quarta-feira, 10 de abril de 2019

A GANHA-PÃO


De uma coprodução do Canadá, Irlanda e Luxemburgo, nasceu um filme de animação deveras bastante emocionante e com uma mensagem profunda sobre as crianças que tentam ajudar a família em épocas difíceis, além de abordagens apontando a intolerância contra as mulheres. A Ganha-Pão, título original The Breadwinner foi dirigido por Nora Twomey e lançado em 2017. Concorreu ao Oscar 2018 na categoria Melhor Animação. 


Sinopse: Parvana (Saara Chaudry) é uma jovem que vive em um Afeganistão governado pelas forças do Talibã. Quando seu pai é preso de maneira injusta, ela precisa se disfarçar como um menino para trabalhar e garantir o sustento de sua família.

Esse filme mexeu muito comigo, contém muitas lições importantes, mas a que mais me chamou à atenção foi à falta de consideração pelas mulheres, de modo que o filme me fez refletir o quanto devemos dar valor a essas guerreiras e companheiras do dia-a-dia. Imagine o seguinte: você vive em um país autoritário e extremista, com regras religiosas cruéis e bizarras, um país devastado pela guerra, um lugar onde você não consegue suprimir suas necessidades básicas por falta de dinheiro, e como se isso não fosse bastante o suficiente para considerar sua vida a pior possível, você é uma mulher. De modo que você não tem direito sequer de andar livremente na rua, a não ser quando estiver toda coberta, e ainda acompanhada de homens. Imagine como é a vida das mulheres em um país como o Afeganistão? É algo que nos fazem pensar, mesmo a nós, homens.


A Ganha-Pão é um filme bastante eficiente, no que se refere a mostrar tamanha intolerância, mesmo se tratando de crianças desesperadas para sobreviver. É um filme com uma pegada muito forte, da qual você chora e se revolta. Porém, ao mesmo tempo você se emociona com tamanha história de superação e amor pela família! Diante de tais fatores, essa produção merece e muito ser vista por todo aquele que ama o cinema. Além disso, é uma animação belíssima e não fica atrás das produções da Disney, Pixar e nem dos Studios Ghibli.

É interessante perceber a forma como a protagonista lida com as dificuldades, no qual ela busca apoio em narrativas sobre os antepassados do povo dela. Entre muitas das lendas, uma dizia que Deus amava as mulheres, ao contrário do que se via no mundo real em que a jovem criança se encontrava, onde se acreditava que as mulheres não tinham utilidade alguma, a não ser conceber seus descendentes. Fora isso, mesmo quando não tiver nenhum homem por perto, nada se poderia fazer para ajudar. Gente do céu, isso é revoltante! Porém, o filme não vai simplesmente mergulhar em uma panela cheia de atitudes e crenças malditas que não pensam no ser humano que mais sofre na vida, devido às muitas barreiras que enfrentam, há, entretanto, o lado bom e motivador que torna o filme mais completo em sua essência.


De coração, eu quero muito que vocês assistam essa obra magnífica! Ela ensina entre muitas coisas a importância do ser humano, não importa o gênero. No caso em especial das mulheres, essas sim são verdadeiras guerreiras! Posso tomar como exemplo as nossas mães, todo mundo tem uma mãe. Eu pergunto a você: quem em sã consciência se negaria ajudar a mulher extraordinária que sofreu dores inimagináveis para nos dar a luz? Quem em sã consciência desejaria o mal para a mulher que nos criou, nos amou e nos protegeu durante boa parte de nossa vida? Outro exemplo a se aplicar é sobre quem é casado, pergunto a você: quem é o idiota que tranca a mulher dentro de casa não permitindo que esta trabalhe, sendo que na maioria das vezes o que ela quer é ajudar o esposo nas coisas da casa diminuindo assim o fardo pesado que ele carrega desde que casou e assumiu uma família? Por que ser tão infeliz e medíocre em tratar as mulheres como mero objeto, uma vez que elas possuem os mesmos sentimentos que nós temos, sente a dor que nós sentimos?

A todas as mulheres eu só tenho a dizer: existem homens que reconhecem o seu valor e o que você significa na nossa vida. Sem as mulheres, o que seria dos homens? Que coisa melhor há em ver um sorriso maravilhoso brilhado por elas quando estão felizes? É algo para se refletir muito! A Ganha-Pão é um filme que apesar de retratar um governo autoritário, diferente do que vivemos hoje no nosso país, a essência ao abordar a intolerância contra as mulheres se aplica a todo e qualquer caso que a coloque em posição inferior aos homens. A grande verdade é: somos todos iguais, independente do que somos. 

NOTA: 8,6/10

A Ganha-Pão está disponível na Netflix.

Veja o trailer no vídeo abaixo:

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