terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

INVASÃO ZUMBI (2016)


O cinema sul-coreano veio para ficar. Estou cansado de falar isso para alguns de meus amigos cinéfilos. A maneira como os asiáticos fazem seus filmes, mesmo abusando dos clichês, é algo impressionante. Digo isso por que a maioria das pessoas consideram os filmes clichês como ruins, que não inovou em nada. Mas, na minha humilde opinião, clichê ou não, o que faz um filme bom é o modo como ele é feito e se irá cumprir sua premissa inicial. Com o filme sul-coreano Invasão Zumbi lançado em 2016, os clichês pouco importa quando a produção consegue cumprir suas perspectivas, como muita tensão, ação, luta pela sobrevivência e atitudes bizarras que o ser humano toma para salvar sua pele.

Dirigido por Yeon Sang-ho, que consegue conduzir o filme mostrando um pouco de cada personagem que irá ter seus momentos. O filme se centra dentro de um trem de alta velocidade com destino à cidade de Busan. Porém, o país está passando por uma epidemia mortal, onde um vírus transforma as pessoas em zumbis e que se espalha rapidamente. Quando se pensa que dentro do trem está seguro, engana-se, pois uma moça infectada entra no vagão e passa a infectar os passageiros, e a contaminação a partir daí é inevitável, só restando então lutar pela sobrevivência.


No inicio somos apresentados ao protagonista do filme, um executivo obcecado pelo trabalho e, que quase não dar atenção para a filha, um sinal claro disso é quando ele da o mesmo presente de aniversário para a garota. Para recompensa-la, ele a acompanha para levar a menina para passar o aniversário com a mãe, já que eles eram separados. Ele é um pouco egoísta e a garota é extremamente solidária e rouba a cena toda vez que aparece, e à medida que o filme vai caminhando, os dois vão desenvolvendo melhor o vínculo entre pai e filha, onde ele principalmente irá aprender com ela lições importantes em relação as suas próprias atitudes. A jornada de ambos consiste em embarcar em um trem, onde iremos conhecer outros personagens que irão ganhar algum destaque ao longo do filme.

Lá dentro, conhecemos um casal onde a mulher está grávida, uma equipe de beisebol e suas líderes de torcida, duas senhoras, um funcionário da empresa de trens muito egoísta, e um mendigo que corre para o vagão com medo dos ataques que ocorrem fora do trem. Os passageiros não sabem o que se passa do lado de fora, e o filme não se preocupa em explicar as causas da infecção, a não ser em uma cena inicial que podemos interpretar a causa, onde é dito que houve um vazamento em uma empresa de químicos. Afinal, tal cena não pode ser gratuita, tem sim o seu contexto mesmo que nada no filme explique. Então, cabe a nós que assistimos interpretar da melhor forma.


No trem, quando todos pensavam estar seguros, uma moça infectada entra se transformando. A transformação é muito rápida e consiste em fazer com que o infectado tenha convulsões e se mexa de uma forma sinistra e bizarra. Quando o primeiro passageiro é mordido, se transforma e o caos se instala. Achei muito interessante a forma como a direção cria um clima altamente tenso dentro de um local limitado cheio de pessoas. Acha desesperador ter em companhia zumbis bizarros dispostos a ataca-lo? Prepare-se para o pior.

O medo e o desespero toma conta de tudo. Os personagens coadjuvantes ganham o destaque que devem, como o casal que fica próximo a menina e o funcionário da empresa de trens que faz com que o clima dentro do local ficasse ainda pior, por apenas pensar em si mesmo, fazendo com que os passageiros fiquem contra uns aos outros em beneficio próprio. Isso faz com que o perigo se duplique mais ainda onde a frieza e a impossibilidade de querer ajudar o próximo ganhe mais espaço. Por outro lado, sentimos empatia por outros personagens, como as duas senhoras, o marido da grávida, como também a própria e principalmente a garotinha que em pleno aniversário se vê diante de uma situação aterradora. Um dos membros da equipe de beisebol e uma das líderes também ganha espaço e não queremos que eles terminem de forma trágica, mas como dito, parece mais que os personagens egoístas são muito piores do que os próprios zumbis.


O roteiro ainda acerta por incluir a incapacidade dos zumbis de enxergarem no escuro, dando a chance necessária para que os personagens tenham uma vantagem na luta pela sobrevivência. Vale destacar a cena incrível onde alguns passageiros precisam passar por alguns vagões repletos de zumbis para poderem salvar seus entes queridos, e a principal arma? A hora em que o trem entra em um túnel, onde tudo fica escuro e facilita a passagem no meio dos infectados, o filme nos presenteia também com boas cenas de ação que mesclam junto ao terror e o desespero para não ser infectado.

O final de Invasão Zumbi é de partir o coração. Ficamos com muito ódio de um dos personagens que praticamente por causa dele, a carnificina foi maior do que o esperado. Mas, é justo perceber que tais acontecimentos seriam previsíveis, já que o filme não apenas traz ameaça da parte dos zumbis, mas também dos que lutam pela sobrevivência.


Invasão Zumbi é clichê? Sim! Por ser clichê é um filme ruim? Nunca! Apesar de abordar um tema muito comum, a forma como a narrativa se segue, explorando o medo e o egoísmo foi algo extremamente notório e criativo. O longa não abusa apenas na questão da infecção, mas em cada sentimento expresso pelos personagens que de alguma forma mostram aspectos diferentes um do outro. Sacrífico para salvar quem ama, morrer junto com a pessoa que gosta, se vingar dos egoístas que propositalmente impede a sobrevivência de terceiros e por fim, a típica situação antes você do que eu. De modo geral, o filme claramente mostra os dois lados opostos do ser humano quando se vê diante de uma situação de vida ou morte.

Como eu já falei aqui no blog e torno a repetir, o cinema sul-coreano é bom, é de qualidade e tem feito ótimos trabalhos nos últimos anos, tanto na questão de abordar temas originais e também fazer com que os clichês sejam vistos com uma perspectiva diferente. Enfim, recomendo Invasão Zumbi por que é um filmaço, como também outros filmes sul-coreanos que ganharam meu respeito. 

NOTA: 9,5/10

Veja o trailer de Invasão Zumbi no vídeo abaixo: 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A BUSCA (2013)


Um filme que aparenta ser bem simples, mas que ao conferirmos iremos perceber a profundidade da história e como ela consegue nos repassar uma grande lição, em virtude do que normalmente acontece no nosso cotidiano. O longa-metragem brasileiro A Busca dirigido por Luciano Moura traz uma trama comovente de uma trajetória de autoconhecimento. O filme foi lançado em 2013 e é estrelado por Wagner Moura, Mariana Lima, Brás Antunes e Lima Duarte.

Sinopse: Theo Gadelha (Wagner Moura) é um médico, casado com a também médica Branca (Mariana Lima), pai do adolescente Pedro (Brás Antunes) e filho de um pai ausente (Lima Duarte). Sua mulher pede separação, seu filho rejeita sua orientação e a casa que construiu para a família vai ser posta à venda. Aos poucos, Theo constata que seu mundo está desabando. Mas nada se compara ao que está por vir: no fim de semana em que completaria 15 anos, seu filho Pedro some de casa. Theo pega a estrada em busca do filho. A viagem por vários lugares no interior vira um caminho de autoconhecimento, um percurso para transformações e descobertas.


A trama se segue em uma situação que acontece com muita frequência, quem nunca já passou ou pelo menos já presenciou uma família em que seu chefe é mais ocupado com o trabalho e não faz a menor ideia do que está acontecendo em casa? Sua relação com a esposa vai enfraquecendo e os filhos vão ficando cada vez mais distante? É nesse contexto familiar que a família de Theo no filme se encontrava.

Muitas discussões e brigas é o que não falta nos minutos iniciais, também as divergências familiares envolvendo a venda da casa ganha um certo destaque. Porém, esse inicio se torna um pouco arrastado, parecia mais uma situação de novela onde o marido tenta reconquistar a esposa e fica quase que enlouquecido ao saber que seu pai que é muito ausente, está tendo contato com o filho. Essa discussão chega ao limite para motivar ao garoto a fugir de casa, mas dizendo aos pais que ia sair com um amigo. Mas depois de chegar o dia do aniversário dele, e que seus pais o estavam aguardando, ele não aparece e é descoberto que ele não saiu com amigo nenhum. Nesse momento, a preocupação dos pais vence qualquer obstáculo e divergências familiares que até então dominava a família.


Theo começa a incessante busca pelo filho, procurando informações de pessoas que o tenha visto, e nessa jornada ele se confronta com todo tipo de gente que mora no interior, desde a arrogância de um senhor que se recusa a emprestar o telefone, a briga com um caipira no meio do mato, a festa onde muitos jovens se divertiam, inclusive Theo ajuda uma moça que estava em trabalho de parto, entre muitas outras situações que mudaram a perspectiva do protagonista de enxergar as coisas, ao mesmo tempo em que ele vai através das pessoas com quem Pedro teve contato, Theo vai aprendendo coisas sobre o filho que ele não fazia a mínima ideia.

Além disso, a pequena participação de Lima Duarte é o que torna o longa mais sensível e capaz de modificar certas atitudes em relação à família. Pois, é claro perceber que Theo e seu pai não se davam bem um com o outro, mas ao notar que seu filho e avô possuem uma grande sintonia e que a fuga de Pedro era justamente para conhecer o avô. Theo percebe a partir daí que seu distanciamento para com a sua família foi a principal causa que motivou seu filho a fugir, ele reconhece e tem uma conversa branda com o pai que fala das qualidades que Pedro tinha, como por exemplo, saber desenhar muito bem. O final do filme deixa claro, a importância que a união familiar tem, e que mesmo que a pessoa seja muito ocupada com o trabalho, o pouco tempo que tiver para dedicar à família vai fazer muita diferença.


Para o filme ter tido a força e a sensibilidade que teve, foi por causa da atuação brilhante de Wagner Moura, ele expressa sentimentos de desespero durante sua busca pelo filho. O filme por outro lado, comete alguns deslizes, pois força muito no roteiro, por exemplo, não sabemos quantos dias Theo levou para encontrar o filho, pois ele atravessa dois estados. O filme não explica como Theo passou seus dias durante a busca, onde dormiu o que comeu, etc. Também não temos conhecimento sobre onde ele consegue gasolina para o carro. Mas fica claro que a principal preocupação do filme é mostrar essa jornada de autoconhecimento de uma forma emocionante.

Por ser uma produção brasileira, A Busca pode não chamar atenção de muitas pessoas que nutrem preconceito com o cinema nacional, mas se tivermos a detida paciência para entender o estilo brasileiro de fazer filmes, não só este, mas centenas de produções do nosso país pode chamar atenção. Os conteúdos são riquíssimos e não decepciona na maioria das vezes. A obra dirigida por Luciano Moura tem sua mensagem peculiar e que ao mesmo tempo em que nos cativa, também nos ensina grandes valores a se aplicar na vida, mesmo que o filme de modo geral não seja uma obra-prima. 

NOTA: 7,5/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A FONTE DA DONZELA


A Fonte da Donzela é um filme sueco lançado em 1960, dirigido e realizado por Ingmar Bergman. Foi o filme que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1961. O longa trás uma história perturbadora que se baseia durante a Idade Média, onde conflitos religiosos eram o principal aspecto a se discutir.

Sinopse: Na Suécia, século XIV, a população oscilava entre o cristianismo e o paganismo. Herr Tore (Max von Sydow) e Mareta Tore (Birgitta Valberg) formam um casal que tem uma propriedade rural. Eles são cristãos fervorosos e incumbiram Karin Tore (Birgitta Pettersson), sua filha adolescente de quinze anos, para levar velas para a igreja da região e acendê-las em homenagem à Virgem Maria. No meio do caminho, ela acaba sendo abusada sexualmente e depois assassinada por dois pastores de cabras.


O filme contém uma fotografia maravilhosa, sendo rodado em preto e branco consegue conter um clima tenso isolado no meio do mato que logo de cara nos induzem a prever que algo bizarro irá acontecer. Uma família bastante religiosa que sempre está mencionando a importância do perdão e da compaixão em suas frequentes orações. Bergman pelo que me pareceu, fez um contraste na história que estava por vir, ao trazer a nossa atenção esses aspectos que posteriormente seriam ignorados em vista da tragédia que acontece.

A garota vítima do abuso sexual é bastante ingênua e se atreve a dar atenção a pessoas estranhas. Talvez o ensinamento que recebeu sobre piedade a motivou a ajudar pessoas desconhecidas em sua jornada à igreja. A questão da virgindade e a pureza são abordadas, e o filme ainda é bem enfático ao fazer alusões à moralidade e o pecado, diante de um conflito entre cristianismo e paganismo.

Vale ressaltar a imprudência e a irresponsabilidade da personagem Ingeri (Gunnel Lindblom) que estava acompanhando Karin em sua ida à Igreja, Ingeri estava grávida de um filho bastardo, algo impuro segundo os padrões cristãos. A mulher invejava a pureza de Karin e até mesmo rogava aos deuses pagãos para que algo ruim acontecesse à garota, e pior que isso, quando Karin estava sendo atacada, ela apenas assistiu à cena sem mover um dedo para ajudar, e no final vem com arrependimento. Essa atitude reflete muito bem das pessoas que erram e querem que os outros caiam também, isso é muito comum hoje em dia, um reflexo e tanto consegui ver em vista desse tipo de atitude.


As cenas onde Karin percorre caminho na floresta até a igreja é sufocante, principalmente a cena perturbadora do estupro seguido depois de assassinato. Os causadores são dois pastores de cabras, a quem a jovem garota ajudou dando comida, e por ser muito bela, os dois homens não resistem e partem para o ataque forçado. Mas, o curioso é que após isso, os dois vão pedir comida na casa da garota, ganhando a confiança dos pais, até mesmo recebendo um trabalho. Os dois agressores não fazem ideia de que estavam na casa da garota que eles haviam estuprado e matado.

O clima do filme chega a ser tão forte principalmente quando um dos pastores oferece para vender a peça de roupa que eles tiraram de Karin, para a mãe dela. E Mareta que já estava preocupada com a demora da filha conclui que ela estava morta. Depois de contar o fato ao marido, toda aquela obediência sobre perdão e piedade é literalmente jogada fora, quando os pais decidem vingar a morte da filha, resultando em mais mortes.


Diante disso, o conflito de consciência em relação ao que eles creem começa a ganhar destaque, perguntas sobre por que Deus ficou em silêncio? E como eles seriam perdoados depois de violarem um dos mandamentos? A amargura na expressão dos pais é nítida, pois eles como cristãos fervorosos sabiam que matar alguém era contrário a aquilo que eles pregam. E indo mais a fundo, a direção ainda opta por trazer para os personagens a questão da justiça que lhe fora negada, quando a jovem donzela não foi socorrida pelo ser divino que eles tanto veneram.

A Fonte da Donzela é um filme que ainda irei rever qualquer dia desses, pois preciso captar mais informações sobre essa trama intrigante e perturbadora. Além disso, percebo que seu conteúdo é muito atual para os dias de hoje, além de propor uma reflexão, o filme consegue mostrar que a ingenuidade, fanatismo religioso, moralidade e pureza são quesitos que não devem ser descartados, em especial quando envolve um assunto muito sério que é o abuso sexual. Por esses motivos, eu recomendo bastante que assistam com a mente aberta ao filme A Fonte da Donzela, além de propor um conteúdo importante, a obra tem seus méritos conquistados na história do cinema, como a conquista do Oscar, Globo de Ouro e algumas indicações em festivais famosos como o de Cannes. 

NOTA: 9/10

sábado, 10 de fevereiro de 2018

DE BICO CALADO


Keeping Mum é um filme britânico de comédia lançado em 2005, dirigido por Niall Johnson. É um longa de humor negro, divertido, bizarro e ao mesmo tempo atraente e um pouco dramático. Ambientado em uma pequena cidade na Inglaterra, o filme é centralizado em uma família que não se sabe se é religiosa, maluca ou diabólica. No Brasil é conhecido como De Bico Calado, um título totalmente sem sentido. Em Portugal, o título é bem mais conveniente, Uma Família dos Diabos. Chega a ser incrível como os tradutores brasileiros mudam drasticamente o nome de um filme para algo sem pé nem cabeça. Mas, enfim, De Bico Calado é estrelado por Rowan Atkison, Maggie Smith, Kristin Scott Thomas e Patrick Swayze.

Sinopse: Walter Goodfellow (Rowan Atkinson) é o vigário de uma pequena cidade no interior da Inglaterra. Walter é uma pessoa íntegra, que se dedica ao máximo ao seu ofício, o que o faz muitas vezes ser ausente como pai e marido. Sua esposa Gloria (Kriston Scott Thomas), cansada desta situação, mantém um caso com Lance (Patrick Swayze), seu instrutor de golfe. Holly (Tamsin Egerton), sua filha, é uma ninfomaníaca que tem um namorado novo a cada semana. E Petey (Toby Parkes), o caçula da família, apanha todo dia de seus colegas de escola. A situação muda após a contratação da excêntrica Grace Hawkins (Maggie Smith) como governanta. Sempre acompanhada de seu misterioso baú e usando métodos pouco convencionais, Grace muda inteiramente a vida dos Goddfellows.


Confesso que me diverti bastante com esse filme, grandes nomes da comédia como Rowan e Maggie juntos, não poderia ser algo ruim. De Bico Calado é um filme recheado de humor negro, que começa com um evento envolvendo assassinato e depois pula para 43 anos depois, com novas pessoas e uma nova cidade. Mas tudo no final irá se interligar, e a primeira situação será devidamente explicada no decorrer do filme.

O filme faz uma mistura de situações opostas, religião, adultério, sexo e assassinatos. Mas tudo com boas doses de humor, mesmo que alguns aspectos não serão revelados ou nem mesmo entendidos. O filme se preocupa em especial em abordar uma trama de uma família que deveria ser exemplar, mas cada um no seu mundo, vivendo o contrário do que deveria ser. O pai de família é vigário que mais se preocupa em fazer sermões do que estar perto da família. Essa distância faz com que sua esposa comece um romance com seu professor de golfe. A filha troca de namorado toda semana, e o filho caçula sofre bullying na escola.

A chegada da nova governanta é o ápice do filme, ela é a mesma mulher que havia cometido assassinato 43 anos antes no começo do filme, e sua estada na casa dos protagonistas tem um motivo especial, principalmente quando ela começa a interferir nos assuntos de família, cutucando os erros de cada um. Suas atitudes pareciam que iriam culminar em consequências desastrosas, já que ela utiliza métodos estranhos para lidar com problemas, mas essa perspectiva muda à medida que cada personagem vai encontrando seu lugar. Bizarro, engraçado e muito metido, é o que resume de modo geral o filme.


A fotografia e o local onde se passa a história são muito bonitos. A cidade é de fato, os típicos locais do interior inglês. Cada personagem tem suas características bem humoradas, e os eventos que sucedem no decorrer da história vai arrumando cada bagunça que foi feita, mediante a interferência de Grace que é a melhor personagem do filme, com quem nos divertimos mais e passamos a entender o seu lado quando uma reviravolta acontece no final. Rowan Atkinson é famoso por interpretar o personagem Mr. Bean, mas aqui o seu papel é muito diferente, mas não pense que por ser diferente não irá rir de algumas situações em que ele se encontra.

De Bico Calado pode não ser uma obra-prima, mas é um filme digno de ser assistido. Sei que ele não é tão popular, mas você deve entender que o popular não necessariamente significa ser bom, pois eu mesmo já vi muitos filmes famosíssimos que não vale 10 centavos. E se alguma produção apresente uma trama simples e algumas vezes clichê, o que irá fazer a diferença é o modo como a narrativa irá caminhar, se acertar tanto nos diálogos quanto nas situações, o filme em questão poderá nos impressionar e no fim das contas, a recomendação para outras pessoas será inevitável. 

NOTA: 7,6/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

PREDADORES


Gosto muito da saga O Predador, e na maneira como essa franquia conseguiu misturar elementos de ficção com ação e terror ao mesmo tempo. Depois de dois filmes com o personagem (ignorando Alien Vs Predador), a FOX lançou em 2010 o terceiro filme com o título Predadores. Dirigido por Nimród Antal, o filme é estrelado por Adrien Brody, Alice Braga, Topher Grace, Laurence Fishburne e Danny Trejo.

O filme é uma continuação da saga, mas com um diferencial interessante, os personagens são abduzidos e jogados em um planeta de caça utilizado pelos predadores. O longa não explica com todos os detalhes como isso acontece, só sabemos disso através das conversas que os personagens tem entre si, pois de modo sensato, eles indagam por que foram parar naquele lugar.


Explorando um pouco dos personagens, Adrien Brody interpreta Royce, que é visto pela personagem de Alice Braga como um ex-soldado que tinha se tornado um mercenário. Claramente notamos que Royce é o mais esperto do grupo e se da conta de que há alguma coisa errada naquela floresta desconhecida. A brasileira Alice Braga faz um papel de destaque como Isabelle, uma atiradora das forças armadas de Israel. Ela e Royce são os protagonistas do filme que dividem a tela igualmente, e que mesmo diante de uma provável rivalidade por motivos éticos, os dois possuem uma ótima química que colabora para um clima melhor no filme todo.

Os demais personagens não são tão desenvolvidos, e servem apenas como banquete, digamos assim, para o jogo de caça dos predadores. Danny Trejo interpreta um assassino do Cartel de drogas mexicano, Topher Grace é o médico Edwin que é inclusive o único personagem diferente dos demais, que era pessoas perigosas e assassinas.


De alguma forma, Predadores tenta resgatar o estilo de filme visto no longa original, mas sem copiar demais. Temos aqui elementos como a caça na floresta, pessoas sendo mortas uma a uma e a tática de lutar contra o predador utilizando lama no corpo. Os elementos novidade neste terceiro filme são: três predadores caçando, os animais que são uma espécie de cachorro para os alienígenas, rivalidade entre predadores grandes e pequenos, o planeta diferente e o clichê com personagens traíras.

De modo geral, Predadores não foi um filme decepcionante. Ele conseguiu fazer com que o clima de ação ficasse bem equilibrado e seus personagens conseguem obter um bom desempenho, principalmente os dois principais. Claro que se torna inferior ao primeiro filme de 1987 e também é inferior ao Predador 2, mas isso não quer dizer que seja um filme ruim e descartável.


Mas apesar disso tudo, o filme não escapa de inúmeros defeitos. Pra começar a cita-los, primeiro é a falta de explicação sobre o planeta desconhecido e como os personagens vão parar lá. Segundo, é a reviravolta muito tosca sobre o médico Edwin, que do nada mostra a verdadeira face justamente na hora em que tudo parecia perdido. Terceiro, o modo como termina o filme, muito vago sem maiores explicações, deixando muito a desejar. 

Como já dito, Predadores não é ruim, mas em comparação com os dois filmes anteriores, ele é sem dúvida o mais fraco. A premissa inicial foi bem bacana e podia ser bem melhor se não fossem os erros grotescos no roteiro. Mas, de modo bem mais direto e simplista, vale a pena dar uma conferida, principalmente os fãs da saga, pois para mim valeu muito a nostalgia por conta dos elementos vistos no filme original. 

NOTA: 7/10

Assista ao trailer no vídeo abaixo:

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA


Imagine um filme com baixo orçamento, sem muitos recursos e falta de atores profissionais, parece que nada irá salvar uma produção assim, entretanto, se o filme em questão abordar uma história original, bem feita e cheia de criatividade e talento? A situação muda completamente, e é dessa forma que enxergo o clássico do terror nacional À Meia-Noite Levarei Sua Alma, dirigido e protagonizado por José Mojica Marins. Lançado em 1964, foi este filme que lançou para as telas do cinema o ícone do terror brasileiro, admirado por fãs, principalmente no exterior que o considera como cult, estamos falando de Zé do Caixão, que possui algumas características que nos faz lembrar do Drácula, por usar capa preta, e Nosferatu pelas longas unhas, mas ao contrário destes, o coveiro não é vampiro e nem é uma criatura sobrenatural.

Como dito, À Meia-Noite Levarei Sua Alma foi produzido com um orçamento muito pequeno, e é composto por atores amadores, exceto o próprio Mojica e a atriz Eucharis Morais. É um clássico dos filmes trash, e mesmo com a má qualidade em diversas cenas, é um filme que merece ser visto, tanto pelos fãs de Mojica, como para quem aprecia o terror. É compreensível que com o tempo, o filme foi envelhecendo, mas de modo algum tira o mérito conquistado na época, o reconhecimento de José Mojica pelo público e pela crítica se deu através dessa obra, que se sucedeu em duas sequências: Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967) e Encarnação do Demônio (2008). À Meia-Noite é o primeiro filme do Zé do Caixão, que contém uma história simples, porém, bastante original.


Sinopse: O cruel e sádico coveiro Josefel Zanatas, conhecido como Zé do Caixão, é temido e odiado pelos moradores de uma cidadezinha do interior. Ele é obcecado para gerar um filho perfeito, que possa dar-lhe a continuidade de seu sangue. Mas sua esposa não pode engravidar, e ele acredita que a namorada de seu amigo seja a mulher ideal que procura. Após ser violentada por Zé, a moça jura cometer suicídio para retornar dos mortos e levar a alma daquele que a desgraçou.

Para entender a história que se passa no filme, é necessário compreender a filosofia do Zé do Caixão. Antes mesmo dos créditos iniciais, o filme começa com uma cena que por sinal é muito famosa, onde Zé do Caixão faz um discurso sobre a vida. De maneira mais simples, vou tentar explicar: o coveiro é um ateu convicto, um homem que não crê em Deus e nem no Diabo, também descarta a possibilidade de haver vida após a morte. Para ele, apenas o sangue pode gerar uma linhagem eterna, e não estou falando aqui de que o sangue de uma pessoa possa ser imortal. Para Zé do Caixão, o seu sangue será imortalizado através de seus descendentes, e é por isso que ele tem essa obsessão para gerar um filho.


Zé do Caixão também acredita ser superior as outras pessoas, principalmente daquelas supersticiosas que acreditam em algo sobrenatural, temem espíritos ou algo parecido, e é por isso que ele anseia também por uma mulher ideal, que seja tão superior quanto ele. Essa filosofia pode incomodar aqueles que possuem uma fé cega, e por isso acredito que os filmes do Zé do Caixão aterroriza principalmente as pessoas que creem em vida após a morte.

Por outro lado, o maldito coveiro zomba das pessoas por causa da fé que elas têm. Por exemplo, no filme há diversas cenas em que situações assim ocorrem, mas citando uma delas em que Zé do Caixão come carne na sexta-feira santa ignorando o costume local motivado por crenças religiosas, ao mesmo tempo em que zomba das pessoas em uma procissão que passava na rua. Portanto, o personagem é firme das suas convicções, e ao mesmo tempo é um típico fundamentalista, que acredita que só ele está certo, e ainda faz questão de fazer chacota com a fé alheia.

Bom, o conteúdo de À Meia-Noite é simples, pode parecer uma produção boba, mas consegue causar uma boa impressão e é digno de nota que na época, em que no cinema brasileiro era novidade um filme do gênero, foi um tremendo estouro. Os gringos admiram o personagem mais do que os próprios brasileiros, e isso se dá por conta do preconceito que muitos brasileiros têm para com o personagem e o diretor, que inclusive passou por muitas dificuldades ao longo da carreira.


Os filmes com o personagem Zé do Caixão abusam muito do sadismo, tortura, aparições sobrenaturais e feitiçaria. Com essas misturas, podemos claramente perceber o talento de Mojica para o terror. Simplesmente fascinante, neste filme, por exemplo, mostra todos esses aspectos mencionados, mas com um grau de simplicidade, sem abusar muito, já que o orçamento não iria permitir ir mais além. Mitos e superstições são o que não falta no filme, como o medo de andar no cemitério à noite, roupa preta entre outras coisas pelo qual Zé do Caixão parece se divertir a custa do medo que as pessoas nutrem para certas ocasiões e situações.

Mojica também conseguiu provar através desse filme, que para produzir uma boa obra, não necessariamente precisa de muito dinheiro ou grandes efeitos especiais. Basta ter uma ideia em mente e criatividade para executá-la. Com isso, o filme À Meia-Noite Levarei Sua Alma merece seus méritos e principalmente o reconhecimento. E por se tratar de um clássico do cinema brasileiro, é mais um motivo para conferir caso ainda não tenha visto, aliás, todo o trabalho de José Mojica merece seu espaço e admiração, tanto pela criatividade quanto pela imensa ousadia que possui em suas obras. De fato, Mojica é um ícone do nosso cinema, quem negar isso, não passa de um preconceituoso. 

NOTA: 8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

1408


Os fãs do terror sabem que os contos de Stephen King na maioria das vezes relata algo sobrenatural, por isso que a maioria de suas adaptações é feita para o gênero, em alguns casos vem algum drama (À Espera de um Milagre, por exemplo), mas sempre com aquele toque sobrenatural. Nesta resenha falaremos do filme 1408 que foi lançado em 2007, baseado em um dos contos de King. Dirigido por Mikael Hafstrom e estrelado por John Cusack, Mary McCormack e Samuel L. Jackson.

Sinopse: Um promissor romancista, Mike Enslin (John Cusack), resolve enveredar por outro caminho e escrever livros que investiguem fenômenos paranormais. Enslin nunca presenciou realmente algum destes fatos, então fica difícil obter credibilidade. Além do mais, Mike é totalmente cético, pois até o momento não encontrou evidências de que exista vida após a morte. No entanto, decide ir até Nova York e se hospedar do Dolphin Hotel, mais exatamente no quarto 1408, que tem a fama de ser habitado por espíritos malignos. O gerente do hotel, Gerald Olin (Samuel L. Jackson), o avisa que 56 mortes já ocorreram naquele quarto, mas Mike está decidido a conferir se sua fama está condizente com a verdade.


Muitas pessoas que não gostaram do filme por justamente não conter quase nada que assuste, e realmente se você espera tomar sustos, está no filme errado. 1408 se foca mais no psicológico do personagem, o que produz a sua mente e no que acredita. Vale lembrar que o filme é aberto a inúmeras interpretações, mas o contexto geral gira em torno disso, o psicológico.

Uma controvérsia sobre crer ou não crer em algo que está além da compreensão humana é o que torna 1408 um filme forte e digno de ser visto. A leitura da obra de Stephen King também é recomendada, o filme foi fiel ao livro ao máximo possível, e conseguiu manter um clima de suspense e mistério durante toda a projeção. É interessante perceber que o gerente do hotel tenta de todas as formas desaconselhar Mike a se hospedar naquele quarto, e quanto mais tentava, mas ciente ficava o escritor de que deveria entrar lá. Vale mencionar também que nem mesmo os empregados do hotel se atrevem a entrar, exceto para faxinas, mas sempre mantendo a porta aberta.

Depois de entrar no quarto, o clima muda e começa a acontecer coisas sinistras. A princípio Mike pensa que o gerente do hotel está lhe pregando uma peça, mas à medida que o bicho começa a se soltar, por assim dizer, ele vai desacreditando dessa perspectiva. Mike levava consigo uma fita para gravar todo o evento sobrenatural, conforme ele ouvia falar. Mas, o quarto parece realmente possui forças sombrias que afetam a mente do protagonista, que depois de se dar conta que jamais deveria ter entrado no quarto, pretende sair, mas já é tarde demais. Ele fica preso no quarto, não consegue abrir a porta, e ao tentar sair pela janela e ir para o quarto ao lado, ele se depara com uma espécie de outra dimensão, onde tudo do lado de fora do quarto não existisse, é como se ele estivesse em um completo e imenso vazio. Essa parte chega a nos causar arrepios!


A possibilidade de muitas interpretações se vem à nossa cabeça quando imagens de sua filha morta começam a se manifestar para ele. O ambiente do quarto passa a mudar e nos faz questionar se realmente o quarto tem forças sobrenaturais, ou tudo aquilo é produto da mente de Mike, que até então desacreditava de qualquer coisa estranha que contassem a ele. O fato de reviver um passado trágico pode resultar em um sentimento insuportável para ele? Era nesse aspecto que motivaram as pessoas cometerem suicídio no quarto? O quarto diabólico manipula suas mentes a ponto de não mais aguentar tanta pressão? São perguntas válidas para um filme de terror psicológico.

1408 têm dois finais, um é muito pessimista e não agradou a maioria do público, e o outro é mais plausível e menos doloroso, tanto para o personagem, quanto para o espectador. O fator importante de tudo isso é: 1408 é um bom filme, que prende atenção, é capaz de nos deixar com muita aflição e principalmente nos causa incômodo. A direção é ótima, os cenários do quarto que modificam muitas vezes também foi bem trabalhado, e John Cusack arrebenta na atuação, seu desempenho nos faz lembrar um pouco do clássico O Iluminado, que também é um conto de Stephen King. 

NOTA: 8,4/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

domingo, 4 de fevereiro de 2018

MESMO SE NADA DER CERTO


Não escondo de ninguém o fato de que o gênero musical não é muito do meu agrado, dificilmente eu paro e vejo filmes desse tipo. Mas, acredito que isso mudou após ter conferido o drama musical Mesmo Se Nada Der Certo, título original Begin Again, do diretor John Carney lançado em 2013. Você talvez deva se perguntar: o que te fez se interessar por este filme, já que não é achegado com o gênero musical? A minha simples resposta consiste em outra pergunta: quem são os protagonistas? Acho que já entenderam por que eu o selecionei para assistir. Mark Ruffalo e Keira Knightley protagonizam muito bem esse filme e encheram o conteúdo com brilhantes e carismáticas interpretações. Além deles, o elenco conta também com os nomes de Adam Levine, Catherine Keener, Hailee Steinfeld e James Corden.

A trama do filme gira em torno de Dan (Mark Ruffalo) e Gretta (Keira Knightley), ambos estão passando por momentos difíceis, quando que por acaso seus caminhos acabam se cruzando. O filme desenvolve muito bem a situação de cada personagem, de modo que o longa não mostra eventos de forma linear. E particularmente eu gosto desse tipo de narrativa.


Sobre Dan, ele é um produtor musical que já teve momentos de glória e sucesso em sua carreira. Mas agora, tudo parece desmoronar em sua vida. Além de abusar do uso de álcool, ele enfrenta uma situação nada agradável para qualquer pai de família, ele perde o emprego, a dor disso se torna ainda maior, principalmente se você foi o cara que levantou toda a empresa, e agora é despedido sem levar em conta seu histórico. Com esses problemas, ele ainda tem que enfrentar dilemas familiares com sua esposa (Catherine Keener) e sua filha adolescente (Hailee Steinfeld). Tudo parecia sem sentido na vida dele, até que ele entra em um bar e ouve a canção de uma jovem, que o encanta.

Essa jovem é Gretta, uma compositora que acompanha sempre os compromissos de seu namorado Dave (Adam Levine) que é um cantor em ascensão. Tudo parecia perfeito, até que Dave a abandona para seguir mais adiante a sua carreira. Ou seja, ele praticamente troca a namorada sem se dar conta de que ela era sua inspiração na composição das músicas e companheira fiel, para seguir sozinho na fama. Algo que com certeza deixa Gretta abalada, e para servir de consolo, ela é acolhida por seu melhor amigo Steve (James Corden), que também era músico, só que diferente de Dave, ele sobrevive cantando nas ruas e nos bares.


Ao levar Gretta para uma apresentação em um bar, Steve a convida para cantar. Relutante, a jovem cede e canta uma música que parecia não agradar muito os ouvintes, exceto um: Dan. Ele estava naquele bar e ao perceber o talento que Gretta tinha com a música, ele sugere que trabalhe com ele. Inicialmente, Gretta não está interessada em seguir uma carreira de cantora, mas depois de refletir tudo o que aconteceu com ela, acaba aceitando o convite. Mas como Dan estava falido e não fazia mais parte da gravadora de onde ele trabalhou por muitos anos, eles juntam uma equipe bancada por um dos grandes amigos de Dan, para montar uma banda, e o local de gravação seria em diversos pontos da cidade de Nova Iorque. E ao ver um grupo cantando em becos e praças é algo bem interessante de acompanhar.

O tema principal do filme é a música, e como ela pode ajudar quem estava à beira do suicídio. Dan e Gretta eram pessoas que embora suas vidas nada tivessem a ver uma com a outra, eles tinham duas coisas em comum; a primeira era os momentos difíceis que estavam lidando, e a segunda era o amor que tinham pela música. Isso contribui bastante para uma aproximação maior entre eles, e engenhosamente isso também ajuda a lidar com seus problemas. Aos poucos, Dan vai ganhando confiança em si mesmo, como também sua relação com a família vai melhorando, e Gretta mesmo magoada com seu namorado, consegue enxergar uma maneira melhor de viver, sem que problemas a afetem. E sua relação com Dave vai se estabilizando, mesmo que eles não voltem a ficar juntos logo de imediato.

O filme contém uma fotografia memorável, ótimas locações na cidade de Nova Iorque torna o longa bem mais agradável de ver. A direção e a estrutura narrativa colaboram muito para um desenvolvimento maior dos personagens, como também consegue refletir um drama vivido por muitas pessoas, e o modo de lidar com isso superando as barreiras que os impede de obter o maior objetivo. Dan queria recuperar seu emprego e Gretta alcança um sucesso que nunca havia cobiçado antes. Mesmo sem ajuda de profissionais, sem um estúdio de uma gravadora, eles superam os limites do impossível e com dedicação, tudo nas suas vidas vai ganhando sentido. Realmente, é um filme inesquecível e impossível não se identificar.


Os personagens coadjuvantes não estão ali apenas para encherem espaço, sem ter participações importantes que contribuam com a mensagem geral do filme. Problemas familiares e financeiros, vida amorosa, dificuldades da adolescência, tudo isso é abordado com tamanha precisão. A trilha sonora dispensa comentários, é linda demais. Músicas tomam de conta durante quase todo o filme, e ainda são recheado de cenas cômicas que mesclam muito bem cada situação, mesmo as mais dramáticas.

Begin Again foi para mim, uma surpresa e tanto, além de mostrar como a música é uma espécie de “salva-vidas”, o filme ainda critica a postura de empresários ambiciosos que exploram cada situação a seu favor. E isso é muito comum no nosso cotidiano. Mark Ruffalo está ótimo em seu personagem, e diferente da maioria dos papéis que já interpretou, aqui ele encarna um personagem muito identificável e muitas vezes engraçado, seja na maneira de agir ou de falar. E Keira Knightley foi a figura central que mais me encantou, mesmo não sendo uma cantora de verdade, ela empresta a voz de uma forma encantadora. Sem dúvidas, foi a melhor personagem do filme todo, claro que cada um teve seus momentos, portanto, é um filme completo em quase todos os sentidos. O forte do filme é que ele foge dos clichês e do óbvio, tornando a trama bem original. Por isso, que eu disse que meu gosto pelo musical mudou, e é claro que irei conferir outras obras do gênero. 

NOTA: 9,2/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: