sábado, 17 de março de 2018

A OITAVA ESPOSA DO BARBA AZUL


Ao explorar o cinema da década de 30, posso afirmar que aquela época foi uma das mais marcantes da história da sétima arte, por que existem grandes feitos de quase todos os gêneros, citando alguns deles temos o drama, suspense, romance e terror. Além disso, a comédia é bem vasta e possui grandes obras divertidas e que nos conquistam facilmente. O que tem me conquistado em especial, foram algumas comédias românticas da década de 30, inclusive já falei sobre uma delas aqui no blog (clique aqui). E outro filme do gênero tem sido pra mim um grande motivo para admirar cada vez mais o cinema daquela década, esse filme é A Oitava Esposa do Barba Azul, título original Bluebeard’s Eighth Wife, lançado em 1938, e dirigido por Ernst Lubitsch (1892-1947).

O filme é baseado em uma peça teatral, e seu título faz referência ao personagem do conto infantil "Barba Azul", embora esse personagem não tenha nenhuma relação com o filme, exceto na sua personalidade que no filme é refletida em um dos protagonistas. A Oitava Esposa do Barba Azul é estrelado por Gary Cooper (1901-1961) e Claudette Colbert (1903-1996) esta inclusive foi a protagonista do filme citado no link acima. Esses dois protagonizam essa comédia romântica de uma forma bem superficial, que mesmo não indo muito a fundo na essência de cada personagem, eles conseguem prender a atenção do espectador devido a excelente química entre ambos no meio de diversas situações um tanto inusitadas, que nos diverte bastante durante 85 minutos de filme.


Sinopse: Michael Brandon (Gary Cooper) é um americano milionário que já se divorciou sete vezes. Pronto para casar-se de novo, ele encontra a bela e simpática Nicole (Claudette Colbert) de Loiselle na Riviera Francesa. Apaixonado, pede sua mão. Ela resiste porque o achou meio arrogante, mas acaba convencida pelo pai, o Marquês de Loiselle, que está sem nenhum tostão. Na festa de noivado, ela descobre tudo sobre Michael e, furiosa, consegue um vantajoso acordo pré-nupcial. Depois do casamento, entretanto, além de recusar-se a consumá-lo, Nicole ainda finge um romance com um amigo, e tudo isso faz com que Michael vá à loucura.

O filme como um todo gira em torno dos dois. Inicialmente, vemos um pouco de cada um, suas personalidades e o comportamento diante das pessoas. Vale frisar a cena do começo onde Michael entra em uma loja de roupas onde planeja comprar um pijama e logo de cara se vê incomodado com um vendedor chato que fica falando o tempo todo. Essa cena serve como uma pequena amostra de como o filme vai caminhar em direção ao humor, sem extrapolar o romance que é prometido no pôster e sinopse. Na verdade, eu achei que essa abordagem inicial é uma forma bacana de ver que rumo o filme irá tomar, e é por isso que nesse exato momento, a personagem Nicole aparece e cruza o caminho de Michael. Então, o clima do filme passa a ser bem típico, o homem apaixonado persegue a mulher aonde quer que ela vá.


No entanto, o filme nos dar um forte indício logo no começo que Michael é um homem que não entende dos princípios relacionados ao amor. Sua personalidade reflete muito bem as pessoas que se aproveitam dos bens que tem para comprar o que quiser, o que inclui comprar uma futura esposa. E isso é claro quando ele conhece o pai de Nicole, que mesmo antes de ter uma conversa com a moça, ele já acerta tudo para o noivado. Achei interessante esse aspecto, por que antigamente as mulheres não tinham liberdade de escolher seu marido, quem fazia isso eram seus pais. No caso do filme isso não é diferente, mas o legal aqui, é que o pai de Nicole louco por dinheiro age de maneira extremamente cômica a cada vez que se mencionava dinheiro envolvido no casamento. As cenas dele são hilárias demais, e esse foi um dos pontos fortes na comédia apresentada.

O filme pode ser dividido em duas partes, onde a primeira conta os eventos que antecedem o casamento de Michael Brandon e Nicole, e a segunda após esse evento. As duas partes possuem cenas pra lá de engraçadas, conforme já foi mencionado, o pai de Nicole é um dos personagens principais, no que diz respeito a roubar a cena em situações engraçadas. Mas depois do casamento da filha, o foco passará a ser ela e seu marido. Como foi mencionado na sinopse, Nicole faz um acordo onde ela seria a detentora de vários bens, e para piorar a situação de Michael Brandon, que fica em uma espécie de beco sem saída, sem poder se divorciar para não perder metade dos seus bens, ainda tem de enfrentar a rigidez de sua esposa que dorme em outro quarto, e nem sequer lhe da um beijo. (Exceto nessa cena abaixo, só que se tratou de um beijo com gosto de cebola, e por sinal é uma cena muito hilária).


Poderíamos até mesmo imaginar que essa oitava esposa pretendia roubar tudo de seu marido, mas esse não é o caso. A intenção de Nicole que chega a afirmar que ama seu marido, é dar uma lição nele, para que ele deixe de ser egoísta e respeite os direitos que uma esposa deve ter, mesmo que para isso tenha que magoá-lo muito. E durante esse festival de torturas emocionais e psicológicas, acontecem muitas cenas divertidas, onde na maioria delas o milionário Michael Brandon age como uma criança, tentando aprender a como dominar sua esposa, e claro sempre se dando mal em tudo. A química entre Claudette e Gary é sensacional, e na minha humilde opinião foi isso que tornou o filme bem eficaz em seu objetivo. O final talvez não seja previsível para algumas pessoas, mas terminou muito bem e deixou uma mensagem que eu particularmente considero muito importante, principalmente para os casais que enfrentam problemas no relacionamento.

Por isso, recomendo que assistam A Oitava Esposa do Barba Azul, que é mais uma das grandes relíquias da década de 30, uma comédia romântica de alto nível que além de nos divertir a cada instante, nos traz uma mensagem peculiar em relação a atitudes machistas e egoístas motivadas em especial por interesse e prazer próprio. De acordo com as leis brasileiras, esse filme se encontra em domínio público, o que significa que você pode assisti-lo à vontade. E em respeito a isso, recomendo que assistam no site VK, acessando este link. Lembrando que se você ainda não tem um cadastro no site, que o faça de forma gratuita para poder conferir o filme. 

NOTA: 8,2/10

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Fiquem à vontade para comentar, mas por favor, nada de palavrões, insultos ou qualquer outra coisa que possa ofender o autor do blog e a terceiros. Seria interessante, porém, não obrigatório, que usuários anônimos se identificassem. Bons comentários!