terça-feira, 22 de maio de 2018

No Fim do Túnel

No Fim do Túnel é uma coprodução da Argentina com a Espanha dirigida por Rodrigo Grande lançado em 2016. Protagonizado por Leonardo Sbaraglia e Clara Lago, esse filme é um suspense autêntico e claustrofóbico que possui uma trama extremamente interessante dividida em camadas, das quais nos prende na história e nos leva a um desfecho impactante.

Sinopse: Joaquín (Leonardo Sbaraglia) é cadeirante e cansou de viver solitário em sua velha e escura casa. Por isso, decidiu alugar um de seus quartos para a stripper Berta (Clara Lago) e sua filha, Betty (Uma Salduende). A presença das duas alegra a casa e a vida de Joaquín. Mas o que ele não imagina é que, malandramente, tudo não passa de uma estratégia da moça e de seu namorado, o criminoso Galereto (Pablo Echarri), para criar um túnel por baixo da casa e roubar um banco da região.

Os elementos base dessa história são clichês, alguns até mesmo nos fazem lembrar grandes obras de cineastas consagrados, como Alfred Hitchcock e Quentin Tarantino. Mas, o bom e acerto do diretor Rodrigo Grande, que também assina o roteiro, é fugir de clichês gritantes e nos mostrar um suspense que mesmo sendo óbvio, é capaz de nos surpreender. Sim, a trama de No Fim do Túnel praticamente entrega toda a história em sua sinopse, e dentro desse contexto é que a narrativa triunfa.


O personagem Joaquín nos conduz juntamente com ele para uma espécie de investigação clandestina sobre um assalto, e que esse golpe se passava bem embaixo dele. E como se não bastasse, a garota a quem ele alugou um quarto é a namorada do bandido, que propositalmente está em sua casa para distraí-lo. A trama caminha em um clima tenso e claustrofóbico, que na maior parte do tempo se passa dentro da casa de Joaquín. E há algumas revelações impressionantes sobre o elenco, o que de certa forma irá se desenvolver junto com a proposta principal em relação ao roubo.

E por falar em coisas que surpreendem, nesse filme não há plot twist daqueles que são capazes de deixar a pessoa boquiaberta, longe disso, a trama aposta mais na tensão. O espectador fica mergulhado na trama, ansioso para saber como tudo vai acabar, se vai dar alguma coisa errada, quem vai morrer ou quem vai preso. Nesse sentido, o suspense do filme é diferenciado, embora em algumas partes possa parecer arrastado, é bom saber que todos os elementos e situações retratadas não são para encher espaço, pois cada aspecto terá uma importância, cada camada é preenchida. Pra mim, isso valeu muito a pena!

O elenco é formidável! Começando pelo protagonista Leonardo Sbaraglia que faz uma brilhante atuação como um cadeirante aparentemente inofensivo, esse ator inclusive fez parte no elenco do impecável Relatos Selvagens. Ele consegue mostrar uma pessoa que mesmo sendo deficiente, pode ser esperta o bastante para improvisar qualquer coisa que ele tenha feito ou viu alguém fazer. A personagem de Clara Lago tem algumas limitações, ela por ser uma stripper, envolvida com um criminoso, mas sem nenhum consentimento que este tem em relação a sua filha, que não fala já há um bom tempo.


A atriz rouba a cena nos momentos que ela está dançando, esbanjando sua sensualidade e beleza, é óbvio que para nós homens, ela foi de certo modo o centro das atenções, mas eu ainda gosto mais dela no filme O Quarto Secreto. No entanto, a atriz mirim que interpreta sua filha é quem me cativou em especial, não estou falando do mesmo modo que Lago, claro que não, mas sim da atuação da garota que passa a maior parte do filme sem abrir o bico, e seu temperamento, visivelmente perturbado é o que me tem chamado atenção. As atitudes dela para com o cachorro de Joaquín revela algum sentimento oculto que ela esconde até mesmo de sua mãe. E isso acaba fazendo com que um dos bandidos vire um mocinho.

Mas, não vou falar mais detalhes do filme por que pode estragar a surpresa de quem ainda não viu, só sei que No Fim do Túnel é uma produção longe dos padrões de Hollywood, e como suspense, ele não deixa a desejar nem um pouco. Como eu já falei aqui no blog, o cinema argentino está de parabéns por fazer um ótimo trabalho que merece e deve ter o devido reconhecimento do público geral, não só na América Latina, mas no restante do planeta!

Veja o trailer no vídeo abaixo:

domingo, 20 de maio de 2018

Falcão - O Campeão dos Campeões

A maioria dos filmes famosos de Sylvester Stallone se encontra na década de 80, entre eles conhecemos as sagas Rambo e Rocky, também filmes solos como Stallone Cobra e Condenação Brutal. Mas, um deles tem um tema diferente e que chama a nossa atenção, Falcão - O Campeão dos Campeões. Stallone foi um dos roteiristas desse filme lançado em 1987 e dirigido por Menahem Golan.

Mas, que tema importante é abordado em Falcão - O Campeão dos Campeões? Alienação parental, mas especificamente entre um pai e filho. Esse tom dramático do filme é o que tem deixado seu marco ao longo dos anos, além de abordar uma competição de quebra de braço, e por se passar boa parte do tempo em uma estrada. Não é atoa que esse filme se tornou um clássico da Sessão da Tarde, e é até hoje lembrada pelos fãs.

O filme conta sobre um motorista de caminhão tem uma atividade paralela lucrativa na luta de braço e leva o seu filho de 12 anos junto na estrada após a mãe do menino ficar gravemente doente. O caminhoneiro começa a se aproximar do menino quando vão para Las Vegas no maior campeonato de luta de braço do mundo, mas o rico e insensível avô do garoto manda seus capangas para acabar com o relacionamento do pai e do filho e manda trazer o menino de volta.


Esse é um filme divertido para todas as idades, o tema familiar que envolve a trama é tão bem amarrado e retrata a situação de muitas pessoas ao redor do mundo. Sylvester Stallone consegue êxito com sua atuação e o filho dele interpretado por David Mendenhall vai aprendendo a viver com seu pai, a quem ele inicialmente achava que não liga para ele. E Falcão descobre que o afastamento do filho é causado pelo avô do garoto, a quem ele nunca teve um relacionamento amigável. E o mais revoltante é que o ex-sogro repudia o pai do garoto por ele ser pobre e um simples caminhoneiro.

O bom desse filme é que ele irá nos mostrar uma jornada de relacionamento pessoal entre pai e filho, em uma estrada. Aos poucos, os dois vão se aproximando um do outro, até que em um determinado momento, eles ficam inseparáveis. No meio disso tudo, Falcão ensina seu filho a dirigir o caminhão, participam juntos de disputas de quebra de braço, entre outras maneiras que faz os dois ficarem tão próximos que nem o avô antagonista do filme irá conseguir quebrar essa proximidade. Mas, quando se tem dinheiro, parece que sempre acha uma saída para afastar os dois.

Além do drama entre pai e filho, o longa ainda nos trás a disputa internacional de quebra de braço, onde Falcão sonha com o prêmio em dinheiro e um caminhão novo. É muito legal poder ver que ele é uma pessoa que mesmo diante do impossível, se mostra capaz de dar a volta por cima para realizar seus objetivos, entre eles conquistar o amor de seu filho.


Falcão – O Campeão dos Campeões é uma trama simples, mas que se mostra bastante profunda em sua mensagem que pode muito bem cativar qualquer pessoa, independente da idade. Além disso, a trilha sonora é marcante, a fotografia é ótima, e há pitadas de humor e algumas cenas de ação que se juntam magistralmente para um melhor desempenho da história. O filme pode não ser uma obra-prima, aliás, é bom lembrar nem todo bom filme deve ser encarado assim, mas se a narrativa explora elementos importantes e que nos cativa de uma forma bem bacana, pode sim se tornar um filme que ficará marcado na mente, por mais simples que pareça.

O triunfo dessa produção é a história em si e como ela se desenvolve. A direção pode ter cometido alguns deslizes, mas os momentos divertidos do filme consegue fazer com que deixemos de lado alguns defeitos.

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A Dama Oculta

Atualmente estou fazendo uma maratona para assistir todos os filmes dirigidos por Alfred Hitchcock, e um dos que assisti recentemente foi o suspense britânico A Dama Oculta, título original The Lady Vanishes, filme que foi lançado em 1938, na época em que Hitchcock não tinha parceria com estúdios americanos. A Dama Oculta é baseado no romance The Wheel Spins, de Ethel Lina White. O elenco principal do filme é composto por Margaret Lockwood, Michael Redgrave e Dame May Whitty. Esse filme me chamou tanta atenção que me motivou a antecipar sua resenha (iria ser escrita em junho), pois seu conteúdo é claustrofóbico e tenso, conduzido pela brilhante direção do mestre do suspense.

Sinopse: Numa estalagem em algum lugar da Europa Central, os passageiros de um trem esperam o desbloqueio dos trilhos após uma forte nevasca. Pessoas de línguas e culturas distintas são obrigadas a conviver naquele espaço. Enquanto aguarda o reembarque para Londres - onde o noivo a aguarda -, a jovem Iris (Margaret Lockwood) conhece a simpática Srta. Froy (Dame May Whitty), uma típica velhinha inglesa. Pouco antes de reembarcar, Iris sofre uma pancada na cabeça e, ao subir no trem, desfalece, sendo atendida pela Srta. Froy, que desaparece logo depois. Iris, ajudada pelo musicólogo Gilbert (Michael Redgrave), tenta descobrir o paradeiro dela. À medida que a dupla investiga o sumiço da Srta. Froy, o caráter dos passageiros torna-se cada vez mais ambíguo e todos acabam revelando ser algo além das aparências.


Não posso começar sem mencionar o fato de que este filme serviu de inspiração para outros, por exemplo, o bom suspense Plano de Voo estrelado por Jodie Foster teve uma trama inspirada em A Dama Oculta, o que por si só nos dar motivos para assistir, pois ficou bem legal. Em A Dama Oculta por ser uma obra pioneira do gênero é brilhante ao retratar a tensão e o mistério em um ambiente pequeno cheio de pessoas com comportamento estranho. A atmosfera claustrofóbica é misturada com o desespero da protagonista ao tentar resolver quase que sozinha o misterioso desaparecimento de uma senhora, e ao mesmo tempo tentar provar que não está louca. A Dama Oculta é um suspense e tanto, garanto isso pra você!

No começo do filme, a premissa principal não se manifesta em nenhum momento, em algumas situações, parecia que iria culminar em um romance, e em outras que poderia gerar uma comédia. Mas, nem um e nem outro ganham destaque ao longo do filme. Esse começo é ambientado no hotel, onde os passageiros do trem precisam passar a noite. Durante esse primeiro ato, não há empolgação nenhuma, exceto em algumas cenas bem humoradas e um pouco de flerte entre a personagem Iris e Gilbert. Apenas serve como um pequeno complemento inicial, para não ter que deixar pontas soltas lá pela metade. Mesmo que alguns considerem o primeiro ato um pouco chato, ele serviu para tornar o filme mais preciso em sua essência.


Quando o filme passa a estabelecer o caso misterioso do desaparecimento da Srta. Froy, tudo muda. Nada será como antes. As pessoas no trem começam a agir estranhamente que fazia parecer que a moça estaria mergulhada em um pesadelo e como ajuda, ela precisará de Gilbert, o músico com quem ela havia se desentendido no hotel. É impossível não elogiar a direção de Hitchcock que faz com que o filme fique tenso demais, mesmo quando não acontece quase nada de impactante, o roteiro aposta exclusivamente no psicológico da personagem. Além disso, durante todo esse processo de busca e esclarecimento, Hitchcock ainda nos presenteia com cenas de humor que de certa forma faz um contraste enorme com o clima tenso do filme. Vale destacar a cena onde Gilbert briga com um suspeito no trem, e Iris não sabe o que faz para ajuda-lo, e ele diz pra ela as seguintes palavras:

“Não fique aí pulando como juiz de boxe. Ajude-me!”

Porém, um dos defeitos em minha opinião foi a falta de explicação a respeito do porquê a Sra. Froy foi raptada, o filme chega a nos dá alguns detalhes que envolvem espionagem e motivos políticos, mas sem se aprofundar demais nesse assunto, e infelizmente acabou deixando certas partes da trama, ao meu ver essenciais, sem maiores explicações. No entanto, a história é muito legal e bem amarrada, e os atores são carismáticos que nos conquistam facilmente! A Dama Oculta é um clássico do suspense, e um dos maiores sucessos de Alfred Hitchcock na era Britânica.


Falando no mestre do suspense, Hitchcock na época desse filme já era um nome conhecido na Inglaterra, e A Dama Oculta foi um dos maiores sucessos do ano de 1938, e foi também uma espécie de levantamento do trabalho do cineasta, que vinha de três filmes não muito bem sucedidos. E aproveitando a ocasião, listarei os filmes do cineasta que assisti até o momento, e como dito, pretendo ver toda a sua filmografia. Nota: haverá atualizações aqui à medida que vou assistindo aos filmes dele: Os Pássaros (1963); Psicose (1960); Um Corpo Que Cai (1958); O Homem Que Sabia Demais (1956); Dique M Para Matar (1954); Janela Indiscreta (1954); A Tortura do Silêncio (1953); Festim Diabólico (1948); Aventure Malgache (1944); Suspeita (1941); Rebecca, A Mulher Inesquecível (1940); A Dama Oculta (1938); Agente Secreto (1936);Os 39 Degraus (1935).

ATENÇÃO! O filme A Dama Oculta se encontra em domínio público de acordo com as leis brasileiras, e por isso é um filme que pode ser assistido sem nenhum problema de direito autoral. E podemos assistir a esse filme pelo YouTube com legendas em português, e o filme completo está disponibilizado no vídeo abaixo para você assistir...

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Jumanji: Bem-Vindo à Selva

Mesmo com muitos filmes na lista, resolvi antecipar o filme Jumanji: Bem-Vindo à Selva, que é a sequência do filme Jumanji de 1995 que comentamos nesse LINK. Esse novo filme é bem recente, chegou às salas de cinema no Brasil no dia 4 de janeiro de 2018, com a direção de Jake Kasdan com Dwayne Johnson, Kevin Hart, Jack Black, Karen Gillan e Nick Jonas nos papéis principais. Esse filme acabou sendo para mim uma diversão e tanta, igualmente ao original. Repleto de situações engraçadas e capazes de deixar os personagens malucos. É diversão garantida!

Sinopse: Quatro adolescentes encontram um videogame cuja ação se passa em uma floresta tropical. Empolgados com o jogo, eles escolhem seus avatares para o desafio, mas um evento inesperado faz com que eles sejam transportados para dentro do universo fictício, transformando-os nos personagens da aventura.


Porém, ao contrário de minhas expectativas, Jumanji: Bem-Vindo à Selva não foi feito para resgatar todos os elementos do primeiro filme, dando assim aquela sensação nostálgica, ao invés disso, o roteiro aposta mais além, buscando elementos dos quais não foram vistos antes, como o principal palco do filme ser na selva, na qual Alan Parrish foi transportado anos atrás. Portanto, a exploração principal do filme é nessa selva gigantesca, onde os jogadores vão parar lá. Mas, é interessante ver que o jogo mudou, evoluindo aos nossos tempos. O que era um jogo de tabuleiro, se tornou aqui um videogame. Essa mudança, no entanto, pode não ter agradado muito os fãs mais velhos, mas eu vi como uma fuga dos clichês, e no resultado final acabou terminando de forma satisfatória.

É importante saber que esse novo filme traz um elenco novo, que não tem relação alguma com o de 1995, exceto em algumas referências. O filme começa mostrando um jovem encontrando o tabuleiro na praia, ainda nos anos 90, sem dúvida após os eventos do primeiro filme. E esse jovem chamado Alex é um fã dos videogames, e em vista disso o jogo evolui para esse estilo, o que motiva o rapaz a usá-lo. E ao fazer isso ele é sugado para dentro. Esse rapaz é dado como desaparecido por vinte anos.

Nos dias atuais, somos apresentados a personagens adolescentes que estudam em uma instituição próxima da casa de Alex, sendo que o foco são quatro deles, dois garotos e duas garotas. Estes acabam sendo castigados por motivos diferentes e em detenção, eles terão que limpar o porão da escola e lá eles encontram o Jumanji, que agora era um vídeo game. Os adolescentes decidem jogar, cada um escolhia um personagem do jogo e ao iniciar, todos são sugados para dentro do Jumanji. Somos apresentados a partir daí a famosa selva nunca mostrada com tamanha precisão antes, só que os jovens acabam dentro dos corpos de seus personagens escolhidos. Essa foi outra coisa legal do filme!


Então, eles percebem que a única maneira de sair dali é finalizar o jogo. Na selva, eles conhecem alguns personagens que são padrões do Jumanji e que serviam de guia, além disso, os animais selvagens se tornam os primeiros adversários. Outra coisa que eu achei bacana, foi o detalhe das tatuagens que representam as vidas dos jogadores, ou seja, se um morre, ele perde um pedaço da tatuagem e retorna caindo do céu. Esses detalhes e outros como a personalidade dos jogadores foram muito bem trabalhados e se tornam motivos maiores para a diversão apresentada no filme. O garoto Alex acaba sendo encontrado pela turma, e ele se junta a eles para finalmente encontrar sua saída após vinte anos preso no jogo.

Jumanji: Bem-Vindo à Selva é um ótimo filme de aventura, mas não é algo excepcional, é um passatempo saudável e divertido e se juntarmos o carisma do elenco principal e a forma como o filme caminha dentro dessa grande aventura é o que faz valer a pena dedicar tempo assistindo. Sem falar na fotografia maravilhosa que o filme teve e os efeitos especiais. Pra quem é fã do clássico, deve ter gostado desse aqui. É claro que se pessoa esperasse o mesmo estilo de jogo, pode ter ficado frustrado, mas no fim das contas o que vale mesmo é a diversão!

Veja o trailer no vídeo abaixo:

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Ponto de Vista

Ponto de Vista, título original Vantage Point é um filme de ação e suspense lançado em 2008, dirigido por Pete Travis. Esse é um dos filmes que costumo defender, mesmo com uma boa parte do público que o critica por que seu conteúdo é clichê e repetitivo demais. Então, para dar apenas uma opinião rápida e direta em respeito a isso é que os clichês pouco importam para a maneira em que a trama caminha, e a questão de repetir o mesmo acontecimento várias vezes é por que seu roteiro exige isso, somente dessa forma é que iria desenrolar melhor toda a história. Nesse texto, tentarei enfatizar essa questão.

Sinopse: O presidente dos Estados Unidos, Ashton (William Hurt), participará de uma conferência mundial sobre o combate ao terrorismo em Salamanca, na Espanha. Thomas Barnes (Dennis Quaid) e Kent Taylor (Matthew Fox) são os agentes do Serviço Secreto designados para protegê-lo durante o evento. Entretanto logo em sua chegada o presidente é baleado, o que gera um grande tumulto. Na multidão que assiste ao atentado está Howard Lewis (Forest Whitaker), um turista americano que estava gravando tudo para mostrar aos filhos quando retornasse para casa. A partir da perspectiva de diversos presentes no local antes e depois do atentado é que se pode chegar à verdade sobre o ocorrido.


O filme começa com uma multidão que estava à espera do presidente dos Estados Unidos que iria para a Espanha participar de uma conferência anti-terrorismo. Nessa primeira parte o foco é uma equipe de jornalistas que estava no local e que filmavam tudo e sendo observados a partir da cabine da emissora, assim que o presidente sobe na tribuna ele é atingido por um tiro e depois disso acontece duas explosões, uma nas imediações do local e a outra no palco onde estava o presidente. O filme volta minutos antes, mostrando o mesmo acontecimento, só que ao invés dos jornalistas, o foco passa a ser o agente Thomas Barnes, depois um policial espanhol, depois um turista americano e assim por diante.

É assim que o filme se segue, a cada ponto de vista, informações cruciais sobre o atentado vão sendo expostas e vai desenvolvendo cada peça que não foi observada antes. Vale destacar que a cada ponto de vista, o tempo da mesma vai aumentando à medida que a confusão vai ficando sem controle. Personagens que não se conhecem, se esbarram várias vezes, até que chega o clímax que resolve toda a situação. Recheado de cenas de ação eletrizantes, Ponto de Vista é um filme diferente, e por isso muitas vezes pode não ser bem visto por algumas pessoas, nisso eu até compreendo. No entanto, em respeito às inúmeras repetições do atentado, vale enfatizar que há reviravoltas surpreendentes a respeito de quem está envolvido com terroristas, e esse aspecto é eficaz para não fazer o filme ficar cansativo, e sim mais interessante.


Muitos podem não concordar comigo, mas eu não acho que o ator Dennis Quaid seja o protagonista do longa. Em minha opinião, o protagonismo não é ninguém, mas a história do atentado em si, pois tudo gira em torno dela. Vale lembrar que há personagens que aparecem muito pouco, como os jornalistas e outros que aparecem bastante, como o personagem de Quaid e o turista americano. Respeito a opinião de quem não gostou, e alguns alegam que nesse filme há aquele chato patriotismo americano, onde tende a mostrar a nação americana como superior as demais. Não gosto de discutir esses temas políticos, até por que eu repudio esse assunto, mas em relação ao filme, vejo que é preciso entender o contexto da história, pois no inicio é feito uma alusão ao ataque das torres gêmeas, então é natural que envolva mais uma vez, o clichezão de atentado ao presidente norte-americano.

Mas o filme Ponto de Vista triunfa no desenvolvimento. Podem reclamar de clichês, mas a narrativa do filme é impecável e não deixa pontas soltas. Os eventos reeditados a partir de perspectivas diferentes e no fim das contas revela o que realmente aconteceu ali, é uma narrativa que prende a atenção, mesmo com as mesmas cenas se repetindo, mas trazendo consigo algumas diferenças incluídas que servem para dar um entendimento maior na história, é isso que faz desse filme uma grande façanha, claro que não é uma obra-prima, mas é um ótimo filme! E particularmente, não me decepcionou.

Veja o trailer no vídeo abaixo: 

sábado, 12 de maio de 2018

Amizade Desfeita

Amizade Desfeita, título original Unfriended é um filme de terror sobrenatural lançado em 2014. Dirigido por Levan Gabriadze, esse filme é mais um daqueles em que sua totalidade se passa na tela de um computador, inclusive já falamos aqui no blog sobre um filme desse tipo, Perseguição Virtual. E assim como esse, Amizade Desfeita é um filme repleto de tensão e que mesmos com suas falhas, consegue atribuir aspectos dignos para filmes do gênero, como por exemplo, conter um tema chocante e perturbador.

Sinopse: Blaire, Mitch, Jess, Adam, Ken e Val estão em uma sala de bate-papo quando são surpreendidos pela chegada de um usuário conhecido apenas como "Billie227". Achando que se trata somente de um problema técnico, os amigos continuam conversando, até que Blaire começa a receber mensagens de alguém que se diz ser Laura Barns, uma colega de classe que se suicidou há um ano. Enquanto Blaire tenta descobrir a identidade de Billie, seus amigos são forçados a confrontar seus segredos mais obscuros.


A história começa mostrando o suicídio da personagem Laura Barns e também o vídeo constrangedor que fez com que ela cometesse tal ato trágico. A nossa visão partirá do computador de Blaire, que após assistir a esses vídeos que inclusive já se passava um ano do ocorrido, ela começa a conversar com seu namorado Mitch e não dura muito até que seus outros amigos entrem na conversa online. O início pode parecer bobo, mas faz parte, pois não seria legal começar logo onde o caldo irá engrossar. Mas, a história começa a ficar interessante quando uma pessoa misteriosa entra na conversa, sem foto, sem vídeo, apenas com a identificação “Billie227”. Os jovens começam a achar que se trata de algum conhecido deles querendo se enturmar ou um hacker com a intenção de pegar informações pessoais.

A tensão passa a ganhar espaço a partir do momento em que o ser misterioso diz ser Laura Barns, pois está utilizando a conta de todas as redes sociais da jovem. Os outros suspeitam ser alguém que teve acesso à conta dela, mas quando a suposta Laura começa a revelar segredos íntimos da cada jovem ali presente, o desespero começa. Ainda por cima, a intenção do invasor é querer saber quem foi que postou o vídeo constrangedor na internet. E para conseguir as informações que precisa, Laura passa a fazer jogos macabros que culmina em consequências trágicas. Esses jogos fazem com cada um dos jovens revelem sua verdadeira face, brigas e desentendimentos entre adolescentes são o que não falta nesse filme.

Pode parecer cansativo o modo como a narrativa caminha, mas é muito legal poder ver que a direção opta por situações realistas durante a projeção. Por exemplo, como vemos tudo acontecer através do computador de Blaire, ela está a todo o momento conversando com o perfil de Laura, e durante as conversas, em muitas delas Blaire digita algo e depois apaga, mostrando claramente o que a personagem está pensando antes de enviar a mensagem. E mesmo com algumas situações clichês, o filme não deixa a desejar quando se trata de deixar o espectador tenso e preso à tela para saber o que vai acontecer logo em seguida.


Alguns criticaram a falta de impacto que as mortes no filme tiveram. Como é evidente, a intenção não é impressionar o público em respeito às mortes arrasadoras que acontecem. E pelo que entendi, a intenção do diretor foi mostrar os efeitos psicológicos pelos quais os jovens se veem inseridos diante de uma ameaça pela internet. Porém, me incomodei um pouco com a falta de explicação a respeito de Laura, e sobre os jovens que sozinhos tentam confrontar essa situação, parece que seus pais ou não se encontravam em casa, ou os adolescentes moravam sozinhos. Por que ninguém mais aparece, exceto um grupo de policiais na casa de um deles após um suicídio, e isso acontece bem no começo.

Eu sei que há pessoas que não se agradam desse estilo de filme, mas é inegável que sua narrativa foi bem conduzida em meio aos clichês do gênero. O modo como as situações vão ficando cada vez pior para os personagens é o que faz com que os fãs do terror apreciem obras do tipo. Mas tenhamos em mente que a intenção do filme não é impressionar com cenas fortes e perturbadoras, ficou claro que o filme vai além dessa concepção. Resumindo, é um bom filme, tenso e angustiante e que vale a pena dar uma conferida.

Veja o trailer no vídeo abaixo: