quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

ALIEN 3


Alien 3
é, talvez, o capítulo mais controverso da franquia iniciada por Alien, o Oitavo Passageiro. Dirigido por David Fincher em sua estreia no cinema, o filme rompe de maneira brusca com as expectativas criadas por Alliens, o Resgate, optando por um tom mais sombrio, niilista e existencial. Essa escolha estética e narrativa explica tanto a rejeição inicial quanto a reavaliação crítica que a obra vem recebendo ao longo dos anos.

A decisão de eliminar, logo no início, personagens queridos do filme anterior estabelece o eixo central da proposta: aqui, não há heroísmo triunfante, apenas sobrevivência precária. Ellen Ripley surge esgotada, isolada e emocionalmente devastada. O cenário da colônia penal Fiorina 161 — um mundo árido, masculino e quase medieval — reforça a sensação de abandono e fatalismo que atravessa todo o filme. 

Alien 3 aposta em uma fotografia opressiva, com corredores estreitos, iluminação sombria e uma paleta de cores dessaturada. A criatura, agora mais ágil e animalizada, intensifica a ideia de caça incessante. Ainda que os efeitos especiais digitais tenham envelhecido de forma irregular, a atmosfera claustrofóbica continua eficaz, sobretudo graças ao uso inteligente do espaço e do som.

No plano temático, o filme aprofunda discussões que estavam apenas sugeridas nos anteriores: culpa, fé, redenção e o sentido do sacrifício. Os prisioneiros, convertidos em uma espécie de seita religiosa, veem o alienígena quase como um instrumento divino de punição. Ripley, por sua vez, carrega em si o próprio mal que combate, o que desloca a narrativa do simples embate “humano versus monstro” para um conflito interno profundamente trágico.

A atuação de Sigourney Weaver é um dos grandes trunfos do filme. Sua Ripley é menos guerreira e mais humana, marcada pelo cansaço e pela consciência de um destino inevitável. O desfecho, frequentemente criticado por sua dureza, revela-se coerente com a proposta: não há vitória fácil, apenas a escolha ética diante do fim.

Entretanto, Alien 3 sofre com problemas estruturais evidentes. O roteiro fragmentado, resultado de interferências do estúdio e mudanças constantes durante a produção, compromete o desenvolvimento de personagens secundários e gera uma narrativa por vezes irregular. Essas falhas impedem que o filme alcance a mesma precisão dramática dos dois primeiros capítulos.

Ainda assim, revisitado com distanciamento, Alien 3 se impõe como uma obra corajosa e autoral dentro de uma franquia marcada por reinvenções. Longe de ser apenas “o filme que deu errado”, ele se destaca como um estudo sombrio sobre perda e resignação. Incômodo, pessimista e profundamente humano, o longa encerra a jornada de Ripley não com espetáculo, mas com sentido — e é justamente isso que o torna, para muitos, um capítulo injustamente subestimado da saga. 

NOTA 7/10

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