Dirigido por Tom Hooper, Cats tentou transformar em evento cinematográfico o famoso musical da Broadway de Andrew Lloyd Webber. O problema é que, no caminho das luzes do palco para a tela grande, algo deu muito errado. O que deveria ser mágico, excêntrico e encantador acabou se tornando uma experiência visual desconfortável e, em muitos momentos, involuntariamente cômica.
O uso da tecnologia digital para transformar atores em “felinos humanoides” gerou um dos efeitos visuais mais estranhos do cinema recente. A ausência de proporção consistente, a textura artificial dos corpos e a expressão facial parcialmente humana criam um efeito perturbador — não é realista o suficiente para convencer, nem estilizado o bastante para funcionar como fantasia. O chamado “vale da estranheza” domina quase todas as cenas.
A narrativa do filme é extremamente torturante! A história é fragmentada, pouco envolvente e depende quase exclusivamente da apresentação de números musicais. Para quem não está familiarizado com o musical original, a experiência pode parecer desconexa e até confusa. Mesmo com um elenco estrelado, o brilho individual não consegue salvar o conjunto.
Se você busca uma adaptação musical grandiosa, há opções muito mais competentes. Cats (2019) é um exemplo curioso de como grandes nomes, alto orçamento e ambição estética não garantem um bom resultado.


Nenhum comentário:
Postar um comentário