domingo, 29 de abril de 2018

JUMANJI


Um dos grandes clássicos da tão querida e nostálgica Sessão da Tarde dos anos 90 é sem dúvida o filme Jumanji lançado em 1995 do diretor Joe Johnston. O filme que recebeu uma sequência recentemente que irei assistir ainda essa semana e que contém a história do jogo de tabuleiro considerado maldito. Apesar de o tema ser um pouco sombrio, o Jumanji dos anos 90 é divertido, leve, fantasioso e para todas as idades. Seu elenco conta com as participações de Robin Williams, Bonnie Hunt, Kirsten Dunst, Bradley Pierce e Jonathan Hyde.

O filme vai contar sobre um jogo chamado Jumanji que havia sido enterrado em um baú e cem anos depois o filho de um empresário encontra. Ao perceber que se tratava de um jogo, ele joga com sua amiga, e ele é penalizado a ficar na floresta até que alguém tire cinco ou oito. Só que na jogada seguinte, sua amiga é atacada por morcegos e o jogo é interrompido, porém, o garoto é sugado para dentro do Jumanji até que alguém venha e continue de onde parou. E isso dura vinte e seis anos, onde duas crianças começam a jogar e uma acaba libertando-o, mas para deixar tudo como antes, eles precisam terminar o jogo e nesse tempo eles enfrentam diversos perigos causados pelo jogo que varia entre ataques de animais selvagens, mudanças de ambiente e um soldado que persegue Alan.


Sim, é um filme bem fantasioso, repleto de cenas sombrias onde o tabuleiro em si é o vilão da história. O homem que foi libertado depois de vinte e seis anos é Alan Parrish (Robin Williams), as duas crianças que o libertaram são Judy (Kirsten Dunst) e Peter (Bradley Pierce), que também estão inseridos no jogo começado há muitos anos atrás, e para continuar eles precisam encontrar Sarah (Bonnie Hunt) que havia ficado traumatizada depois de Alan ter sido sugado pelo tabuleiro.

O filme caminha nessa aventura, onde esses quatro personagens procuram uma maneira de encerrar o jogo, mas a cada rodada parecia que suas dificuldades iam piorando e ficando cada vez mais difíceis. O que eu achei legal mesmo foi a sintonia entre os personagens, cada atuação é elogiável e sem dúvida é o que mais deixa o filme divertido. A ideia do filme é também algo bacana, inovadora, sombria e para uma época como nos anos 90, já dar para imaginar o tamanho do sucesso que teve, sejam em crianças ou adultos. Os efeitos especiais também merecem destaque, pois foram muito bem feitos e trabalhados cuidadosamente.


Porém, o filme tem sim as suas falhas, a principal delas em minha opinião é a queda de ritmo que tem a partir da metade do filme. E também o inicio que é dividido em três partes, uma coisa desnecessária, pois um prólogo apenas dava para resumir a quantidade de eventos que o roteiro exigia que mostrasse. Robin Williams (1951-2014) foi um ator consagrado e é justo admitir que sua participação em Jumanji foi que o tornou um filme de sucesso e admirado por fãs. Claro que as demais participações, principalmente das crianças têm os seus méritos, pois o elenco principal é forte e talentoso.

Jumanji pode não ter o mesmo efeito nos dias de hoje como teve em sua época, mas considerando a mesma, é fácil ver como o clima fantasioso e sombrio predomina em um filme de aventura, que é deveras direcionado ao público infantil. Não sei se a sequência deste, intitulada Jumanji: Bem-Vindo à Selva terá algo que me satisfaça, sei que há pessoas que não gostaram como também há aqueles que gostaram, mas enfim, tenho que ter minha própria experiência e após isso escreverei uma resenha para ele. 

NOTA: 8/10

Veja o trailer de Jumanji no vídeo abaixo:

quarta-feira, 25 de abril de 2018

FENDA NO TEMPO


Particularmente eu gosto muito dos filmes baseados nas obras de Stephen King, e claro que estou ciente de que existem alguns que são limitados em sua produção como qualidade baixa e efeitos bem toscos, mas que carregam um tema bastante chamativo. Um desses filmes é Fenda no Tempo, título original The Langoliers lançado em 1995 e dirigido por Tom Holland. Na verdade essa produção é vista como uma minissérie, pois contém uma duração de 3 horas. O filme é estrelado por Patricia Wettig, Dean Stockwell, David Morse, Frankie Faison e Kate Maberly.

Sinopse: Em um voo rotineiro de Los Angeles para Boston algo extraordinário acontece, pois dez passageiros, que dormiam, ao acordarem constatam que são as únicas pessoas no avião. Brian Engle (David Morse), um dos passageiros, é um piloto que está acostumado em lidar com jatos, assim tenta levar a aeronave para algum lugar.


Em vista de sua longa duração, o ponto fraco do filme é ser um pouco cansativo. A sua interessante história que envolve o mistério do desaparecimento dos outros passageiros é o que nos mantém atentos e curiosos para saber o que houve. Aos poucos o filme vai desenrolando esse enigma e é feito principalmente através de teorias propostas por um dos passageiros. Claro que no meio disso, a estrutura narrativa opta por desenvolver alguns dos personagens que ocupam os papéis principais, e eles por sua vez vão demonstrar diferentes tipos de comportamento que variam entre o mais calmo e o mais desesperado.

Como é de costume na maioria das obras de King, há algo sobrenatural envolvido, e nesse caso em questão se trata de um deslocamento no tempo que acontece após o avião atravessar uma espécie de aurora boreal, que segundo a teoria de um dos passageiros, ali se tratava na realidade de um campo de deslocamento no tempo. Mas não é na primeira teoria que eles se dão conta da real situação em que estavam, e sim durante o desenvolvimento do longa, havia muita coisa diferente como a comida com gosto diferente, o fogo não acende, não há eletricidade, o som não faz eco, enfim, há muito mistério nessa história. Talvez essa atração principal pudesse ter seu tempo reduzido e assim ter tido maior consideração das pessoas impacientes com filmes longos.

O tema é interessante, e fica mais ainda quando no local onde eles pousam a aeronave, eles escutam um barulho estranho vindo de longe e à medida que o tempo passa, esse barulho vai aumentando, como se estivesse chegando perto. A curiosidade dos personagens e também do espectador vai ganhando espaço, e momentos de tensão chegam ao auge quando o grupo se divide, por assim dizer, onde o personagem com comportamento desesperado perde o controle.


A explicação que é nos dada é que na verdade eles voltaram no tempo alguns minutos, mas voltaram para um mundo que não existe mais, e tudo que estava no vazio iria desaparecer logo, o que inclusive explica as comidas ter gosto diferente, o fogo não acende e não há eletricidade, e diversos fatores estranhos nesse mundo vazio, e os barulhos que se ouviam ao longe aumentam cada vez mais e nos minutos finais eles percebem que irão desaparecer se não sair dali. Portanto, a teoria para que eles voltassem ao mundo normal, seria atravessar novamente a aurora boreal, mas depois ficam em um dilema, pois os que ficarem durante esse trajeto acordados irão desaparecer como tinha acontecido antes, então quem iria controlar o avião?

Além de ser cansativo, o filme abusa um pouco ao mostrar uma das personagens como uma vidente assim do nada, sem nenhuma explicação ou contexto geral. Portanto, o filme pode não ser o melhor das obras adaptadas de Stephen King, mas em vista de seu tema ser extremamente complexo, ele merece sim atenção. Seria muito bom se tivessem feito um filme mais curto com esse tema, mas infelizmente nem tudo é como queríamos. 

NOTA: 6,5/10

segunda-feira, 23 de abril de 2018

NOA NOITE, MAMÃE


Boa Noite, Mamãe título original Ich seh, Ich seh, é um filme austríaco de terror psicológico lançado no ano de 2014. Dirigido pela dupla Veronika Franz e Severin Fiala, e estrelado por Susanne Wuest, Elias Schwarz e Lukas Schwarz. Esse filme é algo que os fãs de terror procuram e muito. Seu conteúdo é muito diferente dos filmes mais recentes, pois além de ser inovador, o que é algo bem raro, é também um filme que deixa o espectador perturbado e intrigado com a violência vista nele. O filme chegou a ser escolhido para representar a Áustria na competição do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas acabou não sendo indicado.

Sinopse: Após ficar afastada alguns dias, por conta de cirurgias no rosto devido a um acidente, a mãe de dois garotos gêmeos volta para casa. Entretanto, seus filhos não acreditam que a mulher com o rosto coberto seja realmente sua mãe. A partir daí, nada mais será como antes.

ATENÇÃO! Esse texto contém alguns spoilers.


Quem assiste pela primeira vez, acredita que irá se tratar apenas de um drama, pois suas cenas iniciais parecem que irá culminar nisso. O filme começa com os dois garotos brincando no milharal e depois em um lago. O filme faz questão de mostrar o ambiente ao redor, vemos que a casa deles fica em um lugar bastante isolado, cheio de árvores e plantações ao redor dela, sendo que a cidade mais próxima fica a uma boa distância dali. Quando a mãe dos garotos retorna, ela a princípio parece ser a mesma para eles, embora seu rosto coberto seja um pouco assustador. Nesse meio tempo, não acontece quase nada, exceto os diálogos e brincadeiras entre eles. Porém, há um detalhe curioso aqui: a mãe só dar atenção a um dos garotos, o Elias, enquanto o outro, o Lukas é completamente ignorado.

Quando a mãe começa a exigir algumas regras, sendo até mesmo rude com seus filhos. Estes, por sua vez, passam a desconfiar dela, pois sabem que sua mãe jamais iria trata-los assim. Essa desconfiança vai ganhando força, e ela é articulada especialmente por Lukas, o garoto ignorado pela mãe. Aos poucos o que parecia ser um drama, começa a ganhar um clima de tensão. Há cenas em que a mãe bate em Elias, e sua reação toda vez que ele fala no Lukas e questiona se ela é a sua mãe, a faz perder o controle.


Os dois garotos começam a sentir um desejo de vingança, pois estão convencidos de que aquela mulher é uma impostora, e eles querem saber a todo custo onde sua verdadeira mãe está. Antes disso, a mãe tira as faixas do rosto e tenta fazer as pazes com Elias, mas ele e Lukas fogem e vão pedir ajuda em uma cidade ali próxima. No entanto, eles são pegos por um policial que os leva de volta para casa, e nessa cena a mãe fala para o policial sobre um acidente.

Esse filme quando chega ao seu clímax passa a nos dar uma visão extremamente perturbadora a respeito das crianças. Pois estas chegam ao ponto de prender sua mãe na cama, amarrando suas mãos e pés enquanto dorme, para depois tortura-la na tentativa de fazê-la dizer onde está a mãe deles. As cenas que se seguem a partir daí são chocantes e fortes! Os garotos tem um sangue frio de impressionar, eles queimam o rosto dela com uma lupa refletindo os raios de sol, a queimadura chega a abrir uma ferida em seu rosto que havia passado por cirurgia recentemente.


E não para por aí, o sofrimento da mãe atinge um grau elevadíssimo! Ela tem a boca colada para não gritar, e quando Elias tenta abri-la com uma tesoura, e ele acaba cortando os lábios dela que chega a jorrar sangue. As cenas são chocantes e perturbadoras! São fortes o bastante para deixar o espectador aflito, mesmo aqueles que já são acostumados com filmes do tipo, e quem é que causa isso tudo? Os garotos. Quem iria imaginar que crianças pudessem fazer algo assim? E toda aquela premissa da mãe ser a vilã, devido ao seu comportamento agressivo vai por água a baixo e os garotos passam a ser vistos como os vilões. Mas, ainda assim surge a pergunta: ela é mesmo a mãe deles ou é impostora?

Quando chega ao desfecho vem uma revelação que para alguns pode ser surpreendente. Mas, para outros (incluindo eu) foi muito previsível, pois durante todo o filme pistas são expostas de forma muito clara que apenas um espectador desatento não irá perceber e prever toda a situação logo no começo. O ponto fraco do filme é justamente o isolamento daquela família que traz consigo algumas sequelas, as quais precisariam do apoio de parentes e amigos. Mas, em contrapartida, o filme cumpre o prometido e a tensão não diminui a cada minuto. E como se trata de um filme perturbador, não irá agradar qualquer um, portanto, é bom estar ciente de sua premissa antes de assistir. 

NOTA: 7,7/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:


sexta-feira, 20 de abril de 2018

A EPIDEMIA ZUMBI (2015)


A Epidemia Zumbi, título original Sorgenfri, é um filme dinamarquês dirigido por Bo Mikkelsen. Segundo informações do site IMDB, é o primeiro filme de zumbis feito na Dinamarca. O longa foi lançado em 2015 e em seu elenco tem os nomes de Marie Hammer Boda, Mikael Bikkjaer, Mille Dinesen e Troels Lyby.

O seu tema gira em torno de uma epidemia que se espalha pela cidade e uma família de quatro pessoas é colocada em quarentena em sua casa, e são forçados ao extremo para escaparem vivos. Além dessa família, o filme também direciona sua atenção para a vizinha de frente, onde vive outra família composta por pai, mãe e uma filha adolescente. E outra casa vizinha onde vive um casal. O filme no inicio tem um ritmo lento, pois tenta abordar um pouco sobre esses personagens, mas sem desenvolvê-los direito.

Confesso que de modo geral, A Epidemia Zumbi foi frustrante para mim. Mesmo ciente de que os clichês seriam inevitáveis, pois o tema zumbis já foi muito abordado em diversos filmes. E com isso, não irei colocar defeito no tema. Mas o problema aqui é a falta de desenvolvimento da história que é um tanto arrastada e cansativa. Contudo, a história tinha um potencial bacana e que se fosse explorada de uma forma diferente e mais criativa, talvez a produção se salvaria, portanto, a direção comete inúmeros deslizes.


O roteiro é também um fiasco! Repleto de furos e incoerências, que deixam os personagens agirem com infantilidade e sem sentimentalismos, ignorando até mesmo um ente querido que acaba se tornando vítima da epidemia. A narrativa do filme ainda tenta optar para um clima claustrofóbico e obtém um pequenino sucesso nesse quesito, pois eles juntam as três famílias vizinhas em uma única casa. E o fato de terem policiais do lado de fora, armados até os dentes é o que também ajuda nesse clima de tensão e mistério.

O filme não explica de maneira clara e objetiva as causas da doença, e nem mesmo chega a explorar partes externas daquela rua com muita precisão, e em vista disso, não dar para ter um discernimento do que estava acontecendo. Ao contrário disso, o filme se foca exclusivamente nos personagens e as situações com o qual eles se encontram. Talvez nesse sentido, a direção opta para o psicológico, e isso me fez lembrar o filme Ao Cair da Noite, há muita semelhança em ambos os filmes, mas o que torna A Epidemia Zumbi uma produção inferior são os furos no roteiro e abuso dos sentimentos humanos diante de uma situação caótica.


E os zumbis do filme? Bem, não sei se da para chama-los de zumbis ou apenas doentes. Não sei se eu entendi errado, mas parece mesmo que a doença mata a pessoa e só depois ela ressurge como uma criatura abominável. Porém, a gente tem de esperar 48 minutos para o primeiro zumbi aparecer, vejo nisso uma tentativa de tentar mostrar a situação de cada personagem, mas o filme erra demais ao tentar desenvolvê-los.

E mesmo sendo uma abordagem clichê, e eu tenho um gosto especial para filmes desse tipo, não importa como seja, e eu fiquei mais feliz ainda por se tratar de uma produção dinamarquesa, um cinema que até então eu só assisti dramas (que por sinal é o forte dos dinamarqueses). Mas, infelizmente o resultado desse não foi como o esperado, talvez se no futuro eles criassem um roteiro mais coerente e criativo na história, mesmo abordando zumbis, poderia ser legal. No entanto, acredito que para os dinamarqueses, o drama é a melhor opção a se arriscar, entendo que a inovação de gênero é algo importante, mas sejamos sensatos, se quiserem fazer terror, não envolvam um tema já muito recorrente, e se mesmo assim o fizer, caprichem pelo menos no roteiro.

NOTA: 4,7/10

quarta-feira, 18 de abril de 2018

CIDADE DOS HOMENS - O FILME


Durante a produção do já considerado um clássico do cinema nacional, Cidade de Deus, o diretor Fernando Meirelles participou junto com Guel Arraes na direção de um episódio da série Brava Gente. Esse foi o pontapé inicial para o desenvolvimento de uma história pelo qual Meirelles queria utilizar com sua oficina de atores, dos quais iriam participar do filme Cidade de Deus. E assim foi lançado o curta-metragem Palace II adaptado da obra de Paulo Lins. E com o sucesso do filme Cidade de Deus foi que surgiu a ideia de realizar uma série derivada trazendo como protagonistas dois jovens da comunidade. Essa série é conhecida como Cidade dos Homens que fora exibido 4 temporadas entre 2002 a 2005. A série foi um sucesso e de fato contém um bom conteúdo que envolve a influência de crescer rodeado com a criminalidade, família, amizade e conflitos na infância e adolescência entre outros aspectos que são abordados com muita frequência no decorrer da história dos protagonistas Laranjinha e Acerola. 


E era de se esperar que a história desses dois jovens se tornasse posteriormente um filme, e assim se sucedeu. Em 2007 foi lançado Cidade dos Homens O Filme, dirigido por Paulo Morelli e baseado na série de mesmo nome e no curta-metragem Palace II. A história do filme é praticamente uma continuação da série, onde os dois protagonistas já estão na faixa dos 18 anos e muita alusão à série é feita no decorrer do longa. Assim sendo, o elenco é composto por Darlan Cunha, Douglas Silva, Jonathan Haagensen, Eduardo BR, Rodrigo dos Santos e Camila Monteiro. 

Sinopse: Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva) são amigos que cresceram juntos em uma favela do Rio de Janeiro e agora estão com 18 anos. Acerola tem um filho de 2 anos para cuidar, mas sente-se preso pelo casamento e lamenta a paternidade precoce. Já Laranjinha está decidido a encontrar seu próprio pai, que ainda não conhece. Paralelamente o morro em que vivem é sacudido pelo mundo do tráfico, já que Madrugadão (Jonathan Haagensen), primo de Laranjinha, perdeu o posto de dono do local para Nefasto (Eduardo BR).


Não há muita diferença da série, claro se trata da mesma história. Mas, existe um diferencial que é apontado em especial para longas-metragens. Em Cidade dos Homens isso não é visto, mas ainda assim é um filme bacana, bem produzido, uma história coerente, bons atores, enfim... Com relação ao tema que será abordado, o longa nos traz o drama envolvendo os dois protagonistas, um quer conhecer o pai e o outro já é pai, mesmo sendo muito novo. No decorrer da história, a situação para ambos vai começando a ficar mais tensa e complicada.

No caso de Acerola, ele além de ter um filho para cuidar, sua esposa viaja para São Paulo em busca de dinheiro para a família deixando ele sozinho com o menino e ainda por cima ele tem de enfrentar o mal entendido envolvendo a divisão das gangues no morro de onde mora, sendo até mesmo jurado de morte, e assim ele não vê outra opção a não ser se juntar com a gangue rival que disputa o domínio da favela. Laranjinha por sua vez, tenta encontrar o pai e assim obtém sucesso. Porém, a personalidade fria e misteriosa de seu pai fará com que a amizade entre Laranjinha e Acerola seja posta à prova.


E mesmo com tudo isso envolvido, o filme retrata cenas de confronto entre gangues, tiroteios, invasões, mortes, tudo aquilo que habitualmente é visto em morros dominados pelo tráfico. Uma das forças dramáticas do filme que em minha opinião, é o que torna um filme digno de ser assistido, é justamente a questão da amizade e da família. Ambas entram em conflito devido às circunstâncias que envolvem a história, mas que elas são dosadas na medida certa pelos protagonistas que tomam suas decisões baseando-se no melhor para cada um. No entanto, o tráfico de drogas não é o foco de Cidade dos Homens, como é no filme Cidade de Deus.

A história, embora seja derivada procura estabelecer ao público outro ângulo dentro das comunidades, e acerta em cheio por abordar dois jovens que desde a infância crescem em um ambiente, digamos assim, hostil para sua educação e desenvolvimento pessoal. E com isso a produção como um todo, tanto o filme quanto a série, mostra o outro lado da moeda nas favelas, que nem todos estão envolvidos com a criminalidade, são pessoas carentes que lutam pelo seu espaço na sociedade atual. E por esses e outros motivos, é que aprecio essa produção desde que a conheci e, além disso, ela nos abre uma reflexão geral sobre nossa sociedade, não importando a classe social. 

NOTA: 7,6/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: 

terça-feira, 17 de abril de 2018

RAIO DE SOL (1941)


Um romance musical repleto de momentos engraçados, que embora seja bem antigo, vale muito a pena assistir nos dias de hoje. It Started With Eve foi lançado no ano de 1941 e foi dirigido por Henry Koster. Infelizmente esse filme possui um título horrível aqui no Brasil, Raio de Sol, um título que até agora estou tentando entender, mas enfim, felizmente isso não compromete o ótimo conteúdo da produção. É uma comédia um pouco diferente do que estamos acostumados, pois além de misturar um típico romance com música, seu enredo é que o torna um filme digno de ser visto e reconhecido. O longa é estrelado por Deanna Durbin (1921-2013), Charles Laughton (1899-1962) e Robert Cummings (1910-1990).


Sinopse: Jonathan Reynolds (Charles Laughton) é um milionário idoso que agonizava em sua cama quando recebe a visita do filho Johnny (Robert Cummings) que tinha saído de casa. Ao contar que estava noivo, o pai quer conhecer a moça. Johnny corre para o hotel, mas não a encontra, pois ela e a mãe saíram para fazer compras. Achando que seu pai não aguentará esperar, ele propõe a Anne Terry (Deanna Durbin), uma humilde funcionária do hotel e aspirante a pianista, que se passe pela noiva. O pai simpatiza com Anne e ela, logo em seguida, vai embora. Mas, ao contrário das expectativas, no dia seguinte o milionário melhora de saúde e quer voltar a ver Anne. Johnny não vê nenhuma alternativa senão ir atrás dela e pedir que continuasse com a farsa.

Pode a princípio parecer um filme bobo, mas como tive a experiência e o prazer de assisti-lo, fiquei fascinado com o filme! Nos minutos iniciais que resume toda a sinopse já prende nossa atenção e sua narrativa caminhará no rumo em que esse trio será o centro das atenções. As atuações e fotografia são ótimas e deixam o filme mais doce possível. Claro que se tratando de trilha sonora, não há o que reclamar; pois a atriz Deanna Durbin era uma cantora e tinha uma ótima voz de soprano, e como é evidente, no filme ela usa seu talento tanto cantando quanto tocando piano. E esse talento está incluído na história já que a personagem Anne Terry é aspirante no mundo da música, muito embora seu talento seja formidável.


É engraçado perceber que Anne vê em toda essa farsa de se passar pela noiva de Johnny uma ótima oportunidade para que seu talento seja descoberto, e assim ela tenta lutar para conseguir esse objetivo mesmo que para isso ela tenha que enfrentar a resistência de Johnny que se encontra em um beco quase sem saída quando sua verdadeira noiva descobre o que aconteceu. E nesse contexto, é muito legal ver o plano arquitetado por Johnny em simular uma briga com Anne e assim terminar o noivado e depois supostamente conhecer sua verdadeira noiva e apresenta-la ao pai sem que ele perceba tudo. Mas quem disse que isso seria fácil?

Por isso, o filme caminha nesse aspecto: tentar arrumar uma maneira de corrigir aquela farsa sem que o velho note isso. Mas falando nele, vale destacar a brilhante atuação de Charles Laughton, o ator consegue convencer e impressionar! Seu personagem Jonathan Reynolds é aquele típico homem doente que não estar nem aí para a saúde, ignorando as orientações médicas o tempo todo, como por exemplo, não fumar. Mas Anne parecia ser a pessoa com quem o milionário mais se cativou, em especial por causa de seu talento para com a música. E mesmo muito depois após o velhote usar esperteza diante de tudo o que estava acontecendo, ele tinha uma opção em relação ao seu filho, talvez você preveja o que ele tinha em mente, eu consegui adivinhar o que era. E nesse momento é que o romance se manifesta de forma um tanto natural quanto esquisita.


No fim de tudo, o filme Raio de Sol é pura diversão! Sei inclusive que ele não é muito conhecido, mas como opinião pessoal, acredito que ele mereça esse reconhecimento, mesmo não sendo um dos que marcaram época como E o Vento Levou, Cidadão Kane, entre muitos outros. Vale mencionar também que esse filme foi indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora em 1943.

Observação: Devido ao ano de lançamento do filme Raio de Sol, o mesmo se encontra em domínio público de acordo com as leis brasileiras, e por isso é mais um filme que está livre de direitos autorais. E como utilizo com muita frequência o fantástico site vk.com para assistir esses filmes, recomendo que assistam lá clicando nesse link. E mais um lembrete: você precisa ter uma conta no site para poder conferir o filme, se não o tiver faça, é grátis e rápido!

sábado, 14 de abril de 2018

E SE FOSSE VERDADE


E Se Fosse Verdade, título original Just Like Heaven é um filme de 2005 dirigido por Mark Waters, e é baseado no livro Et si c’etait vrai de Marc Levy. Trata-se de uma comédia romântica divertida e simples protagonizada por dois atores de grande talento e que estavam no auge de suas carreiras, Mark Ruffalo e Reese Witherspoon.

Sinopse: Ainda sofrendo com a morte da esposa, o arquiteto David Abbott (Mark Ruffalo) se muda para um novo apartamento. Infelizmente, a inquilina anterior, a médica Elizabeth Masterson (Reese Witherspoon), entrou em um coma após um terrível acidente de carro. O espírito dela começa a assombrar o antigo apartamento, sem memória de quem ela é, quem são seus familiares ou o que fazia. David, então, tenta ajudá-la a descobrir sua identidade, e os dois acabam se apaixonando.


Acredito que um dos aspectos que tornam esta produção tão querida do público é principalmente o carisma dos dois atores principais. Cada um com seu respectivo personagem conseguem e muito bem entreter e divertir o espectador. Contudo, a comédia aqui apresentada não se trata daquelas típicas que faz o público rir a ponto de “borrar as calças”, tá muito longe de ser esse tipo de comédia. E Se Fosse Verdade se foca em especial na sintonia entre os protagonistas que no meio de uma situação estranha, se veem obrigados a encararem as mais diversas circunstâncias cômicas e algumas delas constrangedoras.

Não vou negar o fato de que este filme prendeu minha atenção logo nos minutos iniciais. Ali nos deparamos com a vida bastante atarefada de Elizabeth que trabalha arduamente em um hospital, sendo uma das suas principais diretrizes salvar vidas e cuidar dos pacientes da melhor forma possível. Até que um dia, um acidente acontece e ela entra em coma. E sua família resolve alugar o apartamento dela. E é nesse contexto que surge David, um homem triste que ainda carrega consigo a dor causada pela perda da esposa. E logo no primeiro dia, ele se vê diante de uma ocasião bizarra: Elizabeth está no apartamento pedindo para ele ir embora, e pior, só ele consegue vê-la, e também não adianta fechar as portas para ela, por que ela consegue atravessar portas e paredes, e ainda assim ela mesma não percebe logo de imediato que há alguma coisa errada, seu jeito de mandona parece cobrir qualquer estranheza que estava acontecendo.


Quando David descobre o ocorrido, ele tenta ajuda-la a passar para o mundo dos mortos, ou trazê-la de volta à vida normal. E no meio dessa leve aventura, os dois acabam se tornando bem próximos um do outro, e aí todo mundo já sabe: o amor entre homem e mulher vai surgir. Esse tipo de desenvolvimento, embora seja inocente demais, consegue nos divertir de uma forma muito legal, claro que como já enfatizado antes, a sintonia entre os dois atores é formidável, e torno a repetir: foi isso que tornou o filme muito mais bacana do que apenas aparenta ser. Mark Ruffalo e Reese Witherspoon carregam o filme nas costas, principalmente a atriz. Ela praticamente tem duas personalidades no filme, uma quando está vivinha da silva, e a outra como espírito. Embora ambos sejam a mesma pessoa, e que de alguma forma conseguem interligar o que ela sabe, mesmo estando em forma de espírito.

Há quem diga que esse filme se parece muito com Ghost: Do Outro Lado da Vida, de fato sim, seu tema é parecidíssimo. Mas, há as suas particularidades, uma delas é a forma de abordagem do tema, e a outra é o final muito diferente do clássico dos anos 90. E em vista disso, há críticos que não aprovaram o final. Reconheço que não foi tão legal assim, abusou muito dos clichês “finais felizes”, mas se tivesse terminado de forma diferente, tenho certeza que os mesmos críticos iriam taxa-lo de clichê, por conta do filme Ghost já citado. Portanto, é sensato esquecer essas exigências (para mim muito bobas), e levar em consideração a simplicidade e delicadeza pela qual o filme se mostra diante do público. 

NOTA: 7,3/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quinta-feira, 12 de abril de 2018

TEMPO ESGOTADO

Tempo Esgotado, título original Nick Of Time é um filme de suspense americano lançado em 1995 estrelado por Johnny Depp e dirigido por John Badhan. É um filme simples, mas com uma história que embora seja curta, é bem eletrizante, pois gira em torno de um sequestro e chantagem para cometer um crime.

Sinopse: Às 12.07 hs, em Los Angeles, um homem (Johnny Depp) retorna para casa em companhia de sua filha de seis anos (Courtney Chase), após ir ao funeral de sua ex-mulher. Até que, repentinamente, sua filha é sequestrada. Depois lhe é dada uma arma e uma fotografia. Se a pessoa da fotografia não estiver morta às 13.30 hs quem morrerá será sua filha. Acontece que a pessoa da fotografia é a governadora da Califórnia (Marsha Mason), que tenta sua reeleição, e quanto mais o tempo passa ele descobre que um grande número de pessoas estão envolvidas nesta conspiração.


O que me chamou atenção em especial foi a situação desesperadora pelo qual o protagonista se encontra. E isso acontece logo no inicio nos dando assim um forte indicio de que haverá muita tensão no filme. É interessante perceber que o tempo que o personagem de Depp tem para cumprir a missão que lhe é dada, corresponde exatamente ao tempo de duração do filme. Tudo acontece em apenas uma hora e meia, e claro que esse detalhe embora não o faça do filme uma obra-prima, é uma curiosidade legal e retrata igualmente o tempo do filme com o tempo real.

Claro que também esse aspecto tornou a produção bem claustrofóbica, e sentimos na pele o desespero do personagem que fica em uma situação extremamente difícil: salvar a vida de sua filha cometendo um assassinato, e ainda por cima de uma autoridade política. Esse tipo de situação, ninguém queria estar envolvido, mas como um combustível para o clima de suspense e tensão do filme, isso obteve êxito. E eu particularmente não fiquei decepcionado com o filme, prendeu minha atenção mesmo estando ciente de que não se tratava de uma grande produção cinematográfica.


O clímax do longa ganha força quando descobrimos quem estar por trás de tudo isso, uma conspiração que envolve autoridades do mesmo nível da governadora, e ao descobrir tudo isso, que alternativa há para o protagonista? Enfrenta-los para proteger sua filha? Só um pai para descrever o que faria nesse tipo de situação, e Johnny Depp segura as pontas através de um bom desempenho, e não adianta tentar criticá-lo por parecer que ele não sente as emoções diante de uma situação dessa, antes disso, note que a todo o momento no filme ele é vigiado por um dos membros da conspiração que quer ver ele matando a governadora.

A direção de Tempo Esgotado é ótima e consegue deixar o clima esquentar a cada minuto que passava, não deixa o espectador respirar de tanta ansiedade para o que vai acontecer a cada cena. E os personagens são bem amarrados dentro da história, sejam eles coadjuvantes ou antagonistas cada um faz sua participação sem tomar o espaço principal ocupado pelo personagem de Johnny Depp. Além disso, a qualidade do longa é um dos principais méritos para poder conferir sem medo de decepção, pois como tem um bom elenco e uma história bastante afiada e tensa, a produção nos presenteia com várias cenas que podemos dizer que são de tirar o fôlego.


Como filme de suspense, Tempo Esgotado agrada muito, mas não espere ver um grande filme com alucinantes cenas de ação, longe disso, aqui se trata de uma produção de baixo orçamento e levando em conta seu roteiro, não há nada de excepcional ou novidade. O que a história em si se preocupa em trazer é agonia para o espectador. O final poderia ter sido mais bem trabalhado para terminar em um nível igual com o desenvolvimento da história, que para mim salva o filme, mas ainda assim Tempo Esgotado cumpre sua premissa de forma simples, porém, boa o suficiente para agradar e entreter. 

NOTA: 7,5/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quarta-feira, 11 de abril de 2018

VELOZES E FURIOSOS 4


Após três filmes, a franquia Velozes e Furiosos parecia que já tinha de dar o que deu, porém, o sucesso dos filmes é algo surpreendente e para Hollywood, não interessa que tipo de conteúdo irá ser feito, contanto que os fãs apreciem a obra. E por isso Velozes e Furiosos 4, título original Fast & Furious, foi lançado em 2009 com a direção de Justin Lin que havia dirigido a produção anterior Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio. Porém, a história de Velozes e Furiosos 4 volta no tempo e conta eventos muito antes da aventura no Japão, e com isso, a produção traz o elenco original interpretado por Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster.

Sinopse: Depois de ser visto rumo ao México no filme que deu origem a série, Dominic “Dom” Toretto (Vin Diesel) reaparece na República Dominicana praticando seus golpes ao lado de sua namorada Letty (Michelle Rodriguez) e sua gangue. Com o FBI na sua cola, Dom decide fugir para não comprometer seus comparsas. Contudo, um assassinato cometido por um traficante de drogas acende nele uma sede de vingança que o faz cruzar novamente com o agente Brian O’Conner (Paul Walker) numa perigosa missão.


Mesmo que a crítica especializada detone as produções da franquia a partir daqui, suas críticas negativas não surgem efeito nos fãs, que parece que quer mais. Atualmente já são oito filmes da franquia, tá ficando cansativo? De certo modo sim. Mas, a história tinha muito que contar. Antes de tudo, no primeiro filme somos apresentados a gangue de Toretto e o envolvimento do policial Brian O’Conner com ambos. A constante rivalidade vista ali era algo que tinha de ser explorada, mesmo que para isso se utilizasse meios grotescos, conforme é vista em Velozes e Furiosos 4, eles forçam um pouco a barra para Dom e Brian se unirem assim tão rápido.

Com respeito ao desenvolvimento do filme, ele começa com boas cenas de ação com os carros velozes, onde Toretto e sua gangue estão roubando tanques de combustível na República Dominicana. Logo ali, um dos personagens principais do elenco original é logo descartado, e para muitos críticos, esse foi o pior erro do filme. Mas em opinião particular, eu não achei isso. Essa escolha de pegar um personagem importante da franquia e “descartar”, corroborou para um desenvolvimento mais razoável possível do filme, onde não apenas Toretto iria atrás de saber o que realmente aconteceu, como também Brian iria cruzar esse caminho. Se tal evento não tivesse acontecido, dificilmente iríamos ver Brian se juntando a gangue de Toretto. Portanto, eu achei que essa escolha foi plausível, tanto que esse personagem reaparece nos filmes seguintes e traz uma força dramática para o desenvolvimento do sexto filme.


As cenas de ação são bem mais alucinantes do que os filmes anteriores e a partir daqui foi que a história da franquia foi pegando outro rumo, apelando para muita ação e poucas falas. E como um meio adequado para os fãs, em que sua maioria considera que essa mudança de foco foi o que tornou a franquia mais famosa do que já estava, e não é atoa que já tem oito filmes, e em breve terá o nono. Mas, com relação a isso, eu acho que já é hora de parar, por que está se tornando repetitiva demais. Mesmo sendo um fã declarado da franquia, devo reconhecer que já é hora de dar um basta.

Voltando a falar de Velozes e Furiosos 4, vale mencionar que durante o filme que se passava em Tóquio foi dito que Han (Sung Kang) era um amigo de Toretto, e aqui ele estava junto com a gangue do mesmo, nos dando a indiscutível evidência de que o terceiro filme a ser produzido contava uma história que se passava muito mais na frente. E além de Han, a franquia traz a personagem Gisele (Gal Gadot) que se une ao grupo nos filmes seguintes. Portanto, a franquia passa a mudar o foco do conteúdo, mas sem esquecer-se do básico visto em todos os outros filmes, corrida, perseguição a carro, mulheres, hip hop, etc.


Velozes e Furiosos 4 apesar de um roteiro bem mais enxuto e em algumas partes forçadas, é um bom filme de ação, e para os fãs do gênero pouco importa os furos ou a história fraca, o que conta mesmo é as cenas de ação e o desenvolvimento da turma principal. Vale lembrar que Justin Lin que também dirige os próximos dois filmes que sucedem a este, ele consegue juntar tudo dentro da história original vista no filme que deu origem a franquia, e eu vejo assim, por mais que os críticos tentem desvalorizar a franquia, o sucesso da mesma jamais irá se perder. Não sei quantos filmes sobre isso irá ser feito no futuro ou se vai parar no nono, mas de uma coisa eu sei: os fãs da franquia, que não são poucos, não vão ficar dando uma de exigente para uma produção que diverte e nos traz muita adrenalina. E nisso, a crítica especializada pode chorar à vontade. 

NOTA: 7,5/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sábado, 7 de abril de 2018

[REC] 2: POSSUÍDOS


[REC] é um filme de terror bizarro que não mede esforços para impressionar o público. Comentamos no mês passado uma breve resenha sobre o primeiro filme (clique aqui), e sem dúvida é uma amostra genial para filmes de terror do estilo pseudodocumentários. Em 2010 veio sua sequência, trazendo a continuação da história e mais revelações sobre o mistério envolvendo aquele prédio em quarentena.

Sinopse: Quinze minutos após os acontecimentos do primeiro filme, um grupo especial de operações é enviado ao prédio lacrado onde dezenas de pessoas foram violentamente infectadas. Junto com o grupo, está um médico que pretende colher amostras de sangue da menina Medeiros, originado da criatura demoníaca de mesmo nome, para desenvolver uma vacina para a terrível doença. Ao adentrarem, encontram o local aparentemente vazio, mas à medida que sobem as escadas, as piores situações começam a acontecer. Até que descobrem que o médico é, na verdade um padre, vindo do Vaticano. Enquanto um a um, todos começam a morrer, e um terrível segredo demoníaco envolvendo o vírus é revelado.


Se nos lembrarmos do primeiro filme, havia uma possível suspeita para a causa da infecção em uma possessão demoníaca, embora ali tivéssemos apenas o conhecimento de uma infecção viral. Nesse segundo filme, a possibilidade para a possessão demoníaca ganha um amplo espaço, e aos poucos iremos compreender como tudo começou. Quando o grupo da SWAT entra no local junto com o padre, eles logo percebem que todos naquele prédio estavam mortos ou infectados, mas a missão deles era outra. O padre presente era quem comandava a missão e só teriam ordens de deixar o local, caso ele autorizasse. E esse padre é obcecado para cumprir seu dever em recolher amostras da menina Medeiros. Sabem quem é essa Medeiros? Se você lembrou aquela criatura bizarra e horrorosa que aparece no final do primeiro filme acertou.


A premissa inicial é muito parecida como uma caçada, mas claro que em vários momentos os papéis se invertem, pois dentro do prédio há pessoas infectadas que atacam os visitantes. Algumas pessoas não gostaram do fato de mudar a causa de infecção para a possessão de demônios, e a menina Medeiros consegue falar através dos infectados. Por esse motivo, [REC] 2 não foi tão assustador quanto o primeiro, mas o mistério envolvendo demônios não é algo fora de contexto, pois já no primeiro filme, essa possibilidade estava em aberta. O que esse filme fez, foi complementar mais ainda a história como um todo, se não fosse assim, não faria sentido já que a menina Medeiros é a fonte de todo esse mal, e que o Vaticano estava envolvido nisso muito antes.


[REC] 2 ainda traz surpresas, como a repórter Ângela Vidal que aparece em determinado momento, e que de algum modo conseguiu sobreviver. Mas, sua participação tem um segredo, uma revelação até surpreendente. E assim como o primeiro, esse filme também termina em aberto. E considerando as cenas de sangue e aterrorizantes, esse é inferior ao primeiro, mas em complemento da história, claro que superou. 

NOTA: 7,8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sexta-feira, 6 de abril de 2018

ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER


Continuando com a saga do ícone do terror nacional Zé do Caixão, após um primeiro filme alucinante e original, José Mojica Marins deu continuidade com a história do coveiro e em 1967 ele lançou o segundo filme com o personagem, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver. Esse segundo filme continua exatamente de onde terminou À Meia Noite Levarei Sua Alma.

Em minha opinião, esse filme é superior ao primeiro e também eu o considero o melhor filme do Zé do Caixão, por que aqui temos três aspectos diferentes, não desmerecendo o filme À Meia Noite já que este também é um clássico. O que torna Esta Noite um filme com tamanha magnitude são as cenas muito mais aterrorizantes do que antes, aprofundamento da filosofia de Zé e claro a cena clássica do inferno em cores.


Após sobreviver ao ataque sobrenatural no final de À Meia Noite Levarei Sua Alma, Zé do Caixão (José Mojica Marins) é inocentado de seus crimes por falta de provas. Novamente de volta às ruas, o coveiro ainda não desistiu de seu propósito de gerar um filho perfeito a partir da mulher superior. E com a ajuda de seu criado, o corcunda Bruno (Nivaldo Lima), ele rapta seis mulheres e as submetem a um teste macabro utilizando dezenas de tarântulas. A mulher que não sentir medo poderá ser a escolhida, do contrário, as consideradas inferiores morrerão.

Esse evento culminará em mais assassinatos, onde uma das vítimas jura voltar do mundo dos mortos e encarnar no cadáver de seu assassino. A população também se manifesta contra os crimes do coveiro, a maioria acreditando que Zé do Caixão tem pacto com o demônio. Mas Zé, por outro lado, continua cético e faz chacota com o povo supersticioso. E quem ousa interferir em seus planos se tornava mais uma de suas vítimas.


No entanto, há algo novo nesse filme em relação ao anterior, duas mulheres partilham da mesma filosofia de Zé. Uma delas chamada Márcia (Nádia Freitas) foi a única aprovada no teste das tarântulas e se torna a partir daí, uma cúmplice dos crimes dele, embora ela não tenha o aceitado se tornar a mãe do tão sonhado filho do coveiro. E a outra é Laura (Tina Wohlers), uma jovem filha do coronel que se engraça para Zé do Caixão, ignorando os conselhos da família e até mesmo a morte do irmão. Era esse tipo de mulher que Josefel Zanatas procurava: aquela que não esbanja sentimentalismos ou crenças religiosas.

Falando das cenas de tortura, José Mojica Marins foi ousado em usar aranhas enormes e serpentes para atormentar suas vítimas. Imagine o desafio que as atrizes tiveram que encarar? O sadismo do personagem chega a impressionar durante o filme todo, mas apesar de toda sua crueldade, tem momentos que ele diverte o público ao usar falas de deboche para com suas vítimas como em uma cena antes de matar um jovem, ele diz:

“Se passares pelo céu, dê lembranças aos anjos. Mas, se teu destino é o inferno, dá meu endereço ao diabo.”


E mesmo diante de muitos crimes, há momentos em que torcemos para que o coveiro cumpra seu propósito. Não sei explicar como isso acontece, talvez seja pelo carisma do personagem e o modo de enxergar as coisas. Claro que sua filosofia exagera muito quando ele se considera superior às outras pessoas, mas sua maneira de enxergar o sangue e as crianças, parece que tudo faz sentido. Mas enfim, aqui não defendo crença ou filosofia. Como é bastante evidente, o diferencial de Esta Noite é os inúmeros discursos de Zé do Caixão, alguns julgaram um filme muito mais filosófico do que terror propriamente dito. Mas discordo completamente disso.

Se quiserem ver terror, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver cumpre isso muito bem. Principalmente na melhor cena do filme, Zé do Caixão está em sua cama, quando ele vê uma criatura sinistra andando pelo quarto até que o agarra pelo pé e começa a arrasta-lo da casa até o cemitério. Uma vez lá, Zé do Caixão é agarrado por mãos que saem da terra e o puxam para baixo, fazendo com que ele caia no inferno. Ali ele vê pessoas sendo torturados, gritos, pedidos de socorro, corpos pendurados e mutilados, e o coveiro que se considera superior assiste a tudo isso apavorado, pois muitas das almas ali eram de suas vítimas. Toda essa cena do inferno foi filmada em cores, uma grande façanha de Mojica. Não é atoa que ele é um dos cineastas mais admirados do Brasil.


Mas infelizmente este filme foi manchado pela censura. Na época de seu lançamento, o Brasil se encontrava sob o domínio do governo militar que censurava tudo que saia até dos jornais. No caso do filme, Mojica foi obrigado a alterar o final, fazendo com que Zé do Caixão reconhecesse que deus existe antes de supostamente morrer. Isso ficou ridículo! Pois desde o primeiro filme, temos o conhecimento de que Zé jamais iria acreditar nisso, mesmo depois de sofrer o ataque de almas penadas e depois sobreviver ser inocentado, ele continuou o mesmo, além do mais, ele tem uma personalidade muito forte para se submeter a isso.

Não precisa nem falar o quanto Mojica havia ficado irritado com essa imposição da censura, mas ou ele cedia à exigência ou nunca poderia lançar seu filme nos cinemas, e assim não poderia recuperar o dinheiro gasto com a produção. Para a maioria dos fãs, a censura enterrou o personagem Zé do Caixão, e isso durou muito tempo. Pois só foi em 2008 que foi lançado o terceiro e último filme da saga, onde Mojica longe de qualquer imposição conserta todo o estrago que censura da década de 60 fez com sua obra. Mas mesmo com todo isso, é inegável o fato de que este filme foi uma grande produção, mesmo em uma época sem muitos recursos. Eu disse que é para mim o melhor filme do Zé do Caixão, mas também é o melhor filme de terror feito em território brasileiro.  

NOTA: 8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: