Frenesi (Frenzy, 1972) marca o retorno de Alfred
Hitchcock ao seu país natal e ao gênero que o consagrou: o suspense. Ambientado
na Londres da década de 1970, o filme conta a história de Richard Blaney (Jon
Finch), um homem comum acusado de uma série de assassinatos cometidos pelo
verdadeiro culpado, Bob Rusk (Barry Foster), um amigo próximo e aparentemente
inofensivo.
Considerado um dos maiores filmes da história do cinema, O Poderoso Chefão, título original The Godfather lançado em 1972 é um dos
filmes que sempre encontramos no topo de listas dos melhores filmes já feitos. Baseado
no livro homônimo de Mario Puzo, que assina o roteiro do filme com o diretor Francis
Ford Coppola e é estrelado por Al Pacino, Marlon Brando, James Caan, Richard
Castellano e Robert Duvall entre muitos outros nomes importantes.
Além de lutar e atuar, Bruce Lee também mostrou ser um
bom diretor e roteirista. Ele escreveu, dirigiu e atuou em seu terceiro filme
conhecido como O Voo do Dragão lançado
em 1972, que é considerado por muitos o melhor filme dele, por que além de
conter ótimas cenas de luta, o filme ainda traz diversos momentos engraçados
envolvendo o personagem de Bruce, e também por que foi neste filme em que ele travou
uma luta histórica contra o até então sete vezes campeão norte-americano de
Karatê, o grande Chuck Norris, que era na verdade um grande amigo de Bruce Lee
com quem aprendeu mais coisas sobre artes marciais.
É óbvio que muitos não gostaram do fato de Lee ter derrotado
Norris no filme, por que Norris era imbatível, mas considerando que era apenas
um filme, muita gente discutia a possibilidade de Lee derrotar Norris em uma
luta real, o que infelizmente nunca aconteceu. Mas, a luta entre essas duas
lendas no filme é sensacional, vale o filme inteiro, seja pela coreografia (uma
das melhores já vistas) ou pelos momentos engraçados durante o combate.
O Voo do Dragão contém uma história muito simples. Tang Lung
(Bruce Lee) viaja para Roma na Itália, para ajudar alguns amigos chineses que
trabalham em um restaurante. A dona do restaurante é Chen Ching Hua (Nora
Miao), que sofre pressão de um sindicato criminoso que quer obriga-la a vender
o restaurante. Assim, ela passa a sofrer ameaças e prejuízo, já que os
criminosos não deixam as pessoas irem comer lá. E Tang Lung veio ajudar a parar
os bandidos e ele sendo especialista em artes marciais consegue expulsar os
criminosos várias vezes, não importando a quantidade que venha. Pressionado, o
chefe do sindicato contrata lutadores estrangeiros, entre eles um europeu e um
japonês. E também chama o campeão americano de Karatê, Colt (Chuck Norris),
para tentar parar Tang Lung, onde a luta brutal entre os dois acontece no
Coliseu de Roma.
Bem simples e recheado de cenas cômicas, O Voo do Dragão conquista seu público
alvo. Falando das cenas engraçadas, tem uma logo no inicio, onde o personagem
de Lee está no aeroporto sem saber de absolutamente nada do idioma italiano, e
quando vai pedir comida em um restaurante local, ele acaba pedindo tudo do
cardápio. Além disso, ele com um jeito estranho de reagir em situações nada
comuns para ele, por exemplo, do nada ele conhece uma meretriz que logo o leva
para seu quarto, e ele sem entender nada do que estava acontecendo, e de
repente a garota aparece nua na sua frente, e ele sai correndo kkk. Essa
meretriz foi interpretada pela bela modelo Malisa Longo, que fora convidada
pelo próprio Bruce Lee a fazer uma ponta em seu filme.
As atuações do filme são fracas, assim como foram nos
dois filmes anteriores de Lee, se salvando apenas a dele. No entanto, aqui Nora
Miao não decepciona, sendo ela uma das atrizes mais famosas de Hong Kong na
década de 70, os demais personagens não se salva nenhum em termos de atuação,
até mesmo Chuck Norris que só fala uma frase no filme, mas tudo bem, não vamos
exigir muito do cara, afinal, essa foi sua primeira participação no cinema,
onde a partir daí rendeu um grande sucesso no mundo cinematográfico, tudo
graças a Bruce Lee que foi o homem que abriu as portas para Norris no cinema. Lembramos
também que em A Fúria do Dragão, Bruce
Lee estreou usando seu famoso Nunchaku, em O
Voo do Dragão ele usa o dobro, ou seja, dois Nunchakus são utilizados pelo
mestre na luta contra os capangas mafiosos, em ótimas cenas de ação misturadas
com boas doses de comédia.
Voltando a falar da luta entre Bruce Lee e Chuck Norris,
que foi a principal atração de O Voo do
Dragão, essa luta não teve espectadores, a não ser um gatinho que assistia
tudo. Foi um combate brutal, onde apenas um sai vivo (já sabemos até quem foi),
agora volto a mencionar que a grandeza dessa cena está claro nas duas lendas
das artes marciais se enfrentando, mas também a coreografia de luta foi tão bem
feita, que nunca havia tido em outro filme do gênero. E conforme todos sabem,
esse estilo de luta passou a ser adotado em filmes posteriores. E de quem é o
mérito das coreografias? Nada mais, nada menos que Bruce Lee, que deu seu
sangue na produção deste filme, e além de ter mostrado novas técnicas que não
foram mostradas antes. Um pulo muito alto para o astro que estava no auge de
sua carreira, uma pena que não durou muito...
O segundo filme de
Bruce Lee conhecido no Brasil como A
Fúria do Dragão foi lançado em 1972 em Hong Kong e dirigido por Lo Wei.
Além de Bruce Lee, o elenco conta com James Tien e Nora Miao, os demais são
basicamente os mesmos atores que participaram do primeiro grande sucesso de
Lee, O Dragão Chinês. E por causa de seu primeiro filme, Bruce já era bastante
conhecido, e que gerou muitas expectativas dos fãs para seu novo filme, e fez
muito sucesso! Em alguns países esse filme é conhecido como Chinese Connection, em português, Conexão Chinesa.
Atenção:
leves spoilers!
A história desse
filme é bem simples e com o tema da vingança. Chen (Bruce Lee) viaja para
Xangai após saber que seu mestre Huo Yuanjia faleceu sob circunstâncias
misteriosas. Desconfiado com as causas da morte, que fora dito que era pneumonia,
Chen acredita que seu mestre foi assassinado. Assim, ele inicia uma
investigação por conta própria. Um filme com belas lutas de um personagem
movido pela raiva. Bruce Lee usa pela primeira vez o famoso nunchaku, dando um verdadeiro show nas
habilidades do kung fu, mas especificamente o seu estilo Jeet Kune Do.
Um problema bastante visível
no filme é a influência japonesa que despreza os chineses. O filme é baseado na
época da década de 20, onde a cidade de Xangai, embora esteja localizado na China,
tinha influência de outros países, entre eles o Japão. É justamente nisso que
Chen suspeita, já que uma escola japonesa rival sempre os provoca, até mesmo
durante o último discurso fúnebre ao mestre chinês falecido. Embora o filme seja
bem melhor que o primeiro, as atuações continuam toscas, se salvando novamente
pelo carisma de Bruce Lee. Fúria do
Dragão aborda acima de tudo, uma rivalidade entre chineses e japoneses,
além de ser o único filme onde Bruce Lee luta com um ódio imenso, muitas das
cenas dão close no seu rosto dominado pela raiva.
O personagem de Bruce
Lee cansado de tanta opressão japonesa chega a ponto de extrapolar as regras do
seu mestre e de sua escola, provocando os rivais para briga. Se bem que em uma
cena, Chen invade a escola japonesa para devolver um quadro que fora dado pelos
rivais, insultando os chineses. O protagonista desafia qualquer lutador da
escola, o que resulta em uma bela sequência de luta entre Chen e todos os
alunos da escola japonesa. Uma cena muito bem filmada, onde em um certo
momento, Bruce Lee puxa seu nunchaku, e
espanca todos os japoneses que estão ali. Ele mostra uma facilidade imensa ao
movimentar a arma de uma mão para outra com muita rapidez. Vale destacar que
nessa cena, um dos lutadores japoneses era Jackie Chan que trabalhava como
dublê.
O filme mostra, entre
outras coisas, uma guerra de escolas. A escola japonesa demonstra orgulho e não
aceita que outra escola seja melhor que a deles, principalmente quando se trata
de uma escola chinesa. Ao descobrirem as habilidades de Chen, que era
considerado o melhor lutador do dojo rival, os japoneses se aliam com a máfia e
também com o consulado japonês para deter Chen, pois este estava descobrindo a
verdadeira causa da morte de seu mestre. E em uma de suas descobertas, Chen
percebeu que havia um tipo de infiltração dos japoneses na escola chinesa, e
ele foi o único a descobrir isso.
Falando sobre o
preconceito contra os chineses, tem uma cena que chega a ser revoltante. Chen tenta entrar em um parque, mas
é impedido pelo porteiro que aponta uma placa onde dizia: “Proibido cachorros e chineses!”. E para complicar, o preconceito dos
japoneses vai ao extremo quando um deles chega para Chen e diz que se ele
imitar um cachorro ele pode entrar no parque. Furioso, Chen surra os
provocadores e ainda quebra a placa com seu famoso chute. Uma cena memorável!
Em contrapartida, o filme peca no desenrolar da história, chega a ser um pouco
cansativo, em especial pelas interpretações amadoras de diversos personagens.
Porém, há um pouco de humor no filme, principalmente quando vemos Bruce Lee
disfarçado de velhinho, fazendo uma investigação e estudo da área onde ele ia
agir para dar o inicio a sua vingança.
É triste saber que
após esse, Bruce Lee só iria fazer mais dois filmes, além de outro que ficou
inacabado. E mesmo seus filmes não seja grande coisa comparado com os de hoje,
leve em conta a sua época, também na questão de qualidade técnica ou a falta de
boas atuações, mesmo com todos os defeitos, o astro conquistou o mundo em pouco
tempo, e se tornaria um ícone das artes marciais, o principal responsável pela
popularização do gênero no Ocidente, abrindo as portas de Hollywood para
estrelas orientais, entre eles Jackie Chan e Jet Li.