O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), lançado em 1939 pela Metro-Goldwyn-Mayer, é um dos maiores clássicos da história do cinema. Dirigido principalmente por Victor Fleming (1889-1949) e baseado no livro The Wonderful Wizard of Oz, de L. Frank Baum, o filme mistura fantasia, aventura, musical e drama em uma história que atravessou gerações. Estrelado por Judy Garland (1922-1969), o longa tornou-se especialmente conhecido por sua utilização inovadora do Technicolor, por suas músicas inesquecíveis e pela criação de um dos universos fantásticos mais reconhecidos do cinema.
A história acompanha Dorothy Gale, uma jovem que vive com seus tios em uma fazenda no Kansas. Depois que um poderoso tornado atinge a região, Dorothy e seu cachorro Totó são transportados para a fantástica Terra de Oz. Ao chegar, ela descobre que sua casa caiu sobre a Bruxa Má do Leste e, sem querer, provoca sua morte.
Perdida em um mundo completamente desconhecido, Dorothy descobre que a única maneira de voltar para casa é procurar o misterioso Mágico de Oz, que vive na Cidade das Esmeraldas. Para chegar até ele, segue pela famosa Estrada de Tijolos Amarelos e encontra três companheiros que também possuem seus próprios desejos: o Espantalho, que acredita não ter cérebro; o Homem de Lata, que deseja um coração; e o Leão Covarde, que acredita não possuir coragem.
O grupo funciona extraordinariamente bem! Cada personagem possui uma personalidade distinta e, ao mesmo tempo, representa uma característica humana. O Espantalho busca inteligência, o Homem de Lata procura sentimentos e o Leão deseja coragem. Curiosamente, ao longo da jornada, eles demonstram justamente aquilo que acreditam não possuir.
Judy Garland é o grande coração do filme. Sua interpretação de Dorothy transmite inocência, determinação e sensibilidade, tornando a personagem extremamente carismática. E é impossível falar de Garland em O Mágico de Oz sem mencionar "Over the Rainbow", uma das músicas mais famosas da história do cinema. A canção expressa o desejo de Dorothy por um lugar melhor e se tornou praticamente inseparável da imagem da atriz e do filme.
Os companheiros de Dorothy também são inesquecíveis. Ray Bolger transforma o Espantalho em uma das figuras mais divertidas da produção, enquanto Jack Haley e Bert Lahr fazem do Homem de Lata e do Leão Covarde personagens extremamente simpáticos. A química entre os quatro protagonistas é um dos grandes responsáveis pelo encanto da aventura.
A Bruxa Má do Oeste, interpretada por Margaret Hamilton (1902-1985), é outra personagem que entrou para a história. Sua aparência, sua risada e sua presença ameaçadora ajudaram a estabelecer uma imagem que seria repetida inúmeras vezes em outras obras de fantasia. Ela funciona como a principal ameaça da jornada, perseguindo Dorothy principalmente por causa dos famosos sapatos de rubi.
Visualmente, o filme continua impressionante considerando sua idade. Um dos maiores triunfos está no contraste entre o Kansas, apresentado inicialmente em tons de sépia, e a colorida Terra de Oz. Quando Dorothy abre a porta de sua casa e revela aquele mundo vibrante, temos uma das transições mais famosas da história do cinema. O uso do Technicolor foi especialmente marcante para a época e ajudou a transformar Oz em um lugar verdadeiramente mágico.
A trilha sonora também é fundamental para a experiência. Além de "Over the Rainbow", músicas como "We're Off to See the Wizard" e "If I Only Had a Brain" se tornaram clássicos. As canções não estão simplesmente inseridas na história: elas ajudam a desenvolver os personagens e a transmitir seus desejos.
Outro aspecto que torna o filme tão especial é sua mensagem. Por trás de toda a fantasia existe uma história sobre amizade, coragem, inteligência, afeto e o valor de voltar para casa. Dorothy passa boa parte da aventura procurando algo que acredita estar distante, mas sua jornada acaba mostrando que aquilo que ela procura talvez estivesse muito mais próximo do que imaginava.
O filme também trabalha muito bem a ideia de que não precisamos receber algo de outra pessoa para descobrir nossas próprias qualidades. O Espantalho demonstra inteligência, o Homem de Lata demonstra compaixão e o Leão demonstra coragem antes mesmo de receber qualquer suposto presente do Mágico. A jornada apenas faz com que eles percebam aquilo que já existia dentro deles.
Apesar de algumas limitações inevitáveis para uma produção de 1939, O Mágico de Oz continua surpreendentemente envolvente. Seus efeitos especiais, cenários e maquiagem podem parecer datados para o espectador moderno, mas possuem um charme próprio e ajudam a preservar a identidade de uma época em que o cinema estava descobrindo novas possibilidades para representar a fantasia.
Mais de oito décadas depois, o filme continua sendo considerado um marco cinematográfico e cultural. Sua influência pode ser percebida em inúmeras produções posteriores, e sua permanência no imaginário popular demonstra a força de sua história e de seus personagens. O longa também está entre as obras reconhecidas por sua importância cultural, histórica e estética.
No geral, O Mágico de Oz é uma verdadeira obra-prima do cinema fantástico. Com uma protagonista inesquecível, personagens carismáticos, músicas clássicas, cenários encantadores e uma mensagem atemporal, o filme continua capaz de despertar o mesmo sentimento de encantamento que provocou em gerações anteriores. Mais do que uma simples aventura infantil, é uma celebração da amizade, da coragem e, principalmente, daquele lugar especial que todos nós chamamos de lar.
NOTA: 9/10



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