Anjos da Noite (Underworld, 2003), dirigido por Len Wiseman, com Kate Beckinsale, Scott Speedman e Bill Nighy no elenco principal, é um filme de ação e fantasia sombria que apresenta um universo onde vampiros e lobisomens (chamados de Lycans) travam uma guerra secreta há séculos, escondida da humanidade. A história acompanha Selene, uma vampira guerreira que dedica sua existência a caçar Lycans, até que começa a questionar as verdades que lhe foram ensinadas quando conhece Michael, um humano que se torna peça-chave no conflito.
O grande trunfo do filme está na atmosfera. Tudo é envolto em tons azulados, chuva constante, arquitetura gótica e cenários urbanos decadentes, criando uma estética próxima de um “Matrix vampírico”. Esse estilo visual ajuda a transformar a narrativa em algo mais do que apenas um filme de ação: ele cria uma identidade própria, quase como um mundo à parte, com suas próprias regras, clãs e mitologias.
Selene, interpretada por Kate Beckinsale, foge do estereótipo da vampira sedutora e frágil. Ela é fria, eficiente, marcada pela dor do passado e pelo peso da lealdade ao seu clã. Sua jornada não é apenas física, mas também moral: à medida que descobre mentiras sobre a origem da guerra, o filme passa a discutir temas como manipulação histórica, fanatismo e a cegueira causada pela tradição.
O conflito entre vampiros e lobisomens funciona como uma metáfora clara para guerras antigas que se perpetuam mesmo quando ninguém mais lembra direito de como começaram. Ambos os lados acreditam estar certos, e o filme vai lentamente desmontando essas certezas, revelando que o verdadeiro inimigo pode ser a própria estrutura de poder que se mantém pela mentira.
As cenas de ação são intensas, com tiroteios estilizados, combates corpo a corpo e transformações brutais dos Lycans. Embora alguns efeitos visuais hoje pareçam datados, eles ainda cumprem bem o papel de transmitir violência, velocidade e perigo.
Ainda assim, o roteiro por vezes se apoia demais em explicações diretas para sustentar sua mitologia, o que torna certos trechos mais lentos do que o necessário. Alguns personagens secundários também acabam pouco explorados, servindo mais como peças do conflito do que como figuras plenamente desenvolvidas.
Mesmo com essas limitações, Anjos da Noite se destaca por ter criado uma franquia com identidade própria, misturando terror, ação e romance trágico em um universo coeso e estilizado. No fim, o filme conquista justamente por isso: por transformar um conflito sobrenatural em algo profundamente humano, marcado por memória, lealdade e ruptura com verdades impostas.
NOTA: 8,5/10




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