A história acompanha Baby, um jovem e habilidoso motorista de fuga que trabalha para Doc, um criminoso responsável por organizar assaltos. Baby possui um problema de audição causado por um acidente na infância e está constantemente ouvindo música para amenizar o zumbido em seus ouvidos. Por isso, praticamente tudo o que faz é acompanhado por uma trilha sonora particular.
Apesar de trabalhar no mundo do crime, Baby deseja abandonar essa vida. Ele se apaixona por Debora, uma jovem garçonete que compartilha com ele o sonho de pegar a estrada e começar uma nova vida. Quando acredita finalmente ter quitado sua dívida com Doc, Baby tenta deixar os assaltos para trás. Porém, um novo trabalho o coloca novamente ao lado de criminosos perigosos, e dessa vez as consequências serão muito mais graves.
Ansel Elgort entrega uma atuação bastante carismática como Baby. O personagem fala pouco, mas se comunica principalmente através de seus gestos, expressões e, principalmente, da música. Sua habilidade ao volante também faz dele um protagonista extremamente interessante, já que as perseguições são construídas quase como números musicais. E é justamente aí que está o maior diferencial do filme. Edgar Wright sincroniza movimentos, tiros, perseguições e até diálogos com as músicas que Baby está ouvindo. A montagem transforma uma simples fuga de carro em uma verdadeira coreografia. Canções como Bellbottoms, Hocus Pocus e Tequila não aparecem apenas como trilha sonora: elas ajudam a determinar o ritmo das cenas.
O elenco secundário também é excelente. Kevin Spacey interpreta Doc, o criminoso que mantém Baby preso ao mundo dos assaltos. Jamie Foxx, Jon Hamm e Eiza González formam parte da perigosa equipe de criminosos, enquanto Lily James interpreta Debora, o interesse amoroso de Baby. Cada personagem possui personalidade própria, e as relações entre eles ajudam a aumentar a tensão conforme a história avança.
As cenas de ação são outro grande destaque. As perseguições não dependem apenas de explosões e destruição, mas utilizam os carros de maneira criativa. Baby dirige com precisão quase artística, utilizando manobras inesperadas para escapar da polícia. A direção de Edgar Wright faz com que essas sequências tenham identidade própria e evita que pareçam apenas mais uma perseguição genérica de Hollywood.
O filme também consegue equilibrar ação e romance sem perder o ritmo. O relacionamento entre Baby e Debora representa a possibilidade de uma vida normal que ele deseja alcançar, enquanto o mundo do crime constantemente o puxa de volta. Essa dualidade torna o protagonista mais interessante e ajuda a explicar suas escolhas. Outro mérito é a fotografia e a montagem. A cidade de Atlanta é utilizada de maneira muito criativa, e diversos elementos do ambiente são incorporados à música que Baby escuta. Pessoas caminhando, placas, objetos e movimentos cotidianos parecem fazer parte de uma grande coreografia.
No geral, Em Ritmo de Fuga é um dos filmes de ação mais originais dos anos 2010. Edgar Wright consegue unir música, direção, montagem e ação de uma maneira extremamente criativa, transformando cada perseguição em um espetáculo audiovisual. Com um protagonista carismático, excelente trilha sonora e cenas de ação memoráveis, o filme prova que uma boa perseguição de carros pode ser muito mais do que velocidade e explosões: pode também ser música, ritmo e cinema em seu estado mais divertido.
NOTA: 8,5/10


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