sábado, 21 de outubro de 2017

OS PÁSSAROS (1963)



O cineasta inglês Alfred Hitchcock já tinha seu talento reconhecido através de grandes obras do gênero suspense e terror, entre eles Disque M Para Matar e o impagável filme Psicose. No entanto, três anos após o sucesso deste último, Hitchcock resolve produzir mais um filme, só que dessa vez com uma temática diferente das outras que ele dirigiu. O filme intitulado The Birds, em português conhecido como Os Pássaros foi lançado em 1963, sendo estrelado por Tippi Hedren, Rod Taylor, Jessica Tandy, Suzanne Pleshette e Veronica Cartwright.

Sinopse: Melanie Daniels (Tippi Hedren) é uma bela e rica jovem que sempre vai atrás do que quer. Um dia ela conhece o advogado Mitch Brenner (Rod Taylor) em uma loja de pássaros e fica interessada nele. Após o encontro, ela decide procura-lo em sua cidade. Ela dirige por uma hora até a pacata cidade de Bodega Day, na Califórnia, onde Mitch costuma passar os fins de semana. Entretanto, Melaine só não sabia que iria vivenciar algo assustador: milhares de pássaros se instalaram na localidade e começam a atacar as pessoas.

Hitchcock provou mais uma vez o quão talentoso ele é, ao abordar um tema nunca visto antes. Os Pássaros é por via das contas, o filme misterioso que não explica o porquê dos ataques. Talvez a intenção do diretor fosse deixar múltiplas interpretações, pois alguns personagens no filme discutem a possibilidade dos animais estarem se vingando dos humanos, ao passo que outros defendem os animais e que eles não são capazes de distinguir certas atitudes. Por isso, o clima de mistério predomina o filme inteiro, que começa com um possível romance, quando de repente as aves começam a tocar o terror na pequena cidade.

Os Pássaros é considerado um filme de terror, porém, ele não assusta. Mas causa desconforto e agonia diante de perseguições e ataques brutais. O filme também consegue se equilibrar e não se torna cansativo e muito menos apelativo, há seus momentos de calmaria, em contrapartida o pânico e o horror tomam de conta em várias cenas. Para um filme da década de 60, onde não se tinha a tecnologia que temos hoje, os efeitos do filme são surpreendentemente bem feitos e não estraga com ataques exagerados. De fato, Hitchcock presenteia seu público com um terror psicológico com uma grande inovação, pois diferente de Psicose, aqui não temos um assassino. 

No entanto, se você acha que a condução do filme terá um desfecho, engana-se. O filme não se preocupa em resolver o mistério dos ataques, mas se foca no medo psicológico das pessoas sobre algo que nunca imaginaria que iria acontecer, e para alguns, o filme tem uma abordagem apocalíptica, conforme alguns personagens do filme acredita. E mesmo que nos dias de hoje o filme não incomoda tanto, mas na sua época foi um estouro, e ao assisti-lo hoje, temos que nos imaginar na década de 60.

Existe algo bem curioso nesse filme: ele não possui trilha sonora. Em nenhum momento do filme, seja no começo ou no fim, ouvimos algum tipo de fundo musical, apenas o som dos pássaros, mas em três momentos músicas são tocadas, só que dentro do cenário do filme. A primeira ocorre na casa de Mitch Brenner, quando Melanie toca o piano. A segunda acontece em uma sequência da escola, quando as crianças cantam enquanto Melanie espera do lado de fora, justamente a cena em que vários pássaros se aglomeram. E a terceira ocorre já no final, quando Mitch liga o rádio. Isso de alguma forma conseguiu contribuir para um filme mais tenso e amedrontador. O filme da essa ideia de que o ser humano tem muito medo do que ele não conhece, e o fato dos pássaros atacarem a cidade de Bodega Day no filme é uma forma de explorar esse medo, já que as pessoas acham que essas aves são inofensivas. 

As atuações são ótimas, destaque para a protagonista Tippi Hedren, linda e deslumbrante, rouba a cena logo nos momentos iniciais. Conforme já mencionado, a premissa inicial nos tende a levar para um romance, mas logo essa perspectiva cai por terra diante da realidade inesperada para os personagens. Enfim, Os Pássaros é um clássico que merece toda atenção e admiração, não apenas por conter algo diferente ou por ser dirigido pelo mito Alfred Hitchcock, mas pela abordagem sensacional que o filme nos trás: o medo daquilo que não conhecemos e também os efeitos especiais que foram muito bem encaixados, apesar da época em que a tecnologia não era muito avançada, isso em si já é uma imensa conquista, e que motiva os cinéfilos de plantão a conferir caso ainda não tenham assistido. 

NOTA: 8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

FORREST GUMP - O CONTADOR DE HISTÓRIAS


Tom Hanks é amplamente conhecido por interpretar personagens dramáticos, na maioria das vezes, seu desempenho é muitíssimo elogiado pela crítica. Vamos falar de um dos melhores filmes desse ator, Forrest Gump: O Contador de Histórias dirigido por Robert Zemeckis, lançado em 1994. O filme recebeu 13 indicações ao Oscar, na qual venceu 6 categorias, o que incluiu o de Melhor Filme. O filme nos conta uma trama bem divertida, retratando momentos históricos para a vida do personagem principal, que narra os acontecimentos de sua vida durante o filme inteiro.

Atenção! Leves spoilers!

Sinopse: Quarenta anos dos Estados Unidos, vistos pelos olhos de Forrest Gump (Tom Hanks), um rapaz com QI abaixo da média e com boas intenções. Por obra do acaso, ele consegue participar de momentos cruciais, como a Guerra do Vietnã e Watergate, e com o pensamento no seu amor de infância, Jenny Curran (Robin Wright). O filme se desenrola com Forrest na parada de ônibus contando sua vida para diferentes pessoas que sentam ali.

Pode parecer estranho para aqueles que não estão acostumados com filmes de drama, mas Forrest Gump: O Contador de Histórias é cheio de simbolismos, na primeira cena do filme, já nos deparamos com uma pena sendo levada pelo vento, sem rumo algum até que esta cai aos pés de Forrest que estava sentado em um banco esperando um ônibus. E a partir daí que o protagonista começa a contar sobre sua vida para a mulher que esta sentada ao seu lado, os ouvintes vai mudando a cada passo da história, cada um deles mostram diferentes reações com a história do jovem protagonista. A pena que cai aos pés de Forrest é vista como a vida sem rumo, e que seria como uma caixa de chocolates, onde não se sabe o que vai encontrar.

A delicadeza pela qual Forrest começa contando sua infância, onde ele deixa bem claro que sempre aprendeu algo com sua amada mãe. Na infância, Forrest é um menino que usa aparelhos nas pernas, que o faz andar de um jeito estranho, sendo motivo de chacota dos colegas. Mas aos poucos Forrest descobre um talento: correr. Mas correr mesmo. Isso gerou até aquela famosa frase: “Corre Forrest!”, quando ele corria para fugir dos colegas da escola. Esse talento, por sua vez, iria ser utilizado em vários momentos do longa, inclusive na travessia de Forrest pelos Estados Unidos durante 3 anos e meio, ficando muito famoso na mídia americana, o motivo dele fazer isso é para compensar o vazio de seu coração após ter seu pedido de casamento recusado por Jenny.

Desde pequeno, ele nutre uma paixão pela Jenny, e ela quando cresce se envolve com muitas coisas erradas, mas Forrest ainda assim não deixa que os erros de sua amada, afete seu sentimento por ela. O diretor conduz um romance, no meio de vários acontecimentos na vida de Forrest, como também as grandes amizades que ele conquistou durante sua vida, entre eles o tenente Dan Taylor (Gary Sinise) e Benjamin Buford, conhecido como “Bubba” (Mykelti Williamson).

Dan Taylor teve a vida salva por Forrest durante a guerra do Vietnã, e por ser bastante orgulhoso, Dan passou a odiar Forrest por tê-lo salvado e deixado viver na angustia de ter perdido as pernas, mas aos poucos, ele vai aprendendo o valor de viver em harmonia, e ao lado de Forrest ele aprende a importante lição de perdoar. Bubba também participou da Guerra do Vietnã; mas ao contrário do tenente Dan, ele acabou morrendo na guerra, o que motivou Forrest a realizar seu sonho, trabalhar com camarão, já que toda a família de Bubba trabalhava com isso. Gump encara diversos desafios no filme, o que eu poderia chama-lo de “o homem que faz de tudo.”

A qualidade técnica do filme é admirável! Parece que realmente o personagem Forrest participou da Guerra do Vietnã. A fotografia e a direção de arte são atrativas e não contém defeitos. Mas, se há uma coisa que mais cativou nesse filme foi a impecável atuação de Tom Hanks! O ator consegue interpretar personagens de diferentes características, e se sai bem em todas! Interpretando Forrest Gump, Hanks convence a todos com sua mentalidade infantil, porém, madura o bastante para distinguir o certo do errado. É deveras mais do que merecido o Oscar de Melhor Ator, sendo o segundo Oscar dessa categoria que ele conquista.

Sobre o romance entre Forrest e Jenny, o filme não direciona a um final feliz, pois o realismo predomina diante das escolhas que Jenny tem feito ao longo de sua vida. Isso é mais do que compreensível, por que se fosse do jeito que as pessoas gostariam que terminasse, o longa seria muito apelativo, e isso acabaria por estragar toda a história.

Forrest Gump: O Contador de Histórias é uma comédia romântica com diversos toques dramáticos, refletidos em especial através de simbolismos que nos dão a ideia de reflexão sobre a vida e o mundo que vivemos. Pra quem não sabe, o filme é baseado no romance homônimo de 1986 escrito por Winston Groom, portanto o longa é uma adaptação autêntica e admirável! 

NOTA: 10/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

PLATAFORMA DO MEDO


O talentoso Christopher Smith se tornou conhecido por dirigir filmes de terror, em suas produções contém histórias macabras, mas bem desenvolvidas e exploradas de acordo com a premissa que é levantada no inicio de seus filmes. Smith dirigiu o terror psicológico Triângulo do Medo de 2009, e vamos falar aqui de sua primeira produção, sendo a estreia do cineasta no mundo do cinema. Plataforma do Medo foi lançado em 2004, seu título original é Creep, é estrelado por Franka Potente, Vas Blackhood, Ken Campbell, Jeremy Sheffield e Paul Rattray.

Sinopse: Kate (Franka Potente) pretende pegar o último metrô, na tentativa de se atirar para um possível galã. Porém, após adormecer na estação de metrô de Londres, ela termina ficando presa no local. Seu maior problema não é permanecer na estação durante a noite, mas sim ter que lidar com os mendigos e estupradores que rondam as estações da cidade. Mas o principal problema se encontra em uma criatura que vive nos esgotos, que mata as pessoas que encontra pela estação.

O filme pode até ser clichê em alguns pontos, mas se seu objetivo foi de passar medo e agonia, isso sem sombras de dúvidas, ele conseguiu. A personagem Kate, parecia a princípio uma "patricinha" indefesa, mas ao longo do filme, ela vai se revelando corajosa, ao ter que lutar para salvar a vida. Após se perder na estação, ela é surpreendida com um metrô fora de hora, onde ela entra, mas não vê nenhum passageiro. Nisso ela acaba sendo atacada por um “amigo” que ela havia dado um fora no inicio do filme, o pervertido Guy (Jeremy Sheffield) que tenta estuprá-la. Mas, durante a tentativa, alguma coisa aparece do lado de fora do metrô e ataca o agressor e o puxa para fora. Kate é obrigada a pedir a ajuda de mendigos que vivem ali, mas o assassino vai pegando um a um, até que Kate se encontre sozinha.

O filme não mostra logo de imediato a verdadeira identidade do vilão, o que acontece apenas perto do final. Isso foi algo que ajudou muito para um clima mais tenso e medonho. E na cena em que vemos a face da criatura, depois de muito silêncio na escuridão. Smith acerta em cheio nessa cena, ao fazer o espectador gritar quando a câmera de repente dá um close na cara horrorosa dele.

O filme não se preocupa em explicar como esse vilão foi parar nos esgotos, mas existem algumas pequenas informações durante o longa, que fica a critério do próprio espectador interpretar da sua maneira. Plataforma do Medo também não entra em detalhes sobre como que ninguém naquela estação tinha conhecimento sobre essa criatura. A real intenção do filme é passar medo, apenas isso. No entanto, além do medo, o filme contém algumas cenas bem violentas, das quais jorram muito sangue.

Apreciando sua estreia, posso afirmar que Christopher Smith fez um ótimo trabalho, ele não se preocupa em apenas mostrar medo e sangue, há um clima de suspense formidável durante o filme inteiro, que nos prende até o fim. Cenas bem dirigidas e atuações medianas. O filme não enrola em nenhum momento, e nos conduz habilmente para o clímax, sem que percebamos o tempo passar. De fato, foi uma bela estreia para o cineasta que após isso se consagraria com o gênero terror.

É realmente uma pena que nem todos conhecem o cinema de terror britânico. Aqui os fãs encontrarão diferentes histórias e criaturas macabras e aterrorizantes. Não desmerecendo os bons filmes de terror americanos, mas os britânicos tem um jeito diferente para produzir filmes do tipo. Vale ressaltar que Plataforma do Medo, apesar do roteiro simples e sem muitas explicações, ele pode ser considerado um dos filmes mais assustadores do ano de 2004. 

NOTA: 7,5/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sábado, 14 de outubro de 2017

O MESTRE DAS ARMAS (2006)


O Mestre das Armas é um filme chinês de artes marciais baseado na vida de Huo Yuanjia (1867-1910), co-fundador da escola Jing Wu Athletic Association, na cidade de Shanghai na China. Dirigido por Ronny Yu, estrelado por Jet Li, Shidô Nakamura, Yong Donge e Sun Li, o filme foi lançado em 2006. Sendo uma espécie de biografia da vida de Huo, O Mestre das Armas se passa entre o final século XIX e o começo do século XX.

Huo Yuanjia (Jet Li) é um famoso mestre de artes marciais na China, sendo muito respeitado por outros mestres. Porém, através de uma confusão envolvendo um de seus discípulos, Huo desafia o mestre Kim para um duelo, o que acaba resultando em sua morte. Mas isso gerou em uma tragédia após outra, pois um sobrinho de Kim assassina a mãe e a única filha de Huo, que imediatamente mata o assassino, causando sofrimento em ambas as famílias. Depois, ele descobre que a luta com o mestre Kim não foi um duelo justo, já que um de seus discípulos o havia insultado.

Carregado pelo sentimento de culpa, ele passa a caminhar sem rumo, se lamentando por seus atos. Após ser encontrado por camponeses, ele descobre mais uma vez o valor da vida, e isso o induzem a voltar para sua terra. No entanto, ao chegar lá, ele encontra uma China totalmente dominada por estrangeiros, e os chineses estavam perdendo seu espaço. Huo decide então resgatar a dignidade do povo chinês lutando contra os estrangeiros, mas ao contrário de antes quando tinha o espirito de competitividade, ele quer agora apenas para conquistar o respeito dos estrangeiros.

Uma biografia bem interessante e que não apenas quer mostrar violência gratuita, mas o respeito que um artista marcial merece perante pessoas que não conhecem a sua cultura. O filme é bem conduzido ao seu propósito de maneira perspicaz. Jet Li está em uma de suas melhores atuações, porém, em algumas lutas iniciais deixou um pouco a desejar. Em contrapartida, a sua habilidade no uso de armas é o ponto forte de todo o longa, e que para mim fez valer a pena. Porém, houve especulação de que este seria o último filme de Jet Li em Hong Kong, mas em 2008 ele protagonizou O Reino Proibido ao lado de Jackie Chan, sem mencionar outros trabalhos mais recentes. Portanto, este não foi o último filme de Li.

A história de Huo Yuanjia é cheia de controvérsias, seja a respeito de seu modo de vida ou a maneira como ele morreu. No entanto, O Mestre das Armas nos traz mais ou menos uma visão geral da sua vida, tanto na infância como também na vida adulta. É evidente perceber que esse cara fez história entre o povo chinês, inclusive ele é citado em outros filmes de artes marciais, tais como A Fúria do Dragão de Bruce Lee.  

Se no filme O Mestre das Armas, há um grau muito alto de violência, sim há. Inclusive o uso de armas, tais como espadas, contribui muito para um filme sanguinário. Todavia, o toque dramático que o filme nos repassa se torna tão importante para que duas raças possam se unir, apesar de algumas diferenças de cultura e religião. Vale mencionar a luta em que Huo tem com um boxeador americano, interpretado por Nathan Jones. Nesse combate, o mestre Huo deixa de lado o espirito competitivo e mostra perante toda uma plateia que os chineses são civilizados, porém, nem todos os estrangeiros pensam assim. Nesse quesito, se o filme nos trouxe uma tendência sobre a atitude dos estrangeiros, conforme alguns criticaram, eu não sei, só sei que nem todo estrangeiro do filme é arrogante, alguns como o boxeador americano citado, reconhece a dignidade do mestre Huo durante a luta. Isso pra mim não foi um ponto negativo de maneira nenhuma.

Por ser uma biografia, e ainda mais protagonizada por Jet Li, O Mestre das Armas é um filme que vale a pena conferir, principalmente se você gosta de filmes orientais. É claro que tem pessoas que não apreciam esse tipo de filme, mas conforme eu costumo dizer sempre: não vá pela cabeça dos outros, tire a prova você mesmo. 

NOTA: 7,8/10

Veja o trailer:

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O PODEROSO CHEFINHO


Os filmes de animação sempre são interessantes, mesmo para os adultos. Em sua grande maioria nos conta fábulas com o intuito de fazer rir, mas também deixa uma mensagem final para todos, sejam crianças ou adultos. O filme The Boss Baby conhecido no Brasil como O Poderoso Chefinho foi lançado em 2017 e divertiu a criançada ao redor do mundo com uma história hilária, repleta de momentos engraçados e inusitados. Produzido por DreamWorks Animation, o filme foi dirigido por Tom McGrath e escrito por Michael McCullers. É estrelado por Alec Baldwin e Steve Buscemi.

Tim, um menino de sete anos de idade, passa a sentir ciúmes de seu novo irmão, um bebê de terno que depois se apresenta como um bebê falante, e fala com toda a confiança, usando vocabulário normal para adultos. Ao tentar resgatar o carinho de seus pais e provar que o bebê não é o que aparenta ser, Tim descobre um segredo que ameaça o equilíbrio de amor que existe no mundo. E o chefinho (conforme o bebê de terno é chamado) estava em uma importante missão na tentativa de impedir essa ameaça. E Tim se junta a ele, pois se ele conseguir ter êxito na missão iria embora de sua casa, deixando Tim recebendo sozinho o carinho de sua família.

Uma premissa bem simples e que se desenvolve de uma maneira bem sucedida, apesar de haver algumas situações irrelevantes durante o filme. Pelo seu título no Brasil ser O Poderoso Chefinho, nos faz lembrar a obra-prima dos anos 70, O Poderoso Chefão, mas essa animação não tem absolutamente nada a haver com esse clássico e com sua história, já que ali abordava a máfia, e em O Poderoso Chefinho não faz alusão alguma sobre esse tema. Portanto, esse título brasileiro foi um grande erro, apesar de combinar muito bem com o bebê do filme.

The Boss Baby inicialmente me deixou com algumas dúvidas em relação ao bebê que fala como se fosse um adulto, mas durante o desenrolar da película, vai sendo explicado por que os bebês são assim. E é claro que isso foi um alívio, pois eu já estava com receio de me decepcionar com o filme, mas felizmente isso não aconteceu! O Poderoso Chefinho é muito divertido e houve algumas cenas que me fizeram cair na gargalhada, se bem que seu toque dramático é um dos pontos fortes, já que Tim inicialmente não ia com a cara do chefinho, mas durante a convivência entre ambos, podemos notar o nascimento do amor entre irmãos, e isso deixa uma mensagem linda e prática para as crianças aplicarem na vida.

É impossível não simpatizar-se com Tim, que é um personagem que luta pelo amor da família. Mas o chefinho rouba a cena, literalmente falando. Seu jeito mandão e com mentalidade adulta é uma das coisas que mais diverte no filme, sua rivalidade com Tim nos momentos iniciais são deslumbrantes, pois os efeitos de animação são muito lindos e atrativos! E mesmo que o filme tenha se deslocado um pouco da sua premissa inicial, apelando para “super-heróis”, o filme é muito recomendado para a garotada, que sem dúvida irá amar! 

NOTA: 8,2/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A ORIGEM (2010)


“O filme dos sonhos”. É dessa forma que muitos fãs enxergam o filme A Origem de Christopher Nolan, que mais uma vez surpreende os fãs da sétima arte com suas produções cinematográficas que marcam época. Sem dúvidas, A Origem será considerado um clássico do cinema nas próximas gerações. O filme foi lançado em 2010, sendo escrito, produzido e dirigido por Nolan, e é estrelado por Leonardo DiCaprio, Ellen Page e Joseph Gordon-Levitt. O filme foi indicado a oito Oscar incluindo Melhor Filme, e venceu quatro categorias: Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Visuais.

Sinopse: Em um mundo onde é possível entrar na mente humana, Cobb (Leonardo DiCaprio) está entre os melhores na arte de roubar segredos valiosos do inconsciente, durante o estado de sono. Além disto, ele é um fugitivo, pois está impedido de retornar aos Estados Unidos devido à morte de Mal (Marion Cotillard). Desesperado para rever seus filhos, Cobb aceita a ousada missão proposta por Saito (Ken Watanabe), um empresário japonês: entrar na mente de Richard Fischer (Cillian Murphy), o herdeiro de um império econômico, e plantar a ideia de desmembrá-lo. Para realizar este feito ele conta com a ajuda do parceiro Arthur (Joseph Gordon-Levitt), a inexperiente arquiteta de sonhos Ariadne (Ellen Page) e Eames (Tom Hardy), que consegue se disfarçar de forma precisa no mundo dos sonhos.

Observação para quem não viu o filme: quando eu digo nesse texto que os personagens do filme mergulham em vários sonhos, significa que é um sonho dentro de outro sonho. Para exemplificar, imagine que você está sonhando sentado em um parque, e nesse parque você acaba dormindo e sonha assistindo filme no cinema. Aqui você tem dois sonhos, o que você está no parque e o que você está no cinema. Só que o sonho do cinema surge a partir do momento em que você dorme no parque. Os níveis de sonhos do filme acontecem exatamente dessa forma.

Eu poderia caracterizar esse filme como um daqueles complexos, pois eu precisei assistir duas vezes para poder entender a mensagem geral que ele repassa. A ideia de Nolan em abordar sonhos é extremamente interessante, por que nosso subconsciente projeta situações quando estamos, por assim dizer, desligados. O filme aborda esse assunto de uma maneira tão bem feita, que mesmo com toda a complexidade que tem, não encontramos nenhuma incoerência. Os personagens principais do filme são como um grupo de ladrões, que roubam informações ao penetrar no subconsciente de suas vítimas. É claro que tudo isso é surreal demais, no entanto, o modo como a trama se desenrola torna-se tão real que queríamos muito poder fazer como eles.

O evento central do filme é quando Cobb e Arthur são abordados por um de seus clientes, Sr. Saito para realizar o procedimento com o filho do dono de uma empresa concorrente, Robert Fischer, o intuito disso é que ele feche a empresa do pai que estava morrendo. No entanto, a equipe de Cobb acaba se deparando com uma situação muito difícil, pois o procedimento passa a ser o inverso da extração, sendo chamada de inserção, e para ter êxito, eles precisam penetrar bem fundo na mente da vítima, fazendo com que mergulhem em vários níveis de sonhos para se aproximar do subconsciente, e antes disso, Cobb havia contratado uma arquiteta Ariadne, que criará todo o ambiente dos sonhos.

Porém, Cobb enfrenta um dilema familiar que aconteceu no passado, e essa luta interna acontece durante todo o filme, que muitas vezes o afeta e impede de realizar seu trabalho de uma forma segura. As características envolvendo sonhos no filme são magníficas, pois o que acontece na vida real enquanto se esta dormindo, a mente faz com que tal acontecimento seja incorporado dentro do sonho. Por exemplo, em uma das melhores cenas do filme na parte em que eles mergulham em vários sonhos, em que a duração de tempo em ambos difere muito. No primeiro sonho, eles estão em uma van sendo perseguidos, e apenas o motorista está acordado, o restante mergulham em um segundo sonho no hotel, onde apenas Arthur permanece acordado, e é nessa cena em que é acionado de uma forma espetacular o que estava ocorrendo com a van (no primeiro sonho), o carro começa a capotar, e no hotel onde Arthur estava acordado começa a girar em até 360°, fazendo com que ele corra pelas paredes e pelo teto. Uma cena sensacional misturada com movimentos da câmera de uma maneira impecável!

Outra cena que merece destaque pela sua fotografia está na criação do ambiente que o personagem está sonhando, Ariadne, por exemplo, em uma cena ela cria o ambiente da cidade de onde vive, fazendo com que as ruas se tornem paredes e tetos, sendo possível caminhar através deles. E outro detalhe que merece atenção está na maneira que faz a pessoa acordar, sendo chamada de “chute”, é a sensação de queda que sentimos nos sonhos que fazem nosso coração disparar acordando-o em seguida. Tudo isso é mencionado e utilizado com precisão nesse filme.

A Origem é realmente uma produção divina, uma obra de arte sem igual, e que merece toda a admiração dos cinéfilos! Nolan já havia mostrado talento com outras grandes obras, tais como Batman: O Cavaleiro das Trevas, e dirigir novamente outra obra-prima e mais uma vez usando um elenco fortíssimo, não poderia deixar de ser um grande filme. Para alguns, esse filme foi fácil de entender, já para outros, o longa foi bem complexo e necessitou ver mais de uma vez para entender, e eu me encaixo nessa segunda categoria. E se você ainda não assistiu A Origem, corra imediatamente para ver. 

NOTA: 10/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

domingo, 8 de outubro de 2017

BATA ANTES DE ENTRAR (2015)


O diretor Eli Roth caiu nas críticas negativas já há algum tempo ao produzir filmes toscos e medíocres. Em 2015 ele tentou se sobressair ao dirigir o filme Bata Antes de Entrar, título original Knock Knock lançado em 2015 com uma pose de filme de suspense e terror. No elenco, só contamos principalmente com três atores: Keanu Reeves, Lorenza Izzo e Ana de Armas. Pois bem, já adianto logo que esse filme é uma droga total, daquelas que você lamenta por não ter como recuperar o tempo que você gastou para assisti-lo.


O filme conta como é a vida do personagem de Reeves, chamado Evan. Ele é um arquiteto casado com uma artista plástica e tem dois filhos com ela. Por causa de seu trabalho, Evan tem que ficar sozinho em casa no final de semana, enquanto sua esposa e filhos viajam para uma casa de praia. Na primeira noite, cai uma tempestade e é nessa hora que duas belas jovens batem na porta de Evan, afirmando que estão perdidas e que precisam de abrigo. Uma delas é Genesis (Lorenza Izzo) e a outra é Bel (Ana de Armas).

Nessa parte já se torna claro qual é a real intenção dessas mulheres: seduzir o cara, e após algumas tentativas fracassadas de Evan tentar resistir, acaba rolando sexo a três. No dia seguinte, as garotas não aceitam sair da casa, e Evan fica nervoso e isso resulta em ameaças da parte das garotas. Elas afirmam ser menores de idade, isso significaria que Evan é um pedófilo. As duas até que saem de casa, mas acabam retornando, fazendo da vida de Evan um verdadeiro inferno, apelando até mesmo para violência. Se tornando refém, Evan começa a participar de um jogo perigoso com as duas malucas, elas até mesmo o enterram. (Cena muito apelativa, por sinal).


Sinceramente, não sei qual a real intenção do filme, além de mostrar sexo, violência e jogos sádicos. Tudo gratuito! Sem a menor justificativa. O pior não é isso, e sim quando chegamos ao final do filme. A coisa fica tão ridícula que chega a nos fazer rir da situação e até mesmo de raiva com esse roteiro idiota! Na maior parte, o filme é bastante cansativo e não nos repassa tensão nenhuma e é digno de nota que a crítica especializada tenha detonado essa produção. Muitas pessoas se arrependeram ao gastar dinheiro no cinema, o que é bem comum acontecer com esses filmes recentes.

Pra mim, esse foi o pior filme de Keanu Reeves que já assisti. Não apenas pelo filme ser ruim, mas a atuação dele foi escrota demais. Não parece aquele cara da saga Matrix, é visível perceber que sua carreira tem declinado muito nos últimos anos. Já as garotas malucas do filme, só servem para esbanjar beleza e sensualidade, pois em termos de atuação, elas foram até piores do que Reeves.


Com toda minha sinceridade, eu fico muito triste ao ver os produtores de cinema investir em obras toscas como essa. Dinheiro jogado fora, bem que poderia usá-lo para algo mais útil, mas infelizmente essa é uma das coisas que mancham a sétima arte. O que nos consola é saber que as vastas maiorias das produções já feitas na história do cinema são de sucesso, e que valeram a pena ter investido. Em resumo sobre esse texto, o filme Bata Antes de Entrar é fraco, tosco, medíocre e extremamente ruim! Minha opinião e recomendação pessoal é que não percam tempo assistindo isso, só estou escrevendo esse texto como uma espécie de desabafo, mas se você preferir se arriscar, vá em frente! 

NOTA: 3,7/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

DIVERGENTE



Antes de tudo, quero deixar bem claro que não li o livro de Veronica Rooth, de onde o filme foi baseado, assim o que irei falar aqui se limita apenas a minha visão do filme. Divergente foi lançado em 2014 com a direção de Neil Burger e é estrelado por um elenco bem jovem, Shailene Woodley, Theo James e Zoe Kravitz, e ainda temos a participação de Kate Winslet (A Rose do Titanic). 

É um filme pós-guerra, onde a cidade futurística de Chicago estava dividida em cinco facções baseando nas grandes qualidades de seus integrantes: Audácia (Coragem), Abnegação (Altruísmo), Erudição (Inteligência), Franqueza (Verdade) e Amizade (Bondade). E todo ano, os jovens que completam 16 anos devem fazer um teste para ver com qual facção combinam mais e, numa cerimônia, escolherem qual eles pretendem passar o resto de suas vidas. 


A protagonista do filme é Beatrice Prior (Shailene Woodley) que em seu teste dá Divergente, o que significa que ela é capaz de driblar as simulações dos testes e seu cérebro consegue aguentar mais de uma facção. E no dia da cerimônia, Beatrice surpreende a todos e a si mesma, ao escolher a facção da Audácia, que é contrária a da sua própria família, tendo que abandoná-la. 

Na facção da Audácia, Beatrice passa a ser chamada de Tris e conhece outros jovens que terão de mostrar coragem ao passar por provas de resistência. Um desses jovens é Quatro (Theo James), que é mais experiente que os demais, e fica fascinado por Tris e ela por ele, e dessa forma nasce um par romântico que andará a partir daí lado a lado, no entanto, não pense que por causa disso, o filme será envolvido com romance, muito pelo contrário, Divergente é repleto com cenas de ação e combate, a química dos protagonistas fica em segundo plano.


Apesar de ter tido muitas críticas negativas em relação ao conteúdo, eu gostei bastante do filme, conseguiu me prender durante os seus 140 minutos e o que mais me fascinou foi a dinâmica dos personagens, e é claro também a participação de Kate Winslet como principal antagonista, é óbvio que não é a melhor personagem de sua carreira, mas vê-la em cena já é em si uma grande satisfação. 

Como eu disse anteriormente, eu não li o livro Divergente, então eu não posso fazer comparações do filme para com o livro, mas pesquisando as opiniões de pessoas que leram, pude perceber uma mistura. Alguns o consideraram o filme totalmente fiel ao livro, já outros acham que a leitura é a melhor opção. E por conta dessas diferenças de opinião, eu pretendo um dia ler o livro da autora Veronica Rooth, só assim conseguirei ter uma opinião completa sobre essa obra.


Voltando a falar do filme, as cenas de combate é um dos pontos negativos que achei, pois as lutas são muito forçadas e não cria um clima de emoção perante todo o pesado treinamento da facção da Audácia. E esse foi o primeiro filme da Shailene Woodley que assisti, e me simpatizei com sua beleza, mesmo que em alguns momentos do filme, sua atuação não foi lá das melhores. Já o ator Theo James tem muito talento diante das câmeras, sendo o segundo filme dele que vi (o primeiro foi Anjos da Noite: O Despertar), e espero vê-lo em outras grandes obras que não seja sobre a série Divergente.

Divergente gerou outras sequências, porém, bem mais fracas. No entanto, eu recomendaria para quem gosta de filmes de aventura, estilo Jogos Vorazes, e mesmo com alguns defeitos, o filme consegue passar clima de tensão, adrenalina e uma pitada de romance entre os protagonistas. Sendo direcionado principalmente ao público adolescente, com certeza agradará a eles, porém, aos mais exigentes, Divergente não é nada mais do que um passatempo. 

NOTA: 7,6/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: