Rodrigo Aragão, conhecido por seu trabalho no cinema de terror nacional, entrega em A Noite do Chupacabras um filme que mistura horror gore com elementos do folclore brasileiro, resultando em uma experiência curiosa e visceral. O enredo gira em torno da rivalidade entre duas famílias no interior do Brasil, os Silva e os Carvalho, cujas desavenças históricas se agravam quando uma criatura sanguinária — o lendário Chupacabras — passa a atacar a região.
O destaque
do filme está em sua ambientação. Aragão cria uma atmosfera densa e carregada,
utilizando cenários naturais que evocam o isolamento e o misticismo típicos das
lendas rurais. O uso de efeitos práticos, marca registrada do diretor, é outro
ponto forte: o gore é explícito, com maquiagem e efeitos especiais artesanais
que, embora toscos em alguns momentos, contribuem para o charme do filme e
remetem ao espírito do cinema trash dos anos 1980.
As atuações
são irregulares. Alguns personagens funcionam bem dentro da proposta exagerada
e caricatural da narrativa, enquanto outros soam artificiais, prejudicando o
ritmo em cenas mais dramáticas. O roteiro, por sua vez, apresenta um tom
inconstante, oscilando entre o terror grotesco e o humor involuntário, o que
pode confundir o espectador sobre qual é a verdadeira intenção do filme:
assustar, divertir ou chocar.
Apesar
dessas inconsistências, A Noite do Chupacabras se destaca por sua
coragem em explorar o terror regional, um território pouco explorado no cinema
brasileiro. O filme não se preocupa em agradar ao público mainstream, mas sim
em celebrar o grotesco e o bizarro, o que o torna uma obra interessante para
fãs de horror alternativo.
Em suma, A Noite do Chupacabras é uma produção que desafia expectativas. Com suas limitações evidentes, compensa pela criatividade, pelo resgate do folclore nacional e pela paixão visível de sua equipe em fazer cinema de gênero no Brasil. Para quem aprecia o terror underground e o cinema independente, é uma experiência que, no mínimo, desperta curiosidade.
NOTA: 6/10
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