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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

RUBBER: O PNEU ASSASSINO


Dirigido por Quentin Dupieux, Rubber é um dos filmes mais excêntricos e provocativos do cinema independente contemporâneo. Lançado em 2010, o longa rapidamente ganhou status de cult por sua premissa absurda: um pneu ganha vida, desenvolve poderes telecinéticos e sai pelo deserto explodindo cabeças. Sim, é exatamente isso.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

ARRASTA-ME PARA O INFERNO


Pra quem acha que o diretor Sam Raimi, mundialmente conhecido por dirigir a trilogia do Homem-Aranha, só obteve mérito pela trilogia milionária de super-heróis se engana. A marca registrada de Raimi é o terror, mas especificamente o terror trash. Clássicos como Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio (1981) é tido como um dos seus maiores trabalhos no cinema. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

MANGUE NEGRO


Alguém já viu o filme chamado Mangue Negro? Talvez você cinéfilo de blockbuster nunca tenha ouvido falar, mas um cinéfilo cult com certeza já assistiu ou pelo menos já viu comentários a respeito. Pois bem, Mangue Negro é um filme independente do gênero terror lançado em 2008, onde zumbis absurdamente bizarros aterrorizam a tela, ou pelo menos tentam. E se trata de um filme 100% brasileiro dirigido pelo estreante Rodrigo Aragão, um cineasta que hoje já possui diversos trabalhos em seu currículo, e quase todos do gênero terror, por isso eu pergunto a você: quem disse que o terror nacional se resumia apenas no Zé do Caixão?


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

OLHOS FAMINTOS 3


Como fã declarado da franquia Olhos Famintos, que inclusive já abordei os dois primeiros filmes aqui no blog, me sinto na obrigação de falar sobre o imenso fiasco que foi o terceiro filme da saga, Olhos Famintos 3 lançado em 2017, dirigido por Victor Salva.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ANACONDA 4


Concluindo uma franquia que veio do sucesso ao fracasso, em 2009 foi lançado o quarto e último filme da franquia Anaconda. Dirigido por Don E. FauntLeRoy, esse filme, assim como seu antecessor, foi lançado diretamente na Tv, não chegou a ser exibido nos cinemas, ou seja, se trata de um telefilme. E isso se deve ao fato do filme não apresentar os meios possíveis para render uma boa bilheteria, em outras palavras, estava claro que iria ser mais um fracasso.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

ALIEN VS PREDADOR 2


Sei que a maioria do público e a crítica em geral não aprovou a sequência de Alien vs Predador, e as razões pelos quais apontam para uma sequência fraca são altamente válidas e concretas. No entanto, quando eu assisti Alien vs Predador 2 pela primeira vez, foi na época em que eu apenas curtia a história sem reparar nos furos, fotografia péssima e atuações fracas. Na verdade, eu curti o filme. Mas, se eu assisto hoje, a visão é bem diferente, porém, ainda assim eu acho um bom passatempo. Aliens vs Predador 2 foi lançado em 2007, dirigido pelos Irmãos Strause. E a história parte exatamente de onde parou o primeiro filme.

terça-feira, 3 de julho de 2018

FOME ANIMAL


Eu costumo assistir bons filmes trash daqueles que ficam marcados em nossa mente. E não é pra menos que irei falar hoje do filme Braindead ou Dead Alive, conhecido no Brasil como Fome Animal, dirigido por Peter Jackson e lançado em 1992. Esse filme ficará para sempre marcado em minha mente como o filme mais nojento que já assisti, se houver outro, eu ainda não conheço.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER


Continuando com a saga do ícone do terror nacional Zé do Caixão, após um primeiro filme alucinante e original, José Mojica Marins deu continuidade com a história do coveiro e em 1967 ele lançou o segundo filme com o personagem, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver. Esse segundo filme continua exatamente de onde terminou À Meia Noite Levarei Sua Alma.

Em minha opinião, esse filme é superior ao primeiro e também eu o considero o melhor filme do Zé do Caixão, por que aqui temos três aspectos diferentes, não desmerecendo o filme À Meia Noite já que este também é um clássico. O que torna Esta Noite um filme com tamanha magnitude são as cenas muito mais aterrorizantes do que antes, aprofundamento da filosofia de Zé e claro a cena clássica do inferno em cores.


Após sobreviver ao ataque sobrenatural no final de À Meia Noite Levarei Sua Alma, Zé do Caixão (José Mojica Marins) é inocentado de seus crimes por falta de provas. Novamente de volta às ruas, o coveiro ainda não desistiu de seu propósito de gerar um filho perfeito a partir da mulher superior. E com a ajuda de seu criado, o corcunda Bruno (Nivaldo Lima), ele rapta seis mulheres e as submetem a um teste macabro utilizando dezenas de tarântulas. A mulher que não sentir medo poderá ser a escolhida, do contrário, as consideradas inferiores morrerão.

Esse evento culminará em mais assassinatos, onde uma das vítimas jura voltar do mundo dos mortos e encarnar no cadáver de seu assassino. A população também se manifesta contra os crimes do coveiro, a maioria acreditando que Zé do Caixão tem pacto com o demônio. Mas Zé, por outro lado, continua cético e faz chacota com o povo supersticioso. E quem ousa interferir em seus planos se tornava mais uma de suas vítimas.


No entanto, há algo novo nesse filme em relação ao anterior, duas mulheres partilham da mesma filosofia de Zé. Uma delas chamada Márcia (Nádia Freitas) foi a única aprovada no teste das tarântulas e se torna a partir daí, uma cúmplice dos crimes dele, embora ela não tenha o aceitado se tornar a mãe do tão sonhado filho do coveiro. E a outra é Laura (Tina Wohlers), uma jovem filha do coronel que se engraça para Zé do Caixão, ignorando os conselhos da família e até mesmo a morte do irmão. Era esse tipo de mulher que Josefel Zanatas procurava: aquela que não esbanja sentimentalismos ou crenças religiosas.

Falando das cenas de tortura, José Mojica Marins foi ousado em usar aranhas enormes e serpentes para atormentar suas vítimas. Imagine o desafio que as atrizes tiveram que encarar? O sadismo do personagem chega a impressionar durante o filme todo, mas apesar de toda sua crueldade, tem momentos que ele diverte o público ao usar falas de deboche para com suas vítimas como em uma cena antes de matar um jovem, ele diz:

“Se passares pelo céu, dê lembranças aos anjos. Mas, se teu destino é o inferno, dá meu endereço ao diabo.”


E mesmo diante de muitos crimes, há momentos em que torcemos para que o coveiro cumpra seu propósito. Não sei explicar como isso acontece, talvez seja pelo carisma do personagem e o modo de enxergar as coisas. Claro que sua filosofia exagera muito quando ele se considera superior às outras pessoas, mas sua maneira de enxergar o sangue e as crianças, parece que tudo faz sentido. Mas enfim, aqui não defendo crença ou filosofia. Como é bastante evidente, o diferencial de Esta Noite é os inúmeros discursos de Zé do Caixão, alguns julgaram um filme muito mais filosófico do que terror propriamente dito. Mas discordo completamente disso.

Se quiserem ver terror, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver cumpre isso muito bem. Principalmente na melhor cena do filme, Zé do Caixão está em sua cama, quando ele vê uma criatura sinistra andando pelo quarto até que o agarra pelo pé e começa a arrasta-lo da casa até o cemitério. Uma vez lá, Zé do Caixão é agarrado por mãos que saem da terra e o puxam para baixo, fazendo com que ele caia no inferno. Ali ele vê pessoas sendo torturados, gritos, pedidos de socorro, corpos pendurados e mutilados, e o coveiro que se considera superior assiste a tudo isso apavorado, pois muitas das almas ali eram de suas vítimas. Toda essa cena do inferno foi filmada em cores, uma grande façanha de Mojica. Não é atoa que ele é um dos cineastas mais admirados do Brasil.


Mas infelizmente este filme foi manchado pela censura. Na época de seu lançamento, o Brasil se encontrava sob o domínio do governo militar que censurava tudo que saia até dos jornais. No caso do filme, Mojica foi obrigado a alterar o final, fazendo com que Zé do Caixão reconhecesse que deus existe antes de supostamente morrer. Isso ficou ridículo! Pois desde o primeiro filme, temos o conhecimento de que Zé jamais iria acreditar nisso, mesmo depois de sofrer o ataque de almas penadas e depois sobreviver ser inocentado, ele continuou o mesmo, além do mais, ele tem uma personalidade muito forte para se submeter a isso.

Não precisa nem falar o quanto Mojica havia ficado irritado com essa imposição da censura, mas ou ele cedia à exigência ou nunca poderia lançar seu filme nos cinemas, e assim não poderia recuperar o dinheiro gasto com a produção. Para a maioria dos fãs, a censura enterrou o personagem Zé do Caixão, e isso durou muito tempo. Pois só foi em 2008 que foi lançado o terceiro e último filme da saga, onde Mojica longe de qualquer imposição conserta todo o estrago que censura da década de 60 fez com sua obra. Mas mesmo com todo isso, é inegável o fato de que este filme foi uma grande produção, mesmo em uma época sem muitos recursos. Eu disse que é para mim o melhor filme do Zé do Caixão, mas também é o melhor filme de terror feito em território brasileiro.  

NOTA: 8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quinta-feira, 15 de março de 2018

BIRDEMIC: SHOCK AND TERROR


Essa semana, eu resolvi dar uma conferida em um dos piores filmes da história. Sim, eu já conhecia a fama desse filme, e por mera curiosidade me dei ao luxo de apreciar essa “maravilha”. Essa postagem será um pouco irônica, então não estranhem caso se deparem com alguma parte em que eu faço algum tipo de sarcasmo. Mas por que irei fazer uma postagem assim? Bem, ás vezes é preciso desabafar quando assistimos coisas ruins, nesse caso, não será um desabafo, pois como eu disse, eu estava ciente da porcaria que é esse filme. Portanto, o que eu quero mesmo é soltar o verbo (moderadamente claro) contra esse filme que não é recomendável para nenhum ser humano.

O nome dessa “obra-prima” é Birdemic: Shock and Terror, lançado em 2008 e dirigido por James Nguyen, que segundo ele, tentou fazer algo parecido com o clássico Os Pássaros de Alfred Hitchcock, mas por favor, não comparem o mito Hitchcock e seu brilhante filme de pássaros com essa caganeira que apareceu em pleno século 21, e também não adianta dizer que a má qualidade se deve ao baixo orçamento que não cola, pois conheço muitos filmes com orçamento muito mais baixo que são infinitamente melhores do que esse. Pra ser bem sincero, eu não sei se o diretor resolveu fazer uma “bomba” de forma proposital, por que realmente quando começa o filme, logo nos momentos iniciais, é como se o diretor tivesse falando: “para de assistir, enquanto há tempo.” O começo é muito chato! São 3 minutos acompanhando um carro na estrada, enquanto toca uma música de fundo tão irritante que dá nos nervos. Eu vou soltar spoilers, por que eu sei que a maioria das pessoas não se importam em saber coisas desse filme, mas se não quiser saber algumas revelações, não siga a leitura.


Bem, dividimos o filme em duas partes, em que a primeira mostra um romance muito chato, entre um vendedor de Software chamado Rod (Alan Bagh), que logo “nos cativa” com sua “brilhante” atuação, e uma jovem chamada Nathalie (Whitney Moore), que com certeza nunca pisou em uma sala de teatro na vida. O filme acompanha o envolvimento dos dois nos primeiros 45 minutos de filme, onde não acontece absolutamente nada, nada de ataque de pássaros e nem mesmo uma cena de sexo entre os pombinhos, só tem blá, blá, blá. Se você está achando que só foram apenas a falta de clima romântico e tensão no filme, você não viu foi nada. Nessa primeira parte, assim como toda a produção, o filme é repleto de erros, como por exemplo, cortes mal feitos, falas mecânicas, fotografia ridícula, música de fundo de quintal, cenas aleatórias que nada contribuem no filme, roteiro mequetrefe e principalmente as atuações toscas e medonhas, no sentido extremo mesmo! São 45 minutos de pura enrolação, sem conteúdo, um enredo fraquíssimo, cenas mal feitas, aliás, parece que foi gravado com uma câmera de celular, em que mal dá pra captar o som, e como se não bastasse em várias ocasiões que a câmera acompanha os personagens de longe. Se já estava ruim, eles ainda fazem questão de deixar a coisa pior.

Quando chega o momento em que Rod e Nathalie vão para um motel de quinta categoria, a gente pensa: agora sim a coisa vai ficar boa! E então o que acontece? Nada! O cara não faz nada com a mina, a não ser esfregar seus pés nos pés dela. Quando começa o ataque dos pássaros na cidade, lá nos 47 minutos, a cena vem do nada, não há contexto pra ela. E o ataque? É as mil maravilhas! Juro pra vocês que mesmo sabendo como seriam as cenas, eu caí na gargalhada. Pra quem não sabe, os pássaros desse filme “maravilhoso” fazem barulhos de avião e os pios são terríveis, doem os tímpanos de quem tá escutando, e ao se chocarem nas casas e árvores, eles explodem, como se fossem pássaros kamikaze. Putz... E os efeitos das explosões? Meu Deus do céu. Queria saber quem foi o responsável pelos efeitos especiais, para poder dar os parabéns pelo excelente trabalho!


Quando o casal sai do quarto, eles se juntam a outro casal ali, e saem do motel armados para se protegerem das aves, e com que eles se armaram? Pasmem! Eles saem do motel com cabides para se protegerem. Oh, meu Deus do céu. A cada cena que passava a coisa ficava pior, não por causa do ataque dos animais, mas pela bizarrice que filme fazia questão de mostrar. Quando os dois casais entram em um carro depois de lutarem com seus cabides “mortais”, eles passam a usar armas... (Por que não pegaram logo ao invés de usar cabides?) E quando atiram, é munição que não acabava nunca, e para piorar eles atiravam para o nada, e sem contar que os efeitos de tiro não combinavam com o som. Tudo mal feito e tosco!

Quando os pássaros atacam, as cenas são de deixar qualquer um boquiaberto, por que simplesmente são gifs colados na tela, e os “atores” lutando contra o vento. Além disso, o modo como as aves ficam fixas não tem a menor lógica. Elas ficam com as asas abertas enquanto estão paradas. Que aves são essas? São de outro mundo? Elas conseguem driblar as leis da física? Sério pessoal, a gente tem que rir pra não chorar diante dessa ofensa ao cinema. E mais absurdo ainda, quando eles saem de carro na estrada atirando pra tudo que é lado eles encontram e salvam duas crianças e lá na frente fazem um piquenique a céu aberto. Como isso é possível? Se as aves estão atacando tudo e todos, qual a lógica de fazerem um piquenique a céu aberto? Ao invés de estarem lutando para sobreviver, estão agora passeando se divertindo? É sério gente, não sei como eu tive tanta paciência para aguentar isso, mas enfim, eu escolhi ver por que sou curioso demais, então não posso culpar ninguém a não ser eu mesmo.


Agora eu quero compartilhar com vocês a melhor cena do filme. Após uma garota ser morta, o namorado dela (não estou me referindo aos dois protagonistas), tenta salvar pessoas presas dentro de um ônibus, onde os pássaros estão atacando. O cara pega a sua arma, atira contra as aves, mas não acerta o ônibus e muitos menos as pessoas que estão ali, é como se o ônibus fosse à prova de balas, mas não à prova de pássaros... Vai entender. E o pior não é nem isso, e sim quando esse cara metido a herói entra no ônibus e tira as pessoas à força e note que elas não estavam a fim de sair, e assim que saíram foram atacados pelas aves que atiraram uma coisa gosmenta que até agora estou tentando entender se é vômito, cocô ou urina, e faz com que as vítimas morram, em uma atuação pra lá de emocionante... E outra cena pra lá de absurda é quando um velho tenta roubar a gasolina do protagonista que havia pagado caro por ela, e quando esse velho é morto por um dos pássaros, ao invés do camarada recuperar o galão de gasolina, ele entra no carro e abandona o combustível. E lá na frente ele reclama quando a gasolina do carro acaba... “Pelas barbas do profeta, como tu é burro cara!”

Então caros leitores, mesmo com toda a bizarrice vista em Birdemic: Shock and Terror, que chega a ser algo inacreditável, o filme ficou muito famoso por justamente ser ruim. E a Severin Films adquiriu os direitos de exibição e transformou Birdemic em um dos filmes mais conhecidos na categoria dos piores filmes já feitos, e o sucesso acaba chegando até mesmo a bancar uma continuação, pois mais incrível que possa parecer. O filme Birdemic: Shock and Terror é considerado um dos piores filmes da história. E como experiência pessoal, eu não vejo onde posso elogiar essa produção, e sim comentar e criticar os absurdos que somos submetidos a acompanhar, e é por isso que escrever esse texto foi muito divertido para mim, ao invés de ser um desabafo, por que eu sabia que o filme é tão ruim que chegaria a ser engraçado, todavia, eu não recomendo o filme, a não ser que você seja uma pessoa muito paciente e que tenha força de vontade em ter que aguentar noventa longos minutos de lixo puro. Se conseguir isso, você é um(a) guerreiro(a). 

NOTA: 1/10

O trailer do filme está no vídeo abaixo, como uma pequena amostra dessa “obra-prima”, se quiserem assistir o filme completo, pesquisem no YouTube que você o encontra para assistir com legendas em português. Divirtam-se! 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O PERIGO VEM DO LAGO


O Perigo Vem do Lago título original Beneath é um filme de terror trash lançado em 2013. Dirigido por Larry Fessenden e estrelado por Daniel Zovatto, Bonnie Dennison, Chris Conroy, Griffin Newman e Jonny Orsini. Essa é mais uma daquelas produções que são detonadas pela crítica e pela maioria do público, e não posso deixar de concordar em diversos aspectos com a crítica. De fato, o filme tinha uma boa premissa, mas peca muito do desenrolar da história além de atuações muito fracas. Mas, devo dizer também que mesmo com todos os defeitos, esse filme prendeu a minha atenção e tenho certeza que aconteceu com muitos também.


A história é bem simples, um grupo de jovens recém-formados decide fazer um acampamento para comemorar o fim e o começo de uma nova etapa na vida deles. Quando atravessam um lago, eles decidem parar para tomar banho, o que eles não esperavam é que dentro da água, havia um peixe gigante carnívoro que passa a atacar o grupo, encurralando-os dentro do barco sem chance de escapar. Então, o que era uma simples diversão se torna agora uma luta para sobreviver, os jovens passam a enfrentar provas de amizade entre eles.

Vamos falar primeiro dos defeitos do filme, começando pelas atuações. Nenhum dos personagens tem carisma e forçam muito na interpretação que qualquer cinéfilo pode facilmente detectar, além de que a personalidade de cada um é podre e irritante, mas isso não é necessariamente um defeito, mas sim algo explícito pelo roteiro. Mas que de alguma forma bastante eficiente nos faz sentir ódio de cada personagem a cada minuto que passa.


Um deles sabia da existência do peixe carnívoro naquele lago, mas em nenhum momento ele avisa aos seus amigos esse fato... Só podia dar merda! Veja só: um grupo de jovens vão atravessar o lago e antes disso o cara não fala nada sobre o que vive naquelas águas? É muita burrice! Aliás, isso é bem comum nesses filmes de terror dessa década. O grau de burrice é tão grande que mesmo após serem atacados pelo peixe, a única alternativa que tinham era remar até a margem para salvar suas vidas. Mas o que esses personagens burros fazem? Eles atacam o peixe com o remo. Isso mesmo, ele quebram o remo atacando o animal, e agora? Como eles irão fazer para sair dali?

A ideia de um dos personagens era ganhar tempo para poderem remar todos juntos com a mão, enquanto o peixe estaria ocupado. E para isso eles jogam uma das amigas que foi a primeira a ser morta dentro da água para que o animal a devore. Mas quando o plano não dar muito certo, eles passam a olhar uns aos outros para ver quem seria o próximo voluntário. E é aí que vejo uma força na narrativa que o filme propõe que irei falar mais adiante.


Falando do peixão do filme. É semelhante a uma piranha, só que muito mal feito, parece mais àqueles feitos de borracha. Entendo que o filme é de baixo orçamento, mas ainda assim ver aquele bicho dentro da água tocando o terror na vida dos jovens é algo meio surreal e difícil de engolir, porém, a criatura é mecânica e isso foi uma boa alternativa a se escolher do que ser feito a partir de efeitos especiais, que talvez fosse deixar mais tosco ainda. No entanto, eu não estou dizendo que o filme é 100% ruim, não é isso. Eu até que gostei do filme, mesmo que em termos técnicos ele merece ser detonado, mas em contrapartida, ele é mil vezes melhor do que aquelas produções horríveis de tubarões do Syfy, como Sharknado e Tubarão de 3 cabeças, 5 cabeças ou seja lá quantas cabeças o povo querem inventar. O Perigo Vem do Lago em comparação com estas produções é muito, mas muito melhor. Pelo menos contém uma história legal para passar o tempo.

Vamos falar do lado bom do filme, como dito no parágrafo anterior, ele contém uma história legal, mas o que mais gostei foi o modo como o diretor aborda o psicológico dos personagens, que em meio ao desespero de uma morte iminente fazem de tudo para sobreviver, até mesmo a ponto de matar seus amigos. Essa foi uma abordagem bacana e que me fez dar mais crédito ao filme, pois deu uma força maior na narrativa, que nos induz a assistir até o fim para ver como tudo aquilo irá acabar. Inclusive, há muitas pessoas que gostaram desse aspecto o que para eles o filme não se torna tão ruim assim.


Outra coisa interessante é a maneira como o filme termina. Pra ser sincero, o final de O Perigo Vem do Lago é digno de aplaudir, sério gente, não estou brincando. O que acontece no decorrer do filme nos causa um imenso sentimento de revolta contra os personagens que chega a ser impossível criar empatia por eles. Além de serem irritantes, são os típicos “amigos-da-onça”. Por isso, o final salva toda a projeção, e por isso eu não o considero uma produção do mesmo patamar dos lixos produzidos pelo Syfy. É um filme trash (por causa do baixo orçamento), mas não é um terror daqueles de causar medo, e sim é mais para o lado psicológico.

É bom assistir esse filme por que ele vai explorar o lado humano, onde tudo começa na amizade, todo mundo se dando bem um com o outro, e quando o clima fica tenso onde a vida está em jogo, pode esquecer que existe amizade. Assim sabemos quem são os amigos verdadeiros e os falsos. 

NOTA: 6/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA


Imagine um filme com baixo orçamento, sem muitos recursos e falta de atores profissionais, parece que nada irá salvar uma produção assim, entretanto, se o filme em questão abordar uma história original, bem feita e cheia de criatividade e talento? A situação muda completamente, e é dessa forma que enxergo o clássico do terror nacional À Meia-Noite Levarei Sua Alma, dirigido e protagonizado por José Mojica Marins. Lançado em 1964, foi este filme que lançou para as telas do cinema o ícone do terror brasileiro, admirado por fãs, principalmente no exterior que o considera como cult, estamos falando de Zé do Caixão, que possui algumas características que nos faz lembrar do Drácula, por usar capa preta, e Nosferatu pelas longas unhas, mas ao contrário destes, o coveiro não é vampiro e nem é uma criatura sobrenatural.

Como dito, À Meia-Noite Levarei Sua Alma foi produzido com um orçamento muito pequeno, e é composto por atores amadores, exceto o próprio Mojica e a atriz Eucharis Morais. É um clássico dos filmes trash, e mesmo com a má qualidade em diversas cenas, é um filme que merece ser visto, tanto pelos fãs de Mojica, como para quem aprecia o terror. É compreensível que com o tempo, o filme foi envelhecendo, mas de modo algum tira o mérito conquistado na época, o reconhecimento de José Mojica pelo público e pela crítica se deu através dessa obra, que se sucedeu em duas sequências: Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967) e Encarnação do Demônio (2008). À Meia-Noite é o primeiro filme do Zé do Caixão, que contém uma história simples, porém, bastante original.


Sinopse: O cruel e sádico coveiro Josefel Zanatas, conhecido como Zé do Caixão, é temido e odiado pelos moradores de uma cidadezinha do interior. Ele é obcecado para gerar um filho perfeito, que possa dar-lhe a continuidade de seu sangue. Mas sua esposa não pode engravidar, e ele acredita que a namorada de seu amigo seja a mulher ideal que procura. Após ser violentada por Zé, a moça jura cometer suicídio para retornar dos mortos e levar a alma daquele que a desgraçou.

Para entender a história que se passa no filme, é necessário compreender a filosofia do Zé do Caixão. Antes mesmo dos créditos iniciais, o filme começa com uma cena que por sinal é muito famosa, onde Zé do Caixão faz um discurso sobre a vida. De maneira mais simples, vou tentar explicar: o coveiro é um ateu convicto, um homem que não crê em Deus e nem no Diabo, também descarta a possibilidade de haver vida após a morte. Para ele, apenas o sangue pode gerar uma linhagem eterna, e não estou falando aqui de que o sangue de uma pessoa possa ser imortal. Para Zé do Caixão, o seu sangue será imortalizado através de seus descendentes, e é por isso que ele tem essa obsessão para gerar um filho.


Zé do Caixão também acredita ser superior as outras pessoas, principalmente daquelas supersticiosas que acreditam em algo sobrenatural, temem espíritos ou algo parecido, e é por isso que ele anseia também por uma mulher ideal, que seja tão superior quanto ele. Essa filosofia pode incomodar aqueles que possuem uma fé cega, e por isso acredito que os filmes do Zé do Caixão aterroriza principalmente as pessoas que creem em vida após a morte.

Por outro lado, o maldito coveiro zomba das pessoas por causa da fé que elas têm. Por exemplo, no filme há diversas cenas em que situações assim ocorrem, mas citando uma delas em que Zé do Caixão come carne na sexta-feira santa ignorando o costume local motivado por crenças religiosas, ao mesmo tempo em que zomba das pessoas em uma procissão que passava na rua. Portanto, o personagem é firme das suas convicções, e ao mesmo tempo é um típico fundamentalista, que acredita que só ele está certo, e ainda faz questão de fazer chacota com a fé alheia.

Bom, o conteúdo de À Meia-Noite é simples, pode parecer uma produção boba, mas consegue causar uma boa impressão e é digno de nota que na época, em que no cinema brasileiro era novidade um filme do gênero, foi um tremendo estouro. Os gringos admiram o personagem mais do que os próprios brasileiros, e isso se dá por conta do preconceito que muitos brasileiros têm para com o personagem e o diretor, que inclusive passou por muitas dificuldades ao longo da carreira.


Os filmes com o personagem Zé do Caixão abusam muito do sadismo, tortura, aparições sobrenaturais e feitiçaria. Com essas misturas, podemos claramente perceber o talento de Mojica para o terror. Simplesmente fascinante, neste filme, por exemplo, mostra todos esses aspectos mencionados, mas com um grau de simplicidade, sem abusar muito, já que o orçamento não iria permitir ir mais além. Mitos e superstições são o que não falta no filme, como o medo de andar no cemitério à noite, roupa preta entre outras coisas pelo qual Zé do Caixão parece se divertir a custa do medo que as pessoas nutrem para certas ocasiões e situações.

Mojica também conseguiu provar através desse filme, que para produzir uma boa obra, não necessariamente precisa de muito dinheiro ou grandes efeitos especiais. Basta ter uma ideia em mente e criatividade para executá-la. Com isso, o filme À Meia-Noite Levarei Sua Alma merece seus méritos e principalmente o reconhecimento. E por se tratar de um clássico do cinema brasileiro, é mais um motivo para conferir caso ainda não tenha visto, aliás, todo o trabalho de José Mojica merece seu espaço e admiração, tanto pela criatividade quanto pela imensa ousadia que possui em suas obras. De fato, Mojica é um ícone do nosso cinema, quem negar isso, não passa de um preconceituoso. 

NOTA: 8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: 

sábado, 2 de dezembro de 2017

ANACONDA 3


Ao invés de tentar manter o ritmo na franquia, Anaconda 3 tropeçou feio e nos trouxe um filme medíocre e sem nada a oferecer. Além de conter uma história rasa e diálogos forçados, o filme traz uns efeitos especiais capazes de causar náuseas de tão mal feito que é. Anaconda 3 foi lançado em 2008 diretamente em vídeo aqui no Brasil. Dirigido por Don E. FauntLeRoy e estrelado David Hasselhoff, Cristal Allen e John Rhys-Davies.

Sinopse: Em um laboratório de pesquisas secretas no interior da Europa, duas cobras gigantescas são submetidas a testes por um brilhante cientista. Mas o gerente de finanças abusa da experiência, e as cobras escapam. Elas estão famintas e vão direto para onde está a civilização. Um grupo de mercenários é contratado para impedir que os animais fujam para longe e faça um estrago. Porém, o que eles não sabem é que uma das cobras está prenha e logo vai ter sua ninhada. Começa então a corrida contra o terrível avanço das cobras antes que elas cheguem à cidade.

Para começar, já adianto que o filme é uma droga total, comparando com os dois anteriores. E nenhuma ligação é feita, exceto nas experiências que são feitas a partir das orquídeas sangrentas, mas o local aqui é na Europa. E adivinha quem participou na distribuição? Se você ao se der conta dos efeitos especiais do filme e lembrou logo do canal Syfy, acertou em cheio! O canal distribuiu esse filme, sendo a estreia exibida diretamente no canal, por que será que não foi para os cinemas né?

A produção é realmente tosca. Cobras sendo mantidas em um laboratório, e note que esse laboratório é pequeno, e o engraçado é que ele consegue abrigar duas anacondas gigantescas. Mas isso não é o pior, a cobra consegue cuspir sangue na cara das vítimas e pasmem... A sua cauda contém na ponta uma lâmina pontiaguda, que ela usa para atravessar o corpo das presas e mata-las na hora. E embora o filme não explique diretamente o porquê dessas armas surreais, é entendido que o motivo dessas cobras serem diferentes está relacionado a um soro que os cientistas produzem a partir delas no laboratório.

Sinceramente, depois de dois bons filmes com cobras, vem um terceiro para fazer um estrago total e rebaixar a franquia! Nos dois primeiros houve um clima bem mais tenso e até mesmo cômico, Anaconda 3 não consegue ser nenhum um e nem outro. Além do mais, as atuações são nitidamente forçadas, cenas de mutilação ultrapassam os limites de exagero e não há nenhum momento em que ficamos tensos com o ataque dessas víboras. Também vale ressaltar que as cobras são lerdas e a todo o momento elas fogem ao ouvirem disparos.

Como não podia faltar, há aquela típica disputa entre os personagens sobre o motivo de haver cobras com uma lâmina na cauda, e que se tratavam de experiências proibidas e tudo mais. Mas isso não corrobora com nada quando havia anacondas à solta, só servem para passar o tempo, nada mais que isso. Quando chega ao clímax, o filme começa a ficar mais maluco do que já estava, fazendo do cara que pensamos ser o protagonista virar bandido, se o roteiro fez isso na expectativa de surpreender o público, ele fracassou completamente. Antes disso, o filme estava tão idiota, e se o roteiro tenta se sobressair com um final inesperado achando que isso iria apagar toda a merda que fez durante mais de 70 minutos de filme, pode esperar sentado, a única coisa que conseguiu fazer com isso foi irritar mais ainda o público!

Enfim, embora eu goste dos dois primeiros filmes da Anaconda, esse terceiro veio de cabeça pra baixo, algo que nos fazem querer que este filme nunca fizesse parte da franquia. E ainda tem o quarto filme, que mesmo sendo melhor que esse terceiro, ele ainda teve a coragem de errar nas mesmas teclas. 

Leia também: Anaconda e Anaconda 2
Veja o trailer de Anaconda 3 no vídeo abaixo:

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A INVASORA (2007)



A Invasora é um filme de terror francês lançado em 2007, mas sendo daquele tipo gore, onde a principal atração está na mutilação e muito sangue derramado. Dirigido por Alexandre Bustillo E Julien Maury, o filme conta sobre uma mulher grávida que passa a ser atacada dentro de sua própria casa por uma mulher estranha, que aparenta ter muito ódio, onde aos poucos ficará claro para o espectador que o motivo para tal invasão tem tudo a ver com o que acontece no começo do longa.  

O filme é um tiro rápido! Bem simples e direto ao ponto principal, sem maiores desenvolvimentos dos personagens que, aliás, são poucos. No inicio do filme é mostrado um acidente de carro, onde Sarah (Alysson Paradis) perde o marido, ela que estava grávida, quase no ponto de ter o bebê, passa a viver sozinha em sua casa. Mas passado a tragédia, e ela em véspera de parto fica sozinha em casa durante a noite, é nessa hora que aparece uma mulher misteriosa que insiste para que Sarah abra a porta pra ela. Com medo, a grávida reluta, mas a insistência da mulher é tão grande que obriga Sarah a chamar a policia. Mas a mulher consegue se esconder, e quando Sarah achava que tudo estava bem, a misteriosa mulher já se encontrava dentro de sua casa.

Tem inicio a uma série de momentos sangrentos, pois a invasora queria o bebê de Sarah. E seu médico, sua mãe, alguns policiais acabam mortos. A misteriosa mulher é incrivelmente sádica e maluca, pois parecia estar se vingando de Sarah. O filme explica isso mais adiante. O clima de tensão e suspense é muito grande e com cenas de tortura muito fortes, tudo isso acompanhado de uma boa trilha sonora. Para aqueles que gostam de um terror gore, sem dúvida que tenha gostado do filme.

Porém, há uma série de defeitos que acabaram comprometendo todo o filme. Entre eles, as cenas muito exageradas, o sangue escorre tanto de uma forma muito surreal, e isso acaba fazendo com que o filme seja trash. Também um detalhe comprometedor está na protagonista Sarah, ela recebe diversos golpes na barriga, entre eles várias pauladas, mas o bebê não morre. Algo muito milagroso para meu gosto! Há também a aparição de um policial que teve seus olhos arrancados depois de vários minutos, ele reaparece novamente, só que dessa vez completamente cego. Enfim, são alguns furos, que a meu ver, acabaram estragando o filme. 

Também não posso deixar de mencionar o final infeliz que teve, como que se o espectador que passa por muita agonia durante o filme todo, para que no final terminasse da pior forma possível, causando revolta. Os policiais do filme são muito burros, e que poderiam ter controlado a carnificina facilmente, mas como é de costume em filmes do gênero, sempre tem aquele que é desprovido de inteligência.

Deixando os defeitos de lado, A Invasora agradará aqueles que gostam de terror extremo e sanguinário. E não estou dizendo que é um filme ruim, mas temos que ser justos ao considerar seus detalhes técnicos. A violência é tão grande que até mesmo o filme mostra como o feto dentro do útero se sente no meio de tanta crueldade. Uma ousadia sem limites dos diretores! Vale ressaltar também que o filme não é nem um pouco cansativo, pois ele consegue manter o clima sem deixar esfriar nada, apenas se limitando a violência extrema, muito sangue e mutilação. Apesar dos furos, vale a pena ver se você gosta de filmes violentos e sanguinários. 

NOTA: 6,3/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: