Moonlight: Sob a Luz do Luar, dirigido por Barry Jenkins, é um drama sensível e profundamente humano que constrói sua narrativa a partir do silêncio, dos olhares e das experiências íntimas de seu protagonista. Vencedor do Oscar de Melhor Filme, a obra se destaca por sua delicadeza ao tratar temas como identidade, masculinidade e pertencimento.
Dirigido por André Øvredal, Autópsia é um thriller de terror psicológico que se destaca por sua atmosfera claustrofóbica, narrativa engenhosa e construção gradual do suspense. O filme gira em torno de Tommy e Austin Tilden, pai e filho que trabalham como médicos legistas em uma pequena cidade americana. A rotina é quebrada quando recebem o corpo não identificado de uma jovem – a Jane Doe do título – encontrada misteriosamente enterrada em uma cena de múltiplo homicídio, mas sem nenhum sinal externo de violência.
A Intrometida é uma comédia dramática delicada e bem-humorada sobre perdas, recomeços e o amor incondicional de uma mãe. Com direção sensível de Lorene Scafaria, o filme se constrói como um retrato afetivo – e às vezes incômodo – da relação entre uma mãe viúva e sua filha adulta, à medida que tentam redescobrir seus próprios caminhos.
Dirigido por
Kleber Mendonça Filho, Aquarius é um drama brasileiro que combina
intimismo e crítica social para contar a história de Clara, uma jornalista
aposentada e viúva interpretada de forma brilhante por Sônia Braga. O filme é
um retrato de resistência e memória, ambientado em Recife, e explora temas como
gentrificação, envelhecimento e autonomia feminina.
A
série As Crônicas de Shannara
(The Shannara Chronicles),
lançada em 2016, é baseada na obra de Terry Brooks, mais especificamente no livro
The Elfstones of
Shannara. Com uma
mistura de fantasia épica e elementos de ficção pós-apocalíptica,
a produção traz um universo repleto de elfos, druidas, demônios e paisagens
encantadoras que prometem capturar o público juvenil fã de títulos como O Senhor dos Anéis ou Game of Thrones.
No entanto, apesar de um visual impressionante e uma premissa intrigante, a
série enfrenta desafios tanto no desenvolvimento do enredo quanto na
profundidade de seus personagens.
Tempo Contado, título
original Term Life, é um filme americano de 2016, dirigido por Peter
Billingsley. O longa é estrelado por Vince Vaughn e Hailee Steinfeld.
O Sono da Morte, título original Before I Wake é um filme lançado em 2016 dirigido por Mike Flanagan e estrelado por Jacob Tremblay, Kate Bosworth e Thomas Jane.
Secuestro é um
suspense espanhol lançado em 2016, dirigido por Mar Targarona e o roteiro foi escrito
por Oriol Paulo. Estrelado por Blanca Portillo, Antonio Dechent, José Coronado
e Andrés Herrera.
Grave ou podemos referir como
Raw é uma coprodução da França com a
Bélgica lançado em 2016. Dirigido por Julia Ducournau e estrelado por Garance
Marillier. É um filme de terror polêmico com cenas de arrepiar!
A Voz
do Silêncio: Koe no Katachi é um filme de animação japonês produzido pelo
estúdio Kyoto Animation. Dirigido por Naoko Yamada, lançado em 2016 e é baseado no mangá de
mesmo nome escrito e ilustrado por YoshitokiŌima.
Milagres
do Paraíso, título original Miracles From
Heaven é um drama dirigido por Patricia Riggen, cuja história se baseia no
livro homônimo de Christy Beam. O filme foi lançado em 2016 e é estrelado por
Jennifer Garner, Kylie Rogers, Martin Henderson, John Carroll Lynch, Eugêncio
Derbez e Queen Latifah.
Quem acompanha este blog já
deve ter me notado falar que muita bilheteria não é sinônimo de um bom filme.
Infelizmente, as pessoas tendem a comemorar o dinheiro que determinado filme
arrecada ao invés do conteúdo em que ele apresenta. Claro que há casos
específicos onde o fã pode e com toda a razão comemorar o sucesso de um
determinado filme, em especial por que isso significa que haverá sequências, mas
de modo geral, o que realmente deve contar é o que o filme realmente nos traz.
A adaptação do romance homônimo de Jojo Moyes Me Before You chegou aos cinemas no ano de 2016, e tem agradado boa
parte do público. Dirigido por Thea Sharrock, e estrelado por Emilia Clarke,
Sam Clafin, Jenna Coleman, Charles Dance e Matthew Lewis.
Hush
– A Morte Ouve é um filme de suspense dirigido por Mike
Flanagan e lançado em 2016. Esse filme apesar de conter uma história clichê,
consegue cumprir os principais quesitos para um bom filme de suspense, que
prende a atenção, nos deixam apreensivos e torcendo pela protagonista. No
elenco temos os nomes de Kate Siegel, John Gallagher Jr. Samantha Sloyan e
Michael Trucco.
O
Homem nas Trevas, título original Don’t Breathe foi uma das grandes surpresas do gênero suspense no
ano de 2016. Dirigido por Fede Alvarez e estrelado por Jane Levy, Dylan
Minnette, Daniel Zovatto e Stephen Lang. O filme se concentra em três amigos
que em uma tentativa de assalto, acabam ficando presos dentro da casa de um
homem cego.
No Fim
do Túnel é uma coprodução da Argentina com a Espanha dirigida por Rodrigo Grande
lançado em 2016. Protagonizado por Leonardo Sbaraglia e Clara Lago, esse filme
é um suspense autêntico e claustrofóbico que possui uma trama extremamente
interessante dividida em camadas, das quais nos prende na história e nos leva a
um desfecho impactante.
Sinopse: Joaquín (Leonardo
Sbaraglia) é cadeirante e cansou de viver solitário em sua velha e escura casa.
Por isso, decidiu alugar um de seus quartos para a stripper Berta (Clara Lago)
e sua filha, Betty (Uma Salduende). A presença das duas alegra a casa e a vida
de Joaquín. Mas o que ele não imagina é que, malandramente, tudo não passa de
uma estratégia da moça e de seu namorado, o criminoso Galereto (Pablo Echarri),
para criar um túnel por baixo da casa e roubar um banco da região.
Os elementos base dessa
história são clichês, alguns até mesmo nos fazem lembrar grandes obras de
cineastas consagrados, como Alfred Hitchcock e Quentin Tarantino. Mas, o bom e
acerto do diretor Rodrigo Grande, que também assina o roteiro, é fugir de
clichês gritantes e nos mostrar um suspense que mesmo sendo óbvio, é capaz de
nos surpreender. Sim, a trama de No Fim
do Túnel praticamente entrega toda a história em sua sinopse, e dentro
desse contexto é que a narrativa triunfa.
O personagem Joaquín nos
conduz juntamente com ele para uma espécie de investigação clandestina sobre um
assalto, e que esse golpe se passava bem embaixo dele. E como se não bastasse,
a garota a quem ele alugou um quarto é a namorada do bandido, que
propositalmente está em sua casa para distraí-lo. A trama caminha em um clima
tenso e claustrofóbico, que na maior parte do tempo se passa dentro da casa de
Joaquín. E há algumas revelações impressionantes sobre o elenco, o que de certa
forma irá se desenvolver junto com a proposta principal em relação ao roubo.
E por falar em coisas que
surpreendem, nesse filme não há plot twist daqueles que são capazes de deixar a
pessoa boquiaberta, longe disso, a trama aposta mais na tensão. O espectador
fica mergulhado na trama, ansioso para saber como tudo vai acabar, se vai dar
alguma coisa errada, quem vai morrer ou quem vai preso. Nesse sentido, o
suspense do filme é diferenciado, embora em algumas partes possa parecer
arrastado, é bom saber que todos os elementos e situações retratadas não são
para encher espaço, pois cada aspecto terá uma importância, cada camada é
preenchida. Pra mim, isso valeu muito a pena!
O elenco é formidável!
Começando pelo protagonista Leonardo Sbaraglia que faz uma brilhante atuação
como um cadeirante aparentemente inofensivo, esse ator inclusive fez parte no
elenco do impecável Relatos Selvagens.
Ele consegue mostrar uma pessoa que mesmo sendo deficiente, pode ser esperta o
bastante para improvisar qualquer coisa que ele tenha feito ou viu alguém
fazer.A personagem de Clara Lago tem
algumas limitações, ela por ser uma stripper, envolvida com um criminoso, mas
sem nenhum consentimento que este tem em relação a sua filha, que não fala já
há um bom tempo.
A atriz rouba a cena nos
momentos que ela está dançando, esbanjando sua sensualidade e beleza, é óbvio
que para nós homens, ela foi de certo modo o centro das atenções, mas eu ainda
gosto mais dela no filme O Quarto Secreto.
No entanto, a atriz mirim que interpreta sua filha é quem me cativou em
especial, não estou falando do mesmo modo que Lago, claro que não, mas sim da
atuação da garota que passa a maior parte do filme sem abrir o bico, e seu
temperamento, visivelmente perturbado é o que me tem chamado atenção. As
atitudes dela para com o cachorro de Joaquín revela algum sentimento oculto que
ela esconde até mesmo de sua mãe. E isso acaba fazendo com que um dos bandidos
vire um mocinho.
Mas, não vou falar mais detalhes do filme por que pode estragar a surpresa de quem ainda não viu, só sei que No Fim do Túnel é uma produção longe dos padrões de Hollywood, e como suspense, ele não deixa a desejar nem um pouco. Como eu já falei aqui no blog, o cinema argentino está de parabéns por fazer um ótimo trabalho que merece e deve ter o devido reconhecimento do público geral, não só na América Latina, mas no restante do planeta!
Sabe aqueles filmes em que você assiste e acha que sabe o que se passa
na história, mas no fim de tudo acaba se surpreendendo com revelações
inesperadas e imprevisíveis? Existem muitos filmes assim, porém, o sul coreano A Criada tem uma diferença que o torna
muito especial. A trama é tão bem desenvolvida e separada em três segmentos,
onde em cada um deles, mas especificamente nos dois primeiros onde podemos
atribuir a seguinte situação para o espectador: “você acha que sabe o que tá acontecendo, contudo, você não sabe é de
nada.” A Criada triunfa magistralmente nesse sentido de pegar aqueles que
assistem de surpresa, e isso o torna uma produção magnífica, tanto bela
excelente história, atuações e estrutura narrativa impecável. Dirigido pelo
cineasta Park Chan-wook (mesmo diretor de Oldboy), A Criada é um drama erótico lançado em 2016. Protagonizado por Kim
Min-hee, Kim Tae-ri, Ha Jung-woo e Moon So-ri. O filme é baseado no romance
galês Fingersmith de Sarah Waters.
A Criada se baseia nos anos 30, durante a ocupação japonesa na província
da Coreia (na época em que não era dividida entre sul e norte), onde a jovem Sookee
(Kim Tae-ri) é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko
(Kim Min-hee), que leva uma vida isolada e infeliz ao lado do tio autoritário.
Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a
herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo ocorre bem de
acordo com o plano, porém, Sookee começa aos poucos compreender as motivações de
Hideko, e é nessa linha narrativa que o filme caminha durante seu primeiro segmento,
e quando chegar ao clímax, revelações surpreendentes vêm à tona.
A Criada é um filme que não brinca com a nossa inteligência e
muito menos abusa dela. Pois o modo como Park Chan-wook conduz o filme com
talento e sensibilidade, nos dar motivos para compreender cada ponto, e é
também nisso que vemos sua singularidade em mostrar a importância de cada cena,
cada fala e expressão facial dos personagens. Alguns podem se sentir confusos
ao término do primeiro segmento, mas o segundo irá mostrar quase que a mesma
situação de antes, porém, com outro ponto de vista e encaixando várias peças
que foram deixadas em aberto. E ainda assim, o término do segundo segmento é
também surpreendente. Mais uma vez encaixando a situação para quem assiste: “você acha que sabe o que tá acontecendo,
contudo, você não sabe é de nada.”
Nessa linha narrativa que predomina o filme todo, sinceramente é
impossível dizer que o filme é ruim. Pelo amor do que você acredita, sei
inclusive que gosto não se discute, mas dizer que A Criada é um filme ruim, é uma coisa que sinceramente, não dar pra
entender, a menos que a pessoa tenha assistido da forma errada. Como dito no inicio desse texto, o triunfo do filme é surpreender,
sem abusar da lógica e da capacidade mental que temos de raciocinar as
situações. Entendo que na primeira parte podemos ficar confusos, eu fiquei
também, no entanto, o restante do filme complementa tudo e não deixa nada,
absolutamente nada em aberto. Na primeira vez que o vi, ao terminar me deu
vontade de se levantar de onde eu estava sentado e aplaudir. Mas, eu estava
sozinho em casa quando assisti. Então me contive em respeito a isso, mas ao
mesmo tempo fiquei maravilhado de poder ter visto uma obra-prima gigantesca e para
minha maior satisfação, se tratava de uma produção coreana.
O conteúdo do filme é bem misto. Sua narrativa é uma mistura entre abuso
autoritário, inclusão de crianças em conteúdos obscenos, lesbianismo, nudez
explícita, romance, golpe do baú, torturas, cárcere privado, entre outros
fatores que levam o filme ao topo, por abordar cada ponto com precisão e na
dosagem certa. Entendemos que no primeiro segmento narrado e visto de acordo
com o ponto de visão da criada Sookee, que planejara aplicar um golpe na garota
Hideko com a ajuda de um vigarista que finge ser um conde importante. Porém, ao
notar a inocência de sua patroa, Sookee vai desenvolvendo afeição por ela, o
que mais tarde resulta em um romance entre as duas, e isso acaba por gerar
possíveis mudanças em relação ao plano original de roubar a herança da jovem. Mas,
como já dito, o final dessa primeira parte foi surpreendente, porém, não irei
entrar nos detalhes sobre isso, pois não quero soltar spoilers.
No segundo ato, entendemos a vida de Hideko desde criança, onde na época
de sua inocência, ela era obrigada a ler contos pornográficos ao seu tio e
outros homens pervertidos que ouviam com prazer e lascívia. E para piorar cada
vez mais a vida da jovem, ela sofre maus tratos, principalmente após sua tia se
suicidar. Depois que ela cresce, a narrativa vista no primeiro ato ganha espaço
novamente só que do ponto de vista da Hikedo, que inclusive narra algumas
situações já vistas e também as novas que irão ser uma espécie de complemento
daquilo que não entendemos com precisão no primeiro ato, e mais uma vez, o ato
termina com um final que nos surpreende. E o terceiro e último ato nos leva a
conclusão de tudo que fora visto, desde os absurdos no que diz respeito às
atitudes obscenas e egoístas da parte daqueles que fizeram com que a vida de
Sookee e Hideko não fizesse nenhum sentido, e como as duas se apaixonam, elas
lutam pelo amor que nutrem uma pela outra, e devo afirmar que a conclusão foi
mais do que plausível, foi espetacular.
Entretanto, há a necessidade de chamar atenção para as cenas de nudez. Primeiro,
é justo elogiar o desempenho das atrizes que conseguiram fazer cenas bem
realistas de sexo lésbico, pois compreendemos que tais cenas são difíceis de
fazer, inclusive vi entrevistas de alguns atores que tiveram de ficar nus em
algumas cenas em que trabalham, e muitos deles afirmaram com grande convicção
que simular momentos em que os personagens fazem sexo é muito difícil de fazer,
primeiro por que é constrangedor, óbvio, e segundo manter a concentração diante
de câmeras e luzes, não é pra qualquer um, nem mesmo atores do ramo pornô dizem
que é algo fácil. Portanto, em A Criada tais
cenas foram bem trabalhadas e mostraram uma sensualidade incrível.
A segunda coisa a se considerar a respeito disso é que, tais cenas não
foram exagero, conforme as menções de alguns críticos, pois a história do filme
baseada no livro da autora Sarah Waters, exigia isso, ou vão querer agora contrariar
a história original? Além do mais, quando alguém vai assistir ao filme, a pessoa
deve ter em mente que se trata de um drama erótico, essas cenas são necessárias e tem uma correlação para tudo no filme. Por isso não reclame se ao
longo da projeção, você se deparar com cenas de sexo, ainda mais lésbico. Eu
não liguei pra esse detalhe, e em minha opinião, isso não compromete a qualidade
e ousadia pela qual o filme caminha durante mais de duas horas de duração.
Como fã do cinema sul coreano, eu procuro entender principalmente a
essência de cada produção, e que a respeito disso o gênero em questão faz uma
diferença enorme. O drama, por exemplo, é o gênero de filme que mais me
encanta. E se uma produção cinematográfica consegue demonstrar atributos como
qualidade, simplicidade, emoção e uma trama singular gerada a partir de uma
narrativa que não perde ritmo e nem deixa pontas soltas, independente se vai
terminar com um final feliz ou triste, eu já saio satisfeito no final. E o
filme A Criada se encaixa nisso
perfeitamente, e eu jamais irei dizer que me arrependo de ter visto, ao
contrário, eu digo com todas as letras que é uma obra-prima, maravilhosamente
bem feita e imprevisível e por isso cheia de surpresas.
Se você ainda não viu A Criada,
mas pretende conferir o quanto antes,recomendo
que esteja ciente de sua proposta e abra a mente para cada situação que ali irá
retratar. Não seja preconceituoso e intolerante, mergulhe na trama e sinta cada
emoção e pancada que as reviravoltas irão aplicar contra você, mas ao término
do filme, provavelmente você irá sair com uma mente mais aberta e madura. Eu me
senti assim, e espero que você aprenda o mesmo, pois na vida existem o que é
absurdo e o que é tolerável, o que afeta a vida de alguém e o que não afeta, e
com isso você consegue diferenciar cada um destes aspectos, colocando-os no
devido lugar.
O cinema sul-coreano veio para ficar. Estou cansado de
falar isso para alguns de meus amigos cinéfilos. A maneira como os asiáticos
fazem seus filmes, mesmo abusando dos clichês, é algo impressionante. Digo isso
por que a maioria das pessoas consideram os filmes clichês como ruins, que não
inovou em nada. Mas, na minha humilde opinião, clichê ou não, o que faz um filme bom é o modo como ele é
feito e se irá cumprir sua premissa inicial. Com o filme sul-coreano Invasão Zumbi lançado em 2016, os clichês pouco importa quando a
produção consegue cumprir suas perspectivas, como muita tensão, ação, luta pela
sobrevivência e atitudes bizarras que o ser humano toma para salvar sua pele.
Dirigido por Yeon Sang-ho, que consegue conduzir o filme
mostrando um pouco de cada personagem que irá ter seus momentos. O filme se
centra dentro de um trem de alta velocidade com destino à cidade de Busan.
Porém, o país está passando por uma epidemia mortal, onde um vírus transforma
as pessoas em zumbis e que se espalha rapidamente. Quando se pensa que dentro
do trem está seguro, engana-se, pois uma moça infectada entra no vagão e passa
a infectar os passageiros, e a contaminação a partir daí é inevitável, só
restando então lutar pela sobrevivência.
No inicio somos apresentados ao protagonista do filme, um
executivo obcecado pelo trabalho e, que quase não dar atenção para a filha, um
sinal claro disso é quando ele da o mesmo presente de aniversário para a
garota. Para recompensa-la, ele a acompanha para levar a menina para passar o
aniversário com a mãe, já que eles eram separados. Ele é um pouco egoísta e a
garota é extremamente solidária e rouba a cena toda vez que aparece, e à medida
que o filme vai caminhando, os dois vão desenvolvendo melhor o vínculo entre
pai e filha, onde ele principalmente irá
aprender com ela lições importantes em relação as suas próprias atitudes. A
jornada de ambos consiste em embarcar em um trem, onde iremos conhecer outros
personagens que irão ganhar algum destaque ao longo do filme.
Lá dentro, conhecemos um casal onde a mulher está
grávida, uma equipe de beisebol e suas líderes de torcida, duas senhoras, um
funcionário da empresa de trens muito egoísta, e um mendigo que corre para o
vagão com medo dos ataques que ocorrem fora do trem. Os passageiros não sabem o
que se passa do lado de fora, e o filme não se preocupa em explicar as causas
da infecção, a não ser em uma cena inicial que podemos interpretar a causa, onde
é dito que houve um vazamento em uma empresa de químicos. Afinal, tal cena não pode ser gratuita, tem sim
o seu contexto mesmo que nada no filme explique. Então, cabe a nós que
assistimos interpretar da melhor forma.
No trem, quando todos pensavam estar seguros, uma moça
infectada entra se transformando. A transformação é muito rápida e consiste em
fazer com que o infectado tenha convulsões e se mexa de uma forma sinistra e
bizarra. Quando o primeiro passageiro é mordido, se transforma e o caos se
instala. Achei muito interessante a
forma como a direção cria um clima altamente tenso dentro de um local limitado
cheio de pessoas. Acha desesperador ter em companhia zumbis bizarros
dispostos a ataca-lo? Prepare-se para o pior.
O medo e o desespero toma conta de tudo. Os personagens coadjuvantes
ganham o destaque que devem, como o casal que fica próximo a menina e o
funcionário da empresa de trens que faz com que o clima dentro do local ficasse
ainda pior, por apenas pensar em si mesmo, fazendo com que os passageiros
fiquem contra uns aos outros em beneficio próprio. Isso faz com que o perigo se duplique mais ainda onde a frieza e a
impossibilidade de querer ajudar o próximo ganhe mais espaço. Por outro
lado, sentimos empatia por outros personagens, como as duas senhoras, o marido
da grávida, como também a própria e principalmente a garotinha que em pleno
aniversário se vê diante de uma situação aterradora. Um dos membros da equipe
de beisebol e uma das líderes também ganha espaço e não queremos que eles
terminem de forma trágica, mas como dito, parece mais que os personagens
egoístas são muito piores do que os próprios zumbis.
O roteiro ainda acerta por incluir a
incapacidade dos zumbis de enxergarem no escuro, dando a chance necessária para que os
personagens tenham uma vantagem na luta pela sobrevivência. Vale destacar a
cena incrível onde alguns passageiros precisam passar por alguns vagões
repletos de zumbis para poderem salvar seus entes queridos, e a principal arma?
A hora em que o trem entra em um túnel, onde tudo fica escuro e facilita a passagem
no meio dos infectados, o filme nos presenteia também com boas cenas de ação que mesclam junto ao terror e o desespero para não
ser infectado.
O final de Invasão
Zumbi é de partir o coração. Ficamos com muito ódio de um dos personagens
que praticamente por causa dele, a carnificina foi maior do que o esperado.
Mas, é justo perceber que tais acontecimentos seriam previsíveis, já que o filme não apenas traz ameaça da parte dos
zumbis, mas também dos que lutam pela sobrevivência.
Invasão Zumbi é clichê? Sim! Por ser clichê é um filme
ruim? Nunca! Apesar de abordar um
tema muito comum, a forma como a narrativa se segue, explorando o medo e o egoísmo foi algo extremamente notório e criativo.
O longa não abusa apenas na questão da infecção, mas em cada sentimento
expresso pelos personagens que de alguma forma mostram aspectos diferentes um
do outro. Sacrífico para salvar quem ama, morrer junto com a pessoa que gosta,
se vingar dos egoístas que propositalmente impede a sobrevivência de terceiros
e por fim, a típica situação antes você
do que eu. De modo geral, o filme
claramente mostra os dois lados opostos do ser humano quando se vê diante de
uma situação de vida ou morte.
Como eu já falei aqui no blog e torno a repetir, o cinema
sul-coreano é bom, é de qualidade e tem feito ótimos trabalhos nos últimos
anos, tanto na questão de abordar temas originais e também fazer com que os
clichês sejam vistos com uma perspectiva diferente. Enfim, recomendo Invasão Zumbi por que é um filmaço, como também outros filmes
sul-coreanos que ganharam meu respeito.
O terceiro filme da franquia Ip Man, mais conhecida aqui no Brasil como O Grande Mestre, teve seu lançamento feito em 2016, novamente com a
direção de Wilson Yip e se foca na década de 50, onde Ip Man e sua família
continuam morando em Hong Kong, com o mestre Ip ainda lecionando a arte do Wing
Chun, se tornando um mestre famoso na cidade. O Grande Mestre 3 continua a história e novamente Donnie Yen
interpreta o mestre Ip. Alguns personagens novos são introduzidos neste novo
filme, mas há participações especiais também, como o ex-lutador Mike Tyson e
Danny Chan.
Sinopse: O mestre Ip (Donnie Yen) reencontra seu pupilo Bruce Lee
(Danny Chan) e precisa mais uma vez proteger os moradores de sua cidade. O lugar
está sendo ameaçado pelo gângster Frank (Mike Tyson), que desafia Ip Man para
um grande combate.
O Grande Mestre 3 não é muito diferente de seus dois
antecessores, mas seu diferencial está no drama, é bem mais tocante a história
devido a doença da esposa de Ip Man que conduz o filme de uma maneira sutil, emocionante
e muito triste, fazendo até mesmo do mestre Ip alguém irreconhecível, pois
sempre o víamos treinando e lutando. Mas apesar disso, o filme não desvia de
seu foco que ainda permanece nas cenas de luta. Aqui aparece um lutador de Wing
Chun que é dito ser um dos alunos da escola onde Ip Man aprendeu sua arte. A
princípio, esses dois possuem um relacionamento amigável, mas situações
inesperadas farão com que se tornem rivais.
Mike Tyson faz sua participação como um vilão, que ameaça
a escola onde o filho de Ip Man estuda, fazendo com que seu bando a ataquem
várias vezes, pois queriam que o diretor a vendessem. Ip Man e seus discípulos para
ajudar a polícia ficam como vigias do local, mas nem mesmo isso intimida os
criminosos, pois existe uma conspiração criminosa envolvendo o gângster e os
oficiais estrangeiros. A participação de Tyson no filme nos gera grandes
expectativas, principalmente para uma luta entre ele e Ip Man. E isso acontece,
mas deixa muito a desejar, já que a luta dura apenas 3 minutos e sem nenhum vencedor.
Talvez o roteiro optasse para não deixar o personagem de Tyson como o vilão
principal, já que o outro lutador de Wing Chun é visto com um rival de Ip Man, pois
o havia insultado em público, ganhou fama, funda seu dojo e o desafia,
afirmando que o kung fu do mestre Ip não é autentico.
Você talvez se pergunte: haverá uma luta, wing chun vs wing chun? Sim! E é a melhor luta do
filme. Uma disputa de alto nível feita por colegas da mesma arte marcial. Mas,
essa não é a única luta boa do filme, conforme já mencionado, a luta entre Ip
Man e Frank (Mike Tyson) apesar de não ter terminado, foi muito boa, também um
tailandês é contratado para dar uma surra no protagonista, que o enfrenta na
frente de sua esposa doente, dentro de um elevador. Ip Man nessa cena chega a
emocionar sua mulher, que a todo tempo se sentia jogada de lado com tantas
responsabilidades nas costas de seu marido.
Como no final do segundo filme, um garoto chamado Bruce
Lee se dirige a Ip Man pedindo para que ele o ensine, ele volta novamente neste
filme já crescido para pedir ao mestre Wing Chun que o aceite como aluno. Sobre
a participação de Bruce Lee no filme, houve controvérsias por que os produtores
queriam computadorizar a imagem de Bruce Lee para o filme, mas a família do
mito brigou na justiça, pois os responsáveis pelo filme iriam fazer isso sem a
devida autorização. No final das contas, o ator Danny Chan, que curiosamente
havia interpretado Lee na série chinesa Bruce
Lee: A Lenda (que eu recomendo que assistam), pois o jovem ator tem uma
grande semelhança com o lendário artista marcial. Portanto, sua participação
foi bem legal, apesar de aparecer em apenas duas cenas.
Levando em conta para as cenas de luta, O Grande Mestre 3 é inferior aos demais,
mas é superior no quesito de drama e o valor da família. Embora isso não
colabore muito para o gênero principal, ele foi necessário, pois realmente a
esposa de Ip Man sofria de câncer, e o filme além de retratar esse fato, ainda
o tornou bastante dramático, fazendo até mesmo com que os egos de lutador
ficassem em segundo plano. Particularmente eu achei louvável a atitude de Ip
Man e diversos momentos. E o filme ainda é necessário assisti-lo por que se
trata de uma biografia. Isso já é motivo suficiente para não perder,
principalmente se você já tiver assistido os dois anteriores.
Ser adolescente não é nada fácil, quem já passou ou está
passando por essa fase sabe o quanto é complicado ter que lidar com inúmeras
mudanças no corpo, comportamento e a forma de ver o mundo. Quando se está perto
de entrar para a vida adulta, há o sentimento de que estamos perdidos, sem
nenhum rumo a seguir. Na história do cinema, já houve diversos filmes em que
abordavam temas da adolescência, e muitas vezes não criamos nenhuma expectativa
para temas assim, no entanto, a diretora Kelly Fremon estreou seu primeiro
longa-metragem com o filme Quase 18, título
original em inglês The Edge of Seventeen.
O longa foi lançado em 2016 e cativou o público com seu roteiro bem
construído e excelentes atuações, o que destaca a talentosíssima atriz Hailee
Steinfeld, que foi indicada ao Globo de Ouro com sua brilhante performance. Além
de Steinfeld, o elenco do filme conta com os nomes de Woody Harrelson, Kyra
Sedgwick, Blake Jenner, Haley Lu Richardson e Hayden Szeto.
Sinopse: Crescer não é nada fácil para alguns, como para Nadine
(Hailee Steinfeld), uma estudante que está enfrentando uma difícil situação
desde que sua melhor amiga, Krista (Haley Lu Richardson), está namorando com o seu
irmão mais velho, Darian (Blake Jenner). Nadine se sente mais sozinha do que
nunca, ao menos até começar uma amizade com um jovem atencioso (Hayden Szeto).
Durante a trama, fica impossível não nos identificarmos
com a protagonista. Ela passa por tanta dificuldade, desde a morte de seu pai,
que era o único com quem ela era achegada, e depois ela passa a ter que lidar
com a mãe e irmão, ambos não se dão bem com ela. E pra piorar, sua melhor e única amiga
começa a namorar e se distancia de Nadine, causando ciúmes e revolta. Nadine é
aquela típica adolescente antissocial, que tem dificuldades para interagir com
outras pessoas, se enturmar e curtir a juventude.
Rodeada de problemas familiares, e para resolver problemas,
a garota muitas vezes age sem pensar, utilizando métodos estúpidos e é claro que
ela se dar mal em tudo. Kelly Fremon conduz a história com perfeição, sem
perder o ritmo. Também explora os personagens que rodeiam a protagonista de uma
forma magistral, sem apelação e tudo com um propósito.
Ao contrário do que se poderia pensar por se tratar de um
filme em que a adolescência é o ápice, o filme não decepciona em absolutamente
nada! Além de ser muito divertido acompanhar as situações cômicas em que Nadine
se mete, seja na convivência com sua amiga, também quando ela esta do lado do
rapaz que parece estar interessado nela, e quando ela marca um encontro com seu
crush que acontece da forma mais
bizarra possível. Com situações comuns da juventude, o filme não desafia a
nossa inteligência e é extremamente honesto ao abordar dramas familiares e
amorosos que ocorrem em uma jovem.
Quase 18 é um filme que não cria expectativas com sua sinopse e cartaz,
mas ao assisti-lo, podemos sair surpreendidos com tamanha devoção e
tranquilidade no desenvolvimento e do elenco em si. O roteiro escrito pela
própria Kelly Fremon não deixa margens para possíveis clichês, mesmo quando já
existem filmes com esse tipo de tema. Trazendo uma trama simples e
interessante, que diverte e entretém. E à medida que o filme caminha para o
desfecho, acontece que não nos damos conta do tempo, mesmo quando na primeira
cena não ficamos muito interessados, mas quando a trama se desenvolve, ela
prende a nossa atenção de uma maneira suave e emocionante. E isso é uma das
coisas que o filme tenta fazer: nos emocionar. Quando a protagonista passa a
aprender a lidar com seus problemas e agarrar a juventude tal como deve ser com
todos os jovens, quem passa ou já passou por isso, consegue entender e
compreender o que Nadine tem enfrentado no filme. Ela é uma espécie de espelho
da personalidade de todos os adolescentes.
E não posso terminar sem deixar de descrever a minha
admiração por Hailee Steinfeld e seu desempenho no filme. Não me surpreendi com
isso, já que a jovem atriz já tinha feito outros trabalhos excelentes, tal como
sua estreia em Bravura Indômita dos irmãos
Coen. Em Quase 18 ela consegue se
entregar à sua personagem de forma natural e convincente. O modo como ela se
expressa como Nadine é muito engraçado, nos diverte e ao mesmo tempo emociona,
sem dúvida essa foi uma das melhores atuações de Haille até agora, perdendo
apenas para o faroeste já mencionado. Sua indicação ao Globo de Ouro foi mais
que merecido, e o filme Quase 18, embora
não aparenta ser o que é, eu recomendaria sem hesitar.