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domingo, 15 de outubro de 2023

CORPO EM EVIDÊNCIA

Corpo em Evidência, título original Body of Evidence, é um suspense erótico lançado em 1993. Dirigido por Uli Edel e estrelado por Madonna, Willem Dafoe, Frank Langella e Joanne Braslow. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

A CRIADA


Sabe aqueles filmes em que você assiste e acha que sabe o que se passa na história, mas no fim de tudo acaba se surpreendendo com revelações inesperadas e imprevisíveis? Existem muitos filmes assim, porém, o sul coreano A Criada tem uma diferença que o torna muito especial. A trama é tão bem desenvolvida e separada em três segmentos, onde em cada um deles, mas especificamente nos dois primeiros onde podemos atribuir a seguinte situação para o espectador: “você acha que sabe o que tá acontecendo, contudo, você não sabe é de nada.” A Criada triunfa magistralmente nesse sentido de pegar aqueles que assistem de surpresa, e isso o torna uma produção magnífica, tanto bela excelente história, atuações e estrutura narrativa impecável. Dirigido pelo cineasta Park Chan-wook (mesmo diretor de Oldboy), A Criada é um drama erótico lançado em 2016. Protagonizado por Kim Min-hee, Kim Tae-ri, Ha Jung-woo e Moon So-ri. O filme é baseado no romance galês Fingersmith de Sarah Waters.

A Criada se baseia nos anos 30, durante a ocupação japonesa na província da Coreia (na época em que não era dividida entre sul e norte), onde a jovem Sookee (Kim Tae-ri) é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko (Kim Min-hee), que leva uma vida isolada e infeliz ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo ocorre bem de acordo com o plano, porém, Sookee começa aos poucos compreender as motivações de Hideko, e é nessa linha narrativa que o filme caminha durante seu primeiro segmento, e quando chegar ao clímax, revelações surpreendentes vêm à tona.


A Criada é um filme que não brinca com a nossa inteligência e muito menos abusa dela. Pois o modo como Park Chan-wook conduz o filme com talento e sensibilidade, nos dar motivos para compreender cada ponto, e é também nisso que vemos sua singularidade em mostrar a importância de cada cena, cada fala e expressão facial dos personagens. Alguns podem se sentir confusos ao término do primeiro segmento, mas o segundo irá mostrar quase que a mesma situação de antes, porém, com outro ponto de vista e encaixando várias peças que foram deixadas em aberto. E ainda assim, o término do segundo segmento é também surpreendente. Mais uma vez encaixando a situação para quem assiste: “você acha que sabe o que tá acontecendo, contudo, você não sabe é de nada.”

Nessa linha narrativa que predomina o filme todo, sinceramente é impossível dizer que o filme é ruim. Pelo amor do que você acredita, sei inclusive que gosto não se discute, mas dizer que A Criada é um filme ruim, é uma coisa que sinceramente, não dar pra entender, a menos que a pessoa tenha assistido da forma errada. Como dito no inicio desse texto, o triunfo do filme é surpreender, sem abusar da lógica e da capacidade mental que temos de raciocinar as situações. Entendo que na primeira parte podemos ficar confusos, eu fiquei também, no entanto, o restante do filme complementa tudo e não deixa nada, absolutamente nada em aberto. Na primeira vez que o vi, ao terminar me deu vontade de se levantar de onde eu estava sentado e aplaudir. Mas, eu estava sozinho em casa quando assisti. Então me contive em respeito a isso, mas ao mesmo tempo fiquei maravilhado de poder ter visto uma obra-prima gigantesca e para minha maior satisfação, se tratava de uma produção coreana.


O conteúdo do filme é bem misto. Sua narrativa é uma mistura entre abuso autoritário, inclusão de crianças em conteúdos obscenos, lesbianismo, nudez explícita, romance, golpe do baú, torturas, cárcere privado, entre outros fatores que levam o filme ao topo, por abordar cada ponto com precisão e na dosagem certa. Entendemos que no primeiro segmento narrado e visto de acordo com o ponto de visão da criada Sookee, que planejara aplicar um golpe na garota Hideko com a ajuda de um vigarista que finge ser um conde importante. Porém, ao notar a inocência de sua patroa, Sookee vai desenvolvendo afeição por ela, o que mais tarde resulta em um romance entre as duas, e isso acaba por gerar possíveis mudanças em relação ao plano original de roubar a herança da jovem. Mas, como já dito, o final dessa primeira parte foi surpreendente, porém, não irei entrar nos detalhes sobre isso, pois não quero soltar spoilers.

No segundo ato, entendemos a vida de Hideko desde criança, onde na época de sua inocência, ela era obrigada a ler contos pornográficos ao seu tio e outros homens pervertidos que ouviam com prazer e lascívia. E para piorar cada vez mais a vida da jovem, ela sofre maus tratos, principalmente após sua tia se suicidar. Depois que ela cresce, a narrativa vista no primeiro ato ganha espaço novamente só que do ponto de vista da Hikedo, que inclusive narra algumas situações já vistas e também as novas que irão ser uma espécie de complemento daquilo que não entendemos com precisão no primeiro ato, e mais uma vez, o ato termina com um final que nos surpreende. E o terceiro e último ato nos leva a conclusão de tudo que fora visto, desde os absurdos no que diz respeito às atitudes obscenas e egoístas da parte daqueles que fizeram com que a vida de Sookee e Hideko não fizesse nenhum sentido, e como as duas se apaixonam, elas lutam pelo amor que nutrem uma pela outra, e devo afirmar que a conclusão foi mais do que plausível, foi espetacular.


Entretanto, há a necessidade de chamar atenção para as cenas de nudez. Primeiro, é justo elogiar o desempenho das atrizes que conseguiram fazer cenas bem realistas de sexo lésbico, pois compreendemos que tais cenas são difíceis de fazer, inclusive vi entrevistas de alguns atores que tiveram de ficar nus em algumas cenas em que trabalham, e muitos deles afirmaram com grande convicção que simular momentos em que os personagens fazem sexo é muito difícil de fazer, primeiro por que é constrangedor, óbvio, e segundo manter a concentração diante de câmeras e luzes, não é pra qualquer um, nem mesmo atores do ramo pornô dizem que é algo fácil. Portanto, em A Criada tais cenas foram bem trabalhadas e mostraram uma sensualidade incrível.

A segunda coisa a se considerar a respeito disso é que, tais cenas não foram exagero, conforme as menções de alguns críticos, pois a história do filme baseada no livro da autora Sarah Waters, exigia isso, ou vão querer agora contrariar a história original? Além do mais, quando alguém vai assistir ao filme, a pessoa deve ter em mente que se trata de um drama erótico, essas cenas são necessárias e tem uma correlação para tudo no filme. Por isso não reclame se ao longo da projeção, você se deparar com cenas de sexo, ainda mais lésbico. Eu não liguei pra esse detalhe, e em minha opinião, isso não compromete a qualidade e ousadia pela qual o filme caminha durante mais de duas horas de duração.


Como fã do cinema sul coreano, eu procuro entender principalmente a essência de cada produção, e que a respeito disso o gênero em questão faz uma diferença enorme. O drama, por exemplo, é o gênero de filme que mais me encanta. E se uma produção cinematográfica consegue demonstrar atributos como qualidade, simplicidade, emoção e uma trama singular gerada a partir de uma narrativa que não perde ritmo e nem deixa pontas soltas, independente se vai terminar com um final feliz ou triste, eu já saio satisfeito no final. E o filme A Criada se encaixa nisso perfeitamente, e eu jamais irei dizer que me arrependo de ter visto, ao contrário, eu digo com todas as letras que é uma obra-prima, maravilhosamente bem feita e imprevisível e por isso cheia de surpresas.

Se você ainda não viu A Criada, mas pretende conferir o quanto antes, recomendo que esteja ciente de sua proposta e abra a mente para cada situação que ali irá retratar. Não seja preconceituoso e intolerante, mergulhe na trama e sinta cada emoção e pancada que as reviravoltas irão aplicar contra você, mas ao término do filme, provavelmente você irá sair com uma mente mais aberta e madura. Eu me senti assim, e espero que você aprenda o mesmo, pois na vida existem o que é absurdo e o que é tolerável, o que afeta a vida de alguém e o que não afeta, e com isso você consegue diferenciar cada um destes aspectos, colocando-os no devido lugar. 

NOTA: 10/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

INSTINTO SELVAGEM


Um dos suspenses mais provocativos do cinema está entre aqueles que fizeram sucesso na década de 90, e mesmo hoje, 25 anos depois ele continua atual e surpreende o espectador com uma trama pra lá de intrigante. Instinto Selvagem, título original Basic Instinct foi dirigido por Paul Verhoeven é um suspense erótico lançado em 1992. Estrelado por Sharon Stone e Michael Douglas, esse é o filme que fez da atriz Sharon Stone um ícone sexual, lembrado e venerado por muitos fãs.

Atenção: pode conter alguns spoilers!

Sinopse: Ao investigar um assassinato, o detetive Nick Curran (Michael Douglas) se vê diante de um mistério: a principal suspeita é a namorada da vítima. Catherine Tramell (Sharon Stone) é uma escritora de sucesso, e descreveu em seu último livro uma cena exatamente igual à do crime. A situação se complica porque Nick se vê envolvido com a insinuante escritora, numa trama de intrigas e sexo, que pode acabar com a sua carreira ou até mesmo com a sua vida.


Instinto Selvagem é um filme ousado e com cenas de arrepiar. Logo na primeira cena, nos confrontamos com uma cena de sexo muito excitante, mas, durante o clímax da relação sexual, a mulher pega um picador de gelo e mata o parceiro a punhaladas. Nessa cena, o diretor foca na cara da vítima quando é atacada, mostrando o realismo da cena que foi extremamente violenta. Também as cenas de sexo tem esse diferencial, sendo explícito e com a intenção de provocar o espectador. Esse crime ocorrido é o que levará a narrativa do filme, onde uma investigação policial tenta desvendar esse mistério e encontrar a assassina.

É nesse contexto que o já mencionado Nick Curran se torna encarregado de investigar, e a principal suspeita do crime é a namorada da vítima, óbvio. O problema é que essa mulher não é uma mulher comum. Quando ela é interrogada pelos policiais, ela mostra frieza e sensualidade, causando desconforto nos oficiais, além disso, é ela quem os interroga. Muito inteligente e calculista Catherine Tramell joga muitos enigmas sobre o crime ocorrido. O fator importante nisso é que ela como escritora, havia descrevido a cena do crime em uma de suas obras, o que levanta suspeita, mas ao mesmo tempo a inocenta. E é nessa cena do interrogatório que acontece a famosa cruzada de pernas da atriz Sharon Stone, o intuito disso é distrair mais ainda os policiais, em especial Nick Curran, que fica fascinado com a misteriosa mulher.


Mas o que gerou polêmica a respeito dessa cena, é que Stone não estava usando calcinha. A cena é tão famosa que até hoje ela da o que falar, sendo considerada a “cruzada de pernas mais sexy já vista”. Com a beleza, ousadia e inteligência de Tramell, Nick Curran acaba se envolvendo com ela, mesmo que isso signifique perigo para ele. Vale mencionar que os personagens do filme não sabe nada a respeito do caráter de Tramell, mas o espectador já sabe desde o inicio que ela não é apenas uma mulher bonita e frágil.

O suspense do filme ganha seu ápice quando Catherine joga o quebra-cabeça contra outra pessoa próxima a Nick, fazendo dela a principal suspeita pelo crime do inicio, e quando ocorrem novas vítimas, Nick Curran deveria largar Tramell de uma vez, mas ele havia ficado tão apaixonado que não conseguia mais voltar. Recheado de momentos tensos e alucinantes, o filme ainda provoca o espectador na cena em que Tramell e Nick estão transando e ela o amarra na cama e ainda chega a pegar o picador de gelo, nos lembrando do assassinato que tinha ocorrido, essa cena mostra realmente quem é o assassino que a polícia queria saber, e olha que um desses policiais estava bem ali. Mas a personalidade de Nick havia mudado radicalmente com a sedução de Catherine. Ele era como um macho alfa que domina a fêmea, tal como ocorre em uma cena de sexo entre Nick e Beth, uma ex-namorada. Mas com Catherine, Nick é completamente dominado pela loira, que faz do sexo a sua melhor arma, tanto para escapar quanto para mudar as cartas do jogo, dessa forma, sem perceber Nick Curran vira um cão obediente aos comandos de sua dona. Sinistro gente! Fica impossível não gostar dessa trama.


Instinto Selvagem é um ótimo suspense, seu foco não está nas cenas de sexo ou mesmo na investigação, e sim no clima tenso e arrepiante! A química dos personagens combina muito e as situações são extremas o suficiente para nos deixar com um nó na garganta. Também é justo elogiar as cenas de sexo, sendo muito bem feitas e excitantes, o diretor ainda opta por mostrar o corpo de Sharon Stone, que esbanja muita sensualidade que cativa qualquer homem, além de ser muito linda, ela não tem papas na língua e fala o que vem na cabeça, mas tudo sendo habilmente planejado de acordo com a situação em que ela se encontra.

No entanto, Instinto Selvagem teve uma sequência que foi lançado em 2006, porém, ao contrário deste, o segundo filme decepcionou muito, sendo fraco e leve demais. Por isso, eu não recomendaria, mas se tratando deste primeiro, pra quem aprecia um bom suspense não pode deixar de conferir. Instinto Selvagem é um clássico dos anos 90, que além de obter muito sucesso, foi esse filme que lançou Sharon Stone para a fama internacional, mesmo quando ela já havia trabalhado em outros filmes famosos como O Vingador do Futuro e As Minas do Rei Salomão, mas estes não tiveram tanto impacto quanto o suspense erótico de Paul Verhoeven. 

NOTA: 7,8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: