quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

A NOITE DO CHUPACABRAS

 


Rodrigo Aragão, conhecido por seu trabalho no cinema de terror nacional, entrega em A Noite do Chupacabras um filme que mistura horror gore com elementos do folclore brasileiro, resultando em uma experiência curiosa e visceral. O enredo gira em torno da rivalidade entre duas famílias no interior do Brasil, os Silva e os Carvalho, cujas desavenças históricas se agravam quando uma criatura sanguinária — o lendário Chupacabras — passa a atacar a região.

O destaque do filme está em sua ambientação. Aragão cria uma atmosfera densa e carregada, utilizando cenários naturais que evocam o isolamento e o misticismo típicos das lendas rurais. O uso de efeitos práticos, marca registrada do diretor, é outro ponto forte: o gore é explícito, com maquiagem e efeitos especiais artesanais que, embora toscos em alguns momentos, contribuem para o charme do filme e remetem ao espírito do cinema trash dos anos 1980.

As atuações são irregulares. Alguns personagens funcionam bem dentro da proposta exagerada e caricatural da narrativa, enquanto outros soam artificiais, prejudicando o ritmo em cenas mais dramáticas. O roteiro, por sua vez, apresenta um tom inconstante, oscilando entre o terror grotesco e o humor involuntário, o que pode confundir o espectador sobre qual é a verdadeira intenção do filme: assustar, divertir ou chocar.

Apesar dessas inconsistências, A Noite do Chupacabras se destaca por sua coragem em explorar o terror regional, um território pouco explorado no cinema brasileiro. O filme não se preocupa em agradar ao público mainstream, mas sim em celebrar o grotesco e o bizarro, o que o torna uma obra interessante para fãs de horror alternativo.

Em suma, A Noite do Chupacabras é uma produção que desafia expectativas. Com suas limitações evidentes, compensa pela criatividade, pelo resgate do folclore nacional e pela paixão visível de sua equipe em fazer cinema de gênero no Brasil. Para quem aprecia o terror underground e o cinema independente, é uma experiência que, no mínimo, desperta curiosidade. 

NOTA: 6/10 

Veja também: Mangue Negro.

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