dentro de um ônibus, onde os
pássaros estão atacando. O cara pega a sua arma, atira contra as aves, mas não
acerta o ônibus e muitos menos as pessoas que estão ali, é como se o ônibus
fosse à prova de balas, mas não à prova de pássaros... Vai entender. E o pior
não é nem isso, e sim quando esse cara metido a herói entra no ônibus e tira as
pessoas à força e note que elas não estavam a fim de sair, e assim que saíram
foram atacados pelas aves que atiraram uma coisa gosmenta que até agora estou
tentando entender se é vômito, cocô ou urina, e faz com que as vítimas morram,
em uma atuação pra lá de emocionante... E outra cena pra lá de absurda é quando
um velho tenta roubar a gasolina do protagonista que havia pagado caro por ela,
e quando esse velho é morto por um dos pássaros, ao invés do camarada recuperar
o galão de gasolina, ele entra no carro e abandona o combustível. E lá na
frente ele reclama quando a gasolina do carro acaba... “Pelas barbas do profeta,
como tu é burro cara!”
Então caros leitores, mesmo com toda a bizarrice vista em Birdemic: Shock and Terror, que chega a
ser algo inacreditável, o filme ficou muito famoso por justamente ser ruim. E a
Severin Films adquiriu os direitos de exibição e transformou Birdemic em um dos filmes mais
conhecidos na categoria dos piores filmes já feitos, e o sucesso acaba chegando
até mesmo a bancar uma continuação, pois mais incrível que possa parecer. O
filme Birdemic: Shock and Terror é
considerado um dos piores filmes da história. E como experiência pessoal, eu
não vejo onde posso elogiar essa produção, e sim comentar e criticar os
absurdos que somos submetidos a acompanhar, e é por isso que escrever esse
texto foi muito divertido para mim, ao invés de ser um desabafo, por que eu
sabia que o filme é tão ruim que chegaria a ser engraçado, todavia, eu não
recomendo o filme, a não ser que você seja uma pessoa muito paciente e que
tenha força de vontade em ter que aguentar noventa longos minutos de lixo puro.
Se conseguir isso, você é um(a) guerreiro(a).
NOTA: 1/10
O trailer do filme está no vídeo abaixo, como uma pequena amostra dessa “obra-prima”,
se quiserem assistir o filme completo, pesquisem no YouTube que você o encontra
para assistir com legendas em português. Divirtam-se!
O Perigo Vem do Lago título original Beneath é um filme de terror trash lançado em 2013. Dirigido por
Larry Fessenden e estrelado por Daniel Zovatto, Bonnie Dennison, Chris Conroy,
Griffin Newman e Jonny Orsini. Essa é mais uma daquelas produções que são
detonadas pela crítica e pela maioria do público, e não posso deixar de
concordar em diversos aspectos com a crítica. De fato, o filme tinha uma boa
premissa, mas peca muito do desenrolar da história além de atuações muito
fracas. Mas, devo dizer também que mesmo com todos os defeitos, esse filme
prendeu a minha atenção e tenho certeza que aconteceu com muitos também.
A história é bem simples, um grupo de jovens
recém-formados decide fazer um acampamento para comemorar o fim e o começo de
uma nova etapa na vida deles. Quando atravessam um lago, eles decidem parar
para tomar banho, o que eles não esperavam é que dentro da água, havia um peixe
gigante carnívoro que passa a atacar o grupo, encurralando-os dentro do barco
sem chance de escapar. Então, o que era uma simples diversão se torna agora uma
luta para sobreviver, os jovens passam a enfrentar provas de amizade entre
eles.
Vamos falar primeiro dos defeitos do filme, começando
pelas atuações. Nenhum dos personagens tem carisma e forçam muito na
interpretação que qualquer cinéfilo pode facilmente detectar, além de que a
personalidade de cada um é podre e irritante, mas isso não é necessariamente um
defeito, mas sim algo explícito pelo roteiro. Mas que de alguma forma bastante
eficiente nos faz sentir ódio de cada personagem a cada minuto que passa.
Um deles sabia da existência do peixe carnívoro naquele
lago, mas em nenhum momento ele avisa aos seus amigos esse fato... Só podia dar merda! Veja só: um grupo de
jovens vão atravessar o lago e antes disso o cara não fala nada sobre o que
vive naquelas águas? É muita burrice! Aliás, isso é bem comum nesses filmes de
terror dessa década. O grau de burrice é tão grande que mesmo após serem
atacados pelo peixe, a única alternativa que tinham era remar até a margem para
salvar suas vidas. Mas o que esses personagens burros fazem? Eles atacam o
peixe com o remo. Isso mesmo, ele quebram o remo atacando o animal, e agora? Como
eles irão fazer para sair dali?
A ideia de um dos personagens era ganhar tempo para poderem
remar todos juntos com a mão, enquanto o peixe estaria ocupado. E para isso
eles jogam uma das amigas que foi a primeira a ser morta dentro da água para
que o animal a devore. Mas quando o plano não dar muito certo, eles passam a
olhar uns aos outros para ver quem seria o próximo voluntário. E é aí que vejo
uma força na narrativa que o filme propõe que irei falar mais adiante.
Falando do peixão do filme. É semelhante a uma piranha,
só que muito mal feito, parece mais àqueles feitos de borracha. Entendo que o
filme é de baixo orçamento, mas ainda assim ver aquele bicho dentro da água
tocando o terror na vida dos jovens é algo meio surreal e difícil de engolir,
porém, a criatura é mecânica e isso foi uma boa alternativa a se escolher do
que ser feito a partir de efeitos especiais, que talvez fosse deixar mais tosco
ainda. No entanto, eu não estou dizendo que o filme é 100% ruim, não é isso. Eu
até que gostei do filme, mesmo que em termos técnicos ele merece ser detonado,
mas em contrapartida, ele é mil vezes melhor do que aquelas produções horríveis
de tubarões do Syfy, como Sharknado e
Tubarão de 3 cabeças, 5 cabeças ou
seja lá quantas cabeças o povo querem inventar. OPerigo Vem do Lago em
comparação com estas produções é muito, mas muito melhor. Pelo menos contém uma
história legal para passar o tempo.
Vamos falar do lado bom do filme, como dito no parágrafo
anterior, ele contém uma história legal, mas o que mais gostei foi o modo como
o diretor aborda o psicológico dos personagens, que em meio ao desespero de uma
morte iminente fazem de tudo para sobreviver, até mesmo a ponto de matar seus
amigos. Essa foi uma abordagem bacana e que me fez dar mais crédito ao filme, pois
deu uma força maior na narrativa, que nos induz a assistir até o fim para ver
como tudo aquilo irá acabar. Inclusive, há muitas pessoas que gostaram desse
aspecto o que para eles o filme não se torna tão ruim assim.
Outra coisa interessante é a maneira como o filme
termina. Pra ser sincero, o final de O Perigo
Vem do Lago é digno de aplaudir, sério gente, não estou brincando. O que
acontece no decorrer do filme nos causa um imenso sentimento de revolta contra
os personagens que chega a ser impossível criar empatia por eles. Além de serem
irritantes, são os típicos “amigos-da-onça”. Por isso, o final salva toda a
projeção, e por isso eu não o considero uma produção do mesmo patamar dos lixos
produzidos pelo Syfy. É um filme trash
(por causa do baixo orçamento), mas não é um terror daqueles de causar medo, e
sim é mais para o lado psicológico.
É bom assistir esse filme por que ele vai explorar o lado
humano, onde tudo começa na amizade, todo mundo se dando bem um com o outro, e quando
o clima fica tenso onde a vida está em jogo, pode esquecer que existe amizade.
Assim sabemos quem são os amigos verdadeiros e os falsos.
Imagine um filme com baixo orçamento, sem muitos recursos
e falta de atores profissionais, parece que nada irá salvar uma produção assim,
entretanto, se o filme em questão abordar uma história original, bem feita e
cheia de criatividade e talento? A situação muda completamente, e é dessa forma
que enxergo o clássico do terror nacional À
Meia-Noite Levarei Sua Alma, dirigido e protagonizado por José Mojica
Marins. Lançado em 1964, foi este filme que lançou para as telas do cinema o
ícone do terror brasileiro, admirado por fãs, principalmente no exterior que o
considera como cult, estamos falando
de Zé do Caixão, que possui algumas características que nos faz lembrar do Drácula, por usar capa preta, e Nosferatu pelas longas unhas, mas ao contrário destes, o coveiro não é vampiro e nem é uma criatura sobrenatural.
Como dito, À Meia-Noite Levarei Sua Alma foi produzido com um orçamento muito pequeno, e é
composto por atores amadores, exceto o próprio Mojica e a atriz Eucharis
Morais. É um clássico dos filmes trash, e
mesmo com a má qualidade em diversas cenas, é um filme que merece ser visto,
tanto pelos fãs de Mojica, como para quem aprecia o terror. É compreensível que
com o tempo, o filme foi envelhecendo, mas de modo algum tira o mérito
conquistado na época, o reconhecimento de José Mojica pelo público e pela
crítica se deu através dessa obra, que se sucedeu em duas sequências: Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967) e Encarnação do Demônio (2008). À Meia-Noite é o primeiro filme do Zé do Caixão, que contém uma história simples,
porém, bastante original.
Sinopse: O cruel e sádico coveiro Josefel Zanatas, conhecido como
Zé do Caixão, é temido e odiado pelos moradores de uma cidadezinha do interior.
Ele é obcecado para gerar um filho perfeito, que possa dar-lhe a continuidade
de seu sangue. Mas sua esposa não pode engravidar, e ele acredita que a
namorada de seu amigo seja a mulher ideal que procura. Após ser violentada por
Zé, a moça jura cometer suicídio para retornar dos mortos e levar a alma
daquele que a desgraçou.
Para entender a história que se passa no filme, é
necessário compreender a filosofia do Zé do Caixão. Antes mesmo dos créditos
iniciais, o filme começa com uma cena que por sinal é muito famosa, onde Zé do
Caixão faz um discurso sobre a vida. De maneira mais simples, vou tentar
explicar: o coveiro é um ateu convicto, um homem que não crê em Deus e nem no
Diabo, também descarta a possibilidade de haver vida após a morte. Para ele,
apenas o sangue pode gerar uma linhagem eterna, e não estou falando aqui de que
o sangue de uma pessoa possa ser imortal. Para Zé do Caixão, o seu sangue será
imortalizado através de seus descendentes, e é por isso que ele tem essa
obsessão para gerar um filho.
Zé do Caixão também acredita ser superior as outras
pessoas, principalmente daquelas supersticiosas que acreditam em algo sobrenatural,
temem espíritos ou algo parecido, e é por isso que ele anseia também por uma
mulher ideal, que seja tão superior quanto ele. Essa filosofia pode incomodar
aqueles que possuem uma fé cega, e por isso acredito que os filmes do Zé do
Caixão aterroriza principalmente as pessoas que creem em vida após a morte.
Por outro lado, o maldito coveiro zomba das pessoas por
causa da fé que elas têm. Por exemplo, no filme há diversas cenas em que
situações assim ocorrem, mas citando uma delas em que Zé do Caixão come carne
na sexta-feira santa ignorando o costume local motivado por crenças religiosas,
ao mesmo tempo em que zomba das pessoas em uma procissão que passava na rua.
Portanto, o personagem é firme das suas convicções, e ao mesmo tempo é um
típico fundamentalista, que acredita que só ele está certo, e ainda faz questão
de fazer chacota com a fé alheia.
Bom, o conteúdo de À
Meia-Noite é simples, pode parecer uma produção boba, mas consegue causar
uma boa impressão e é digno de nota que na época, em que no cinema brasileiro
era novidade um filme do gênero, foi um tremendo estouro. Os gringos admiram o
personagem mais do que os próprios brasileiros, e isso se dá por conta do
preconceito que muitos brasileiros têm para com o personagem e o diretor, que
inclusive passou por muitas dificuldades ao longo da carreira.
Os filmes com o personagem Zé do Caixão abusam muito do
sadismo, tortura, aparições sobrenaturais e feitiçaria. Com essas misturas,
podemos claramente perceber o talento de Mojica para o terror. Simplesmente
fascinante, neste filme, por exemplo, mostra todos esses aspectos mencionados,
mas com um grau de simplicidade, sem abusar muito, já que o orçamento não iria
permitir ir mais além. Mitos e superstições são o que não falta no filme, como
o medo de andar no cemitério à noite, roupa preta entre outras coisas pelo qual
Zé do Caixão parece se divertir a custa do medo que as pessoas nutrem para
certas ocasiões e situações.
Mojica também conseguiu provar através desse filme, que
para produzir uma boa obra, não necessariamente precisa de muito dinheiro ou
grandes efeitos especiais. Basta ter uma ideia em mente e criatividade para
executá-la. Com isso, o filme À Meia-Noite Levarei Sua Alma merece seus méritos e principalmente o
reconhecimento. E por se tratar de um clássico do cinema brasileiro, é mais um
motivo para conferir caso ainda não tenha visto, aliás, todo o trabalho de José
Mojica merece seu espaço e admiração, tanto pela criatividade quanto pela
imensa ousadia que possui em suas obras. De fato, Mojica é um ícone do nosso
cinema, quem negar isso, não passa de um preconceituoso.
Ao invés de tentar manter o ritmo na franquia, Anaconda 3 tropeçou feio e nos trouxe um
filme medíocre e sem nada a oferecer. Além de conter uma história rasa e
diálogos forçados, o filme traz uns efeitos especiais capazes de causar náuseas
de tão mal feito que é. Anaconda 3 foi
lançado em 2008 diretamente em vídeo aqui no Brasil. Dirigido por Don E.
FauntLeRoy e estrelado David Hasselhoff, Cristal Allen e John Rhys-Davies.
Sinopse: Em um laboratório de pesquisas secretas no interior da
Europa, duas cobras gigantescas são submetidas a testes por um brilhante cientista.
Mas o gerente de finanças abusa da experiência, e as cobras escapam. Elas estão
famintas e vão direto para onde está a civilização. Um grupo de mercenários é
contratado para impedir que os animais fujam para longe e faça um estrago.
Porém, o que eles não sabem é que uma das cobras está prenha e logo vai ter sua
ninhada. Começa então a corrida contra o terrível avanço das cobras antes que
elas cheguem à cidade.
Para começar, já adianto que o filme é uma droga total,
comparando com os dois anteriores. E nenhuma ligação é feita, exceto nas
experiências que são feitas a partir das orquídeas sangrentas, mas o local aqui
é na Europa. E adivinha quem participou na distribuição? Se você ao se der
conta dos efeitos especiais do filme e lembrou logo do canal Syfy, acertou em
cheio! O canal distribuiu esse filme, sendo a estreia exibida diretamente no
canal, por que será que não foi para os cinemas né?
A produção é realmente tosca. Cobras sendo mantidas em um
laboratório, e note que esse laboratório é pequeno, e o engraçado é que ele
consegue abrigar duas anacondas gigantescas. Mas isso não é o pior, a cobra
consegue cuspir sangue na cara das vítimas e pasmem... A sua cauda contém na
ponta uma lâmina pontiaguda, que ela usa para atravessar o corpo das presas e mata-las
na hora. E embora o filme não explique diretamente o porquê dessas armas
surreais, é entendido que o motivo dessas cobras serem diferentes está
relacionado a um soro que os cientistas produzem a partir delas no laboratório.
Sinceramente, depois de dois bons filmes com cobras, vem
um terceiro para fazer um estrago total e rebaixar a franquia! Nos dois
primeiros houve um clima bem mais tenso e até mesmo cômico, Anaconda 3 não consegue ser nenhum um e
nem outro. Além do mais, as atuações são nitidamente forçadas, cenas de
mutilação ultrapassam os limites de exagero e não há nenhum momento em que
ficamos tensos com o ataque dessas víboras. Também vale ressaltar que as cobras
são lerdas e a todo o momento elas fogem ao ouvirem disparos.
Como não podia faltar, há aquela típica disputa entre os
personagens sobre o motivo de haver cobras com uma lâmina na cauda, e que se
tratavam de experiências proibidas e tudo mais. Mas isso não corrobora com nada
quando havia anacondas à solta, só servem para passar o tempo, nada mais que
isso. Quando chega ao clímax, o filme começa a ficar mais maluco do que já
estava, fazendo do cara que pensamos ser o protagonista virar bandido, se o
roteiro fez isso na expectativa de surpreender o público, ele fracassou
completamente. Antes disso, o filme estava tão idiota, e se o roteiro tenta se
sobressair com um final inesperado achando que isso iria apagar toda a merda que fez durante mais de 70 minutos
de filme, pode esperar sentado, a única coisa que conseguiu fazer com isso foi
irritar mais ainda o público!
Enfim, embora eu goste dos dois primeiros filmes da Anaconda,
esse terceiro veio de cabeça pra baixo, algo que nos fazem querer que este
filme nunca fizesse parte da franquia. E ainda tem o quarto filme, que mesmo
sendo melhor que esse terceiro, ele ainda teve a coragem de errar nas mesmas
teclas. Leia também: Anaconda e Anaconda 2
A
Invasora é um filme de terror francês lançado em 2007, mas
sendo daquele tipo gore, onde a
principal atração está na mutilação e muito sangue derramado. Dirigido por
Alexandre Bustillo E Julien Maury, o filme conta sobre uma mulher grávida que
passa a ser atacada dentro de sua própria casa por uma mulher estranha, que
aparenta ter muito ódio, onde aos poucos ficará claro para o espectador que o
motivo para tal invasão tem tudo a ver com o que acontece no começo do longa.
O filme é um tiro
rápido! Bem simples e direto ao ponto principal, sem maiores desenvolvimentos
dos personagens que, aliás, são poucos. No inicio do filme é mostrado um
acidente de carro, onde Sarah (Alysson Paradis) perde o marido, ela que estava
grávida, quase no ponto de ter o bebê, passa a viver sozinha em sua casa. Mas
passado a tragédia, e ela em véspera de parto fica sozinha em casa durante a
noite, é nessa hora que aparece uma mulher misteriosa que insiste para que
Sarah abra a porta pra ela. Com medo, a grávida reluta, mas a insistência da
mulher é tão grande que obriga Sarah a chamar a policia. Mas a mulher consegue
se esconder, e quando Sarah achava que tudo estava bem, a misteriosa mulher já
se encontrava dentro de sua casa.
Tem inicio a uma
série de momentos sangrentos, pois a invasora queria o bebê de Sarah. E seu
médico, sua mãe, alguns policiais acabam mortos. A misteriosa mulher é
incrivelmente sádica e maluca, pois parecia estar se vingando de Sarah. O filme
explica isso mais adiante. O clima de tensão e suspense é muito grande e com
cenas de tortura muito fortes, tudo isso acompanhado de uma boa trilha sonora. Para aqueles que gostam de um terror gore, sem dúvida que tenha gostado do
filme.
Porém, há uma série de
defeitos que acabaram comprometendo todo o filme. Entre eles, as cenas muito
exageradas, o sangue escorre tanto de uma forma muito surreal, e isso acaba
fazendo com que o filme seja trash. Também
um detalhe comprometedor está na protagonista Sarah, ela recebe diversos golpes
na barriga, entre eles várias pauladas, mas o bebê não morre. Algo muito
milagroso para meu gosto! Há também a aparição de um policial que teve seus
olhos arrancados depois de vários minutos, ele reaparece novamente, só que
dessa vez completamente cego. Enfim, são alguns furos, que a meu ver, acabaram
estragando o filme.
Também não posso
deixar de mencionar o final infeliz que teve, como que se o espectador que
passa por muita agonia durante o filme todo, para que no final terminasse da
pior forma possível, causando revolta. Os policiais do filme são muito burros,
e que poderiam ter controlado a carnificina facilmente, mas como é de costume
em filmes do gênero, sempre tem aquele que é desprovido de inteligência.
Deixando os defeitos
de lado, A Invasora agradará aqueles
que gostam de terror extremo e sanguinário. E não estou dizendo que é um filme
ruim, mas temos que ser justos ao considerar seus detalhes técnicos. A
violência é tão grande que até mesmo o filme mostra como o feto dentro do útero
se sente no meio de tanta crueldade. Uma ousadia sem limites dos diretores!
Vale ressaltar também que o filme não é nem um pouco cansativo, pois ele
consegue manter o clima sem deixar esfriar nada, apenas se limitando a
violência extrema, muito sangue e mutilação. Apesar dos furos, vale a pena ver
se você gosta de filmes violentos e sanguinários.