sábado, 16 de dezembro de 2017

CAPITÃES DA AREIA


Capitães da Areia é um filme brasileiro lançado em 2011 dirigido por Cecília Amado, o filme é baseado no livro escrito por Jorge Amado, que contém o mesmo título. O filme aborda a vida de meninos abandonados que viviam em um trapiche na década de 1930. Os meninos eram liderados por um chamado Pedro Bala, e eles praticavam assaltos na cidade de Salvador. O filme é estrelado por Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Robério Lima, Paulo Abade e Israel Gouvêa. Uma curiosidade interessante é que Cecília Amado é neta do autor do livro, sendo então a estreia dela como diretora, e conseguiu de certa forma cumprir seu trabalho de forma digna, nos dando uma crítica política e social sobre crianças de rua.

No começo do filme, já nos deparamos com crianças atrevidas e mal educadas, praticando furtos e ainda por cima, usando um linguajar nada comum para menores. No decorrer do filme iremos entender um pouco sobre a vida dessas crianças. Na realidade, esses furtos são o único jeito que elas encontram para sobreviverem, pois o governo não tomavam atitudes quanto à educação que eles poderiam ter, deixando-os viverem nas ruas e não se importando se eles roubam ou não. O filme critica o fato das autoridades acreditarem que não há remédio que cure essas crianças do vandalismo, e que nunca elas seriam cidadãos normais. Mas, ao mesmo tempo, a polícia os tortura, como por exemplo, ao pegarem Pedro Bala (Jean Luis Amorim) o líder dos capitães de areia, ele passa vários dias sem água e comida, e ainda sendo torturado.

Por motivos óbvios, os capitães de areia roubam para sobreviver. As características de cada um condizem com aquilo que poderíamos chamar de grupo unido e esperto. Um deles sabe ler e desenhar, outro sabe arquitetar planos e outros são valentes a ponto de enfrentar um adulto. E para completar, eles lutam capoeira, que os ajudam muito no decorrer do filme, sejam para se livrar da polícia ou para lutar com gangues rivais. Também o lado emocional deles é claro de ser facilmente enxergado, pois eles são companheiros um do outro, ajudam uns aos outros, mesmo que algumas vezes alguém saia magoado.

A trama por mais simples que seja traz uma dinâmica boa sobre os personagens. Principalmente quando uma garota chamada Dora (Ana Graciela) e seu irmão se juntam ao grupo depois de ficarem órfãos e sem casa. A princípio por haver uma garota no meio de um bando de meninos, em grande parte deles que nutriam pensamentos pervertidos ao verem uma menina, achando que todas eram putas e que o homem poderia fazer aquilo que quisesse. Uma crítica contra machismo? De certo modo sim, pois como nenhuma daquelas crianças tinha educação, os pensamentos errados eram inevitáveis diante de uma sociedade que não pensam no próximo, ainda mais por ser baseado em uma época em que as mulheres, em uma grande parte eram tratadas como objeto.

Mesmo com toda crítica politica e social a respeito do abandono e a falta de oportunidade de se reintegrar à sociedade, que fora feita de maneira esplêndida, o filme ainda não está desprovido de defeitos no roteiro. Um exemplo é o irmão de Dora, que entra no grupo junto com a irmã, mas acaba sendo esquecido no resto do filme, aparecendo apenas nas últimas cenas, uma vez que nesse intervalo de tempo acontecem inúmeras situações que colocariam à prova o amor entre irmãos, que deveria ter se manifestado, mas o filme resolve deixar isso de lado. A trilha sonora às vezes chega a exagerar, atrapalhando a narrativa em momentos importantes. E por mais que o filme contenha uma mensagem interessante e necessária para a sociedade, ele peca feio nestes e outros aspectos.

Capitães da Areia reflete os sentimentos de alguém que não recebem o amor e carinho que deveriam. E se nada o ajuda, a única opção que resta é a criminalidade, e isso não é culpa deles, e sim das autoridades que os esquecem, como se não valessem nada. O filme ainda retrata uma época em que a Varíola era uma epidemia muito temida e que tinha tirado a vida de muitos, o que inclui algumas das crianças que perderam seus pais e acabaram ficando sem nada e nem ninguém. E embora o filme retrate uma época bastante antiga, ele se torna muito atual devido a assuntos que merecem ser discutidos, sejam os tratos que o governo tem para com jovens delinquentes e também a questão da maioridade penal. Enfim, é um filme que mesmo que não agrade muito, deve ser visto e refletido. 

NOTA: 6/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

SIMPLESMENTE ACONTECE


Simplesmente Acontece é um filme de 2014, dirigido por Christian Ditter e é baseado no livro Where Rainbows End de Cecilia Ahern que o lançou em 2004. Sendo do gênero romance, é mais um daqueles filmes fofos que grudam na tela as pessoas que gostam de assistir histórias de amor. Porém, neste filme os protagonistas enfrentam diversas barreiras que atrapalham sua aproximação romântica, nos ensinando que o amor verdadeiro não apaga, mesmo que ele demore muito tempo para agir no momento certo. O filme é estrelado por Lily Collins e Sam Claflin, e obtém êxito com sua boa narrativa, apesar de alguns furos no roteiro.

Sinopse: Os jovens britânicos Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin) são amigos inseparáveis desde a infância, experimentando juntos as dificuldades amorosas, familiares e escolares. Embora exista uma atração entre eles, os dois mantêm a amizade acima de tudo. Um dia, Alex decide aceitar um convite para estudar medicina em Harvard, nos Estados Unidos. A distância entre eles faz com que nasçam os primeiros segredos, enquanto cada um encontra seus possíveis amores. Mas o destino continua atraindo Rosie e Alex um ao outro.

Durante o filme, chegamos a nos perguntar: por que o destino é tão cruel? Os dois pombinhos tinham tudo para se relacionarem e começarem um romance que estava estampado na cara deles, a paixão que sentem um pelo outro. Mas, acontece tanta coisa que afeta isso, faculdade, gravidez, distanciamento, etc. No entanto, mesmo com tudo isso, a química entre os dois não diminuem. A amizade de Rosie e Alex é tão grande que a cada problema que acontece com um, o outro estaria ali para ajudar no que for necessário, será que eles não nasceram um para o outro? Isso é mais do que óbvio. Mas, eles por incrível que pareça, evitam uma aproximação mais séria.

Para aqueles que gostariam de ver logo um beijo entre os dois, será torturado o filme inteiro, por que além de Alex ter que viajar para estudar, Rosie acaba engravidando acidentalmente de um adolescente idiota, e para não atrapalhar a viagem de seu amigo, Rosie decide não contar a novidade pra ele. Mas, em um dos furos na história, por justamente soar estranho, se encontra na família de Rosie que é bem religiosa, mas aceita de boa a gravidez da filha. Por outro lado, a questão do aborto é mencionada, mas isso não faria parte dos planos de Rosie, apesar da gravidez indesejada. De todo modo, esse acontecimento colaborou para um distanciamento enorme entre os protagonistas. Acha torturante? Se prepare para o que vem depois...

Tanto Alex como Rosie seguem suas vidas, namorando e casando com outras pessoas, tentando viver dignamente, mas nem isso afeta a química deles, que ao se reencontrarem em cenas emocionantes, chegam a romper em lágrimas, devido à imensa dificuldade que eles têm para tentarem viver juntos, sem que nada o impeça. Chega a ser nítido o olhar de tristeza dos dois ao se depararem com a vida infeliz que levam longe um do outro, repletos de barreiras que mais pareciam muralhas que não podiam derrubar.

Mas isso gera expectativas. Imaginamos a princípio que essa história não teria que terminar de uma forma mais infeliz do que estava ocorrendo em seu desenvolvimento. Nisso, o filme se preocupa em tentar recomeçar a juntar peças para um possível reencontro dos dois, só que desta vez sem que nada os impeça de viver juntos, tal como deveria ser desde o inicio. Simplesmente Acontece se aprofunda na questão da maturidade, talvez isso indique que eles precisariam passar por imensas provas, a fim de demonstrar que seu amor aparentemente infantil, já que os dois se conhecem desde crianças, era realmente genuíno. E vale mencionar que tais provas eram suficientemente grandes para fazer algum deles ficarem com raiva do outro. Um verdadeiro soco no estômago!

Com algumas situações engraçadas como uma cena onde Rosie está no elevador, isso para não dar apenas tristeza ao filme, o longa mostra ser eficaz naquilo que ele quer nos repassar, sem rodeios e sem perder o clima romântico entre os personagens principais. Conduzido de maneira suave, porém, forte o bastante para incomodar os impacientes, o filme ainda nos direciona a aquilo que prevemos desde o princípio, e não poderia ser melhor, já que a tortura predominou o filme inteiro, portanto, é justo que a história termine bem para ambos os lados.

Simplesmente Acontece pode parecer um filme bobinho de adolescentes, mas sua mensagem é tão profunda que chega a nos comover com tamanha delicadeza na qual é abordada. Ponto forte para a brilhante direção de Ditter. O ator Sam Claflin encarna um jovem apaixonado que consegue manter o equilíbrio entre suas emoções, mesmo quando acontece algo que no fundo ele não gostou. Da mesma forma, a atuação de Lily Collins foi brilhante, sendo a personagem dela a mais tocante de todo o elenco, pois é nela que a aflição preparada pelo destino tem maior efeito, depois de muitos acontecimentos inesperados e que geram grandes consequências. Resumindo, é um filme lindo e apaixonante, nos mostrando a essência do amor verdadeiro, onde não há barreiras que o derrote mesmo a mais extrema de todas. Uma importante lição a se aprender e cultivar. 

NOTA: 7,8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

QUESTÃO DE TEMPO


O belíssimo longa britânico Questão de Tempo, título original About Time é capaz de nos deixar pensativos, quanto ao que temos na vida. Um filme que aborda viagens no tempo, mas que não se trata especificamente de uma ficção científica, e sim uma comédia romântica muito fofa bastante interessante e dramática, que possui o poder de nos cativar logo nos minutos iniciais quando o protagonista faz a primeira viagem no tempo. Escrito e dirigido por Richard Curtis, o filme foi lançado em 2013, sendo uma das surpresas mais doces daquele ano. O longa é estrelado por Domhnall Gleeson, Rachel McAdams e Bill Nighy.

Sinopse: Ao completar 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) é surpreendido com a notícia dada pelo seu pai (Bill Nighy), de que pertence a uma linhagem de viajantes no tempo. Ou seja, todos os homens da família conseguem viajar para o passado, bastando apenas ir para um local escuro e pensar na época e no local para onde deseja ir. Cético no começo, Tim logo se empolga com o dom ao ver que seu pai não está mentindo. Sua primeira decisão é usar esta capacidade para conseguir uma namorada, mas logo percebe que viajar no tempo e alterar o que aconteceu pode provocar consequências inesperadas.

Tim é aquele típico jovem tímido que se sente desconfortável ao estar perto de uma garota, mas seu dom lhe concede confiança. É como se ele tivesse no poder e que pode controlar tudo, até mesmo se aproveitando dos outros, em alguns momentos fazendo até deboche. No começo do filme, podemos imaginar que seria uma simples comédia romântica centrada na vida de um jovem à procura de um amor. Mas aos poucos, vamos percebendo que a ideia do filme vai muito além, ele testa nossos desejos egoístas e o fato de ter um dom para modificar certas coisas, pode gerar tudo o que sonharíamos em possuir. Porém, Richard Curtis habilmente coloca barreiras e grandes consequências de nossos atos. Gerando a reflexão a respeito da mudança de rumo, ela deve ser desfeita ou nossas ações do dia-a-dia contribuirá com aquilo que conquistaríamos no futuro?

Questão de Tempo é um filme digno de ser visto e admirado. Sua ideia nada mais é do que uma reflexão sobre nossas escolhas e desejos. No caso do protagonista, ele consegue utilizar seu dom para conquistar o coração de uma bela moça chamada Mary (Rachel McAdams), mas após conhecê-la e até mesmo conseguir seu número de telefone, ele se vê obrigado a retroceder no tempo e após isso, a bela Mary não o reconhece mais. Mostrando claramente que afetando algo no passado, altera seu futuro, isso acontece todas as vezes que ele muda algo, nos fazendo lembrar do filme Efeito Borboleta, mas com um toque romântico e divertido.

Rachel McAdams está deslumbrante! Sendo uma das atrizes mais lindas que conheço, em especial por possuir um sorriso maravilhoso, ela reflete nesse filme uma espécie de símbolo para Tim, que devido as suas mudanças, ele precisa equilibrar sua vida amorosa e sua nova família no meio de diversas mudanças que ele faz ao longo do filme. O ator Domhnall Gleeson consegue convencer e ainda mostrar para o espectador e para os demais personagens que ele não é egoísta, e suas aventuras no tempo lhe servem de lição quando chegamos ao final. Uma boa condução da história mostra o talento de Curtis, que obteve o cuidado necessário para não perder peças importantes da trama.

Vou ser sincero, seu eu tivesse o dom de mudar meu passado a fim de obter um futuro melhor, eu faria sim alguma mudança. Mas, devemos estar cientes das consequências de nossas decisões, sejam elas boas ou ruins. Os filmes em que abordam esse tipo de tema podem parecer um tanto confuso em relação de que tudo no mundo se passará dentro da mente e da vida de quem tem o poder para fazer mudanças no tempo. Embora seja difícil de entender, Questão de Tempo se interessa unicamente em nos divertir com uma boa dinâmica entre os personagens, como também nos ensinar lições valiosas. A trilha sonora é um show à parte, nos cativa de uma forma incrível dentro das situações cômicas e dramáticas do filme. Sinto também a obrigação de dizer que esse filme prendeu minha atenção de uma forma tal como nunca havia acontecido com outros filmes do gênero, e olha que já assisti diversas comédias românticas de alto nível.

Diferente de Hollywood, Questão de Tempo por ser um filme britânico, procura fugir dos possíveis clichês e até mesmo chega a brincar com eles, como por exemplo, em um pedido de casamento. E um dos motivos que me faria recomendar esta produção para alguém é que seu tema é tão contagiante, por se tratar especificamente de temas profundos sobre o dom da vida e aproveitar o amor entre nossa família enquanto podemos, como uma forma da cultivar ainda mais o carinho fraterno de nossos entes queridos, como filhos, pais, marido ou esposa. Em poucas palavras, é um filme brilhante, com ótima direção, ótimas atuações, trilha sonora e fotografia, e se você ainda não viu Questão de Tempo, não hesite em fazê-lo assim que isso for possível. 

NOTA: 10/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O GRANDE MESTRE 3


O terceiro filme da franquia Ip Man, mais conhecida aqui no Brasil como O Grande Mestre, teve seu lançamento feito em 2016, novamente com a direção de Wilson Yip e se foca na década de 50, onde Ip Man e sua família continuam morando em Hong Kong, com o mestre Ip ainda lecionando a arte do Wing Chun, se tornando um mestre famoso na cidade. O Grande Mestre 3 continua a história e novamente Donnie Yen interpreta o mestre Ip. Alguns personagens novos são introduzidos neste novo filme, mas há participações especiais também, como o ex-lutador Mike Tyson e Danny Chan.

Sinopse: O mestre Ip (Donnie Yen) reencontra seu pupilo Bruce Lee (Danny Chan) e precisa mais uma vez proteger os moradores de sua cidade. O lugar está sendo ameaçado pelo gângster Frank (Mike Tyson), que desafia Ip Man para um grande combate.

O Grande Mestre 3 não é muito diferente de seus dois antecessores, mas seu diferencial está no drama, é bem mais tocante a história devido a doença da esposa de Ip Man que conduz o filme de uma maneira sutil, emocionante e muito triste, fazendo até mesmo do mestre Ip alguém irreconhecível, pois sempre o víamos treinando e lutando. Mas apesar disso, o filme não desvia de seu foco que ainda permanece nas cenas de luta. Aqui aparece um lutador de Wing Chun que é dito ser um dos alunos da escola onde Ip Man aprendeu sua arte. A princípio, esses dois possuem um relacionamento amigável, mas situações inesperadas farão com que se tornem rivais.

Mike Tyson faz sua participação como um vilão, que ameaça a escola onde o filho de Ip Man estuda, fazendo com que seu bando a ataquem várias vezes, pois queriam que o diretor a vendessem. Ip Man e seus discípulos para ajudar a polícia ficam como vigias do local, mas nem mesmo isso intimida os criminosos, pois existe uma conspiração criminosa envolvendo o gângster e os oficiais estrangeiros. A participação de Tyson no filme nos gera grandes expectativas, principalmente para uma luta entre ele e Ip Man. E isso acontece, mas deixa muito a desejar, já que a luta dura apenas 3 minutos e sem nenhum vencedor. Talvez o roteiro optasse para não deixar o personagem de Tyson como o vilão principal, já que o outro lutador de Wing Chun é visto com um rival de Ip Man, pois o havia insultado em público, ganhou fama, funda seu dojo e o desafia, afirmando que o kung fu do mestre Ip não é autentico.

Você talvez se pergunte: haverá uma luta, wing chun vs wing chun? Sim! E é a melhor luta do filme. Uma disputa de alto nível feita por colegas da mesma arte marcial. Mas, essa não é a única luta boa do filme, conforme já mencionado, a luta entre Ip Man e Frank (Mike Tyson) apesar de não ter terminado, foi muito boa, também um tailandês é contratado para dar uma surra no protagonista, que o enfrenta na frente de sua esposa doente, dentro de um elevador. Ip Man nessa cena chega a emocionar sua mulher, que a todo tempo se sentia jogada de lado com tantas responsabilidades nas costas de seu marido.

Como no final do segundo filme, um garoto chamado Bruce Lee se dirige a Ip Man pedindo para que ele o ensine, ele volta novamente neste filme já crescido para pedir ao mestre Wing Chun que o aceite como aluno. Sobre a participação de Bruce Lee no filme, houve controvérsias por que os produtores queriam computadorizar a imagem de Bruce Lee para o filme, mas a família do mito brigou na justiça, pois os responsáveis pelo filme iriam fazer isso sem a devida autorização. No final das contas, o ator Danny Chan, que curiosamente havia interpretado Lee na série chinesa Bruce Lee: A Lenda (que eu recomendo que assistam), pois o jovem ator tem uma grande semelhança com o lendário artista marcial. Portanto, sua participação foi bem legal, apesar de aparecer em apenas duas cenas.

Levando em conta para as cenas de luta, O Grande Mestre 3 é inferior aos demais, mas é superior no quesito de drama e o valor da família. Embora isso não colabore muito para o gênero principal, ele foi necessário, pois realmente a esposa de Ip Man sofria de câncer, e o filme além de retratar esse fato, ainda o tornou bastante dramático, fazendo até mesmo com que os egos de lutador ficassem em segundo plano. Particularmente eu achei louvável a atitude de Ip Man e diversos momentos. E o filme ainda é necessário assisti-lo por que se trata de uma biografia. Isso já é motivo suficiente para não perder, principalmente se você já tiver assistido os dois anteriores. 

NOTA: 7,5/10

Leia também: O Grande Mestre 
                     O Grande Mestre 2

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sábado, 9 de dezembro de 2017

PRIMEIRO DA CLASSE


Pessoas que possuem algum tipo de deficiência ou doença, muitas vezes passam a ser alvo de preconceito dentro da sociedade. Algo que acaba dificultando a vida do afetado, pois sua autoestima é rebaixada no meio de chacotas e zombarias. Todo mundo deseja ser reconhecido perante a sociedade, e se há algumas barreiras que impedem de alcançar isso, o que irá ajudar acima de tudo é superação, força de vontade e é claro a ajuda de terceiros. No mundo sem dúvida alguma, está repleto de pessoas que possuem alguma doença ou deficiência que o dificulta muito sua aceitação das pessoas que o rodeiam.

Há uma história real de um caso assim, e que se tornou filme. Brad Cohen foi o cara que passou por este tipo de problema, ele enfrentou diversas barreiras desde a sua infância por que ele sofria de um distúrbio neurológico conhecido como a Síndrome de Tourette, que fazia com que ele movimentasse a cabeça e fazia alguns barulhos, como tiques, algo que incomodava as pessoas ao seu redor.

From of the Class, título original, conhecido no Brasil como O Primeiro da Classe lançado em 2008, é o filme que conta a história de vida de Brad, mas especificamente suas experiências desde a infância até a vida adulta, onde ele se torna professor, cujo desafio foi difícil de conseguir, devido ao preconceito dos colegas e da família na infância até o momento onde ele luta para realizar seu sonho de lecionar. Nesse caminho, diversas barreiras são encontradas e o filme se focará na superação contra o preconceito de uma sociedade que não respeita as diferenças.

Dirigido por Peter Werner e protagonizado por James Wolk, Primeiro da Classe é um filme inspirador até mesmo para quem não sofre da Síndrome de Tourette, sendo um perfeito exemplo de superação para enfrentar os desafios que encontramos na vida, seja ela profissional ou familiar. Além disso, o filme faz uma imensa crítica à sociedade preconceituosa, cuja lição servirá para qualquer tipo de preconceito, pois não se limita apenas a uma doença, mas no ser humano em si.

Quando criança, Brad começa a manifestar os sinais de sua doença, que irritava principalmente seu pai, que o constrangia afirmando que ele fazia os tiques de propósito. Na escola não era diferente, ao fazer seus barulhos, seus colegas riam e os professores não gostavam nada por que se sentiam incomodados. Porém, ninguém ainda sabia o que realmente tinha com Brad, mesmo após muitos tratamentos médicos, onde nem mesmo eles sabiam o que de fato eram os tiques do garoto. Até mesmo uma pessoa sugere que Brad seja exorcizado, mas ao pesquisar sobre os sintomas da doença, sua mãe descobre o problema e com isso passa a ajudar o filho a superá-la.

É importante destacar que a Síndrome de Tourette não é uma doença grave a ponto de afetar a saúde da pessoa ou sua capacidade intelectual. Como já dito, é um distúrbio neurológico que faz movimentos involuntários, no entanto, é uma doença incurável. Se as pessoas se dessem ao trabalho de querer saber sobre essa doença, não haveria tanto preconceito assim. E conforme Brad e sua mãe vão aprendendo sobre a Síndrome, eles agora tinham um motivo para explicar as pessoas sobre os motivos dos tiques involuntários. Há inclusive, a cena onde em um auditório da nova escola, onde Brad não consegue controlar os tiques e é chamado pelo diretor que parecia entender o constrangimento do jovem, ao perguntar o porquê Brad fazia aqueles tiques, ele menciona o nome de sua doença e explica o que ela causa. Dessa forma, o preconceito passou diminuir muito e como resultado, Brad conseguiu controlar parcialmente, pois agora algumas pessoas, incluindo os colegas dele entendiam que ele tinha um distúrbio e que nada podia fazer para evitar.

Percebe-se que a falta de conhecimento leva as pessoas a serem ridículas com outras, e detalhe: Brad não era um aluno ruim, suas notas sempre foram altas, mostrando que seu distúrbio não afetava seu desempenho escolar. Mas quando Brad chega à vida adulta ele enfrenta os mais severos desafios da sua vida, tudo relacionado à sua doença, a quem ele passa a chama-la de “amiga”, pois aceitou viver com a Síndrome como um meio eficaz de superá-la. Nota-se também que ao ficar nervoso pelas pessoas não entenderem o seu lado, os tiques ficam mais frequentes, e ao contrário dessa situação, ele consegue controlar melhor. É só uma questão de ser aceito pelas pessoas, mesmo com sua doença.

Ao lutar para conseguir trabalho como professor, Brad chegou a tentar em 25 escolas, sendo que 24 delas o rejeitou por causa da doença, mesmo ele possuindo um ótimo currículo. Essas 24 escolas achavam que ele não teria capacidade de ensinar se ele porta uma doença que podia incomodar os alunos. Mas uma dessas escolas o aceita, ele é enxergado profissionalmente e teve a chance de começar uma nova etapa na vida ensinando para uma turma do segundo ano, onde enfrentaria outro desafio: a aceitação de seus alunos. Mas, surpreendentemente ele consegue isso rapidamente, ele usava um método de ensino diferente, ensinava em especial como entender e respeitar as diferenças, pois na sua infância ele não teve a mesma sorte com seus professores, explicou também o motivo de seus tiques e os alunos compreenderam, e passaram a amar o novo professor.

Uma luta árdua, mas eficaz. Brad ainda se viu ameaçado quando um pai de uma de suas alunas pede para trocar de classe, pois ele não queria que Brad ensinasse sua filha. Mesmo assim, a autoestima do protagonista estava alta e nada o afetava mais, pois as pessoas que o rodeavam aceitavam sua doença, e inclusive ele chega a ganhar o prêmio de Professor do Ano, devido ao seu método de ensino onde destaca a imparcialidade com as pessoas diferentes. Brad ainda conseguiu uma bela namorada que também aceitava sua síndrome. E suas desavenças com seu pai são mantidas em equilíbrio, agora que ele era alguém bem sucedido na vida, algo que seu pai não acreditava que aconteceria, por isso não havia incentivado quando era criança.

Primeiro da Classe é uma bofetada na cara da sociedade preconceituosa! A vida de Brad Cohen nos ensina importantes lições que servirão para diversos campos da vida, principalmente se estes exigirem provas de superação contra pessoas que não entendem as diferenças que cada um tem. Um filme lindo e cativante, com uma boa direção e boas atuações, sendo um drama que nos emociona e nos motiva a dar o primeiro passo para ir atrás de nossos sonhos, e mesmo quando houver dificuldade em relação a isso, a força de vontade irá nos ajudar a realiza-los. Enfim, é um filme altamente recomendado e que deve ser visto e admirado pelas pessoas. 

NOTA: 10/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

VIAGEM MALDITA


Viagem Maldita, título original The Hills Have Eyes é um filme de terror americano lançado em 2006, dirigido por Alexandre Aja, e com o elenco composto por Aaron Stanford, Emilie de Ravin, Kathleen Quinlan, Ted Levine, Dan Byrd, Robert Joy e Billy Drago. O filme irá abordar uma família que ao viajarem, acabam se deparando por canibais deformados dispostos a devorarem cada um dos membros da família. O filme é um remake de um clássico do cineasta Wes Craven, Quadrilha dos Sádicos (1977). Em 2007 foi lançada uma sequência, que apesar de ser inferior, é bem mais sangrenta devido ao grau de violência ter duplicado.

Sinopse: Bob Carter (Ted Levine) é um detetive durão de Cleveland. Para comemorar seu aniversário de casamento com Ethel (Kathleen Quinlan), Bob decide levar toda a família para uma viagem através da Califórnia. A viagem é também uma oportunidade de fazer com que a família novamente se reúna, porém nem todos estão contentes com a decisão. Lynn (Vinessa Shaw), a filha mais velha do casal, está preocupada com a segurança e o conforto de seu bebê, enquanto que seu marido, Doug (Aaron Stanford), está mais interessado em se aproximar do sogro. Brenda (Emilie de Ravin), a filha adolescente, não gostou de ter que deixar os amigos para fazer a viagem, com o caçula Bobby (Dan Byrd) estando mais interessado em brincar com os dois cães pastores que possui. Apesar das reclamações, todos se reúnem no trailer antigo de Bob e seguem viagem. Ao fazer um desvio, Bob leva a família a um trecho desolado do deserto, onde não há nenhum ser vivente. O carro deles tem um problema exatamente neste local, o que faz com que não tenham como pedir ajuda. Porém, uma ameaça ainda maior surge quando a família Carter percebe que está cercada por um clã sedento de sangue, que vive escondido nas colinas.

Dos filmes de terror dos anos 2000, Viagem Maldita está entre os melhores, por que além da qualidade técnica do filme e do clima de desespero dos personagens que não querem morrer nas mãos de canibais, o filme é um acerto em relação ao original, que até mesmo Wes Craven elogiou a produção. O filme da poucas explicações a respeito dos canibais, sendo que na região desértica onde eles vivem, era um lugar onde o governo realizava experiências com radiação, e a radioatividade havia afetado algumas pessoas ali pelas redondezas. O filme não se intimida em mostrar muita violência, com mutilação e sangue, algo que Viagem Maldita está recheada.

Os canibais são altamente letais e ferozes, eles até nos lembram dos canibais do filme Pânico na Floresta, mas aqui eles não apenas rugem, eles falam normalmente. Mas um grande diferencial é que nem todos os deformados são ruins. Vale destacar uma garota que usa capa vermelha que ajuda as vítimas a escaparem. Também uma característica clichê acontece com a família, como é de costume com filmes de terror, os personagens são burros, pois quem fazia algo de útil no filme eram os cachorros. Mas isso não predomina até o final, que apela para atitudes heroicas e muito radicais da parte de um dos envolvidos. É importante salientar que o diretor resolve desenvolver um pouco os personagens principais antes de começar a dar um banho de sangue na tela, acredito particularmente que um filme de terror que se preze tem que desenvolver alguns personagens, mesmo que seja pouco. Conforme mencionado na sinopse, os membros da família Carter possuem diferentes personalidades que são bem exploradas inicialmente, mas sem perder o foco principal que o longa traria.

A fotografia do filme é um espetáculo à parte, não sei por que, mas eu amo filmes que se passam em desertos. Acho que o ambiente isolado e hostil me atrai de alguma forma. Mas quando os ataques começam, o clima do filme se direciona a muita tensão e agonia, fazendo com que o espectador não perca nada do que estaria por vir. As cenas são fortes e extremamente violentas, sem mencionar o fato dos assassinos serem de aparência horrível, além disso, são mais fortes do que uma pessoa normal, podendo facilmente levantar um homem com apenas as mãos.

À medida que o filme caminha para seu desfecho a violência aumenta gradativamente e ao mesmo tempo, os personagens que restam da família vão ganhando destaque devido a sua coragem e ousadia. Apesar do aumento da violência e mutilação, o roteiro se mantém e não deixa margens para possíveis falhas, e acima de tudo, preza a dignidade de alguém que se esforça para sobreviver. Em algumas situações pode não agradar uma grande parte do público, no entanto, o real objetivo do filme é tornar aquele deserto isolado em um campo de carnificina humana, e por mais brutal que seja o filme é bem apurado com sua premissa e com certeza agrada aos fãs do gênero.

Viagem Maldita é um filme brutal, e Alexandre Aja explora isso de uma forma magistral e competente. Um terror gore sádico e repleto de adrenalina, isso faz até mesmo com que o filme seja superior ao original. Fãs do gênero terror que ainda não conferiram essa obra, corra agora. Posso garantir que não irá se arrepender se você for daqueles que gostam de ver sangue e mutilação. Viagem Maldita é um filme ideal para isso, além de ser também bastante assustador e impactante! 

NOTA: 8,2/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

INSTINTO SELVAGEM


Um dos suspenses mais provocativos do cinema está entre aqueles que fizeram sucesso na década de 90, e mesmo hoje, 25 anos depois ele continua atual e surpreende o espectador com uma trama pra lá de intrigante. Instinto Selvagem, título original Basic Instinct foi dirigido por Paul Verhoeven é um suspense erótico lançado em 1992. Estrelado por Sharon Stone e Michael Douglas, esse é o filme que fez da atriz Sharon Stone um ícone sexual, lembrado e venerado por muitos fãs.

Atenção: pode conter alguns spoilers!

Sinopse: Ao investigar um assassinato, o detetive Nick Curran (Michael Douglas) se vê diante de um mistério: a principal suspeita é a namorada da vítima. Catherine Tramell (Sharon Stone) é uma escritora de sucesso, e descreveu em seu último livro uma cena exatamente igual à do crime. A situação se complica porque Nick se vê envolvido com a insinuante escritora, numa trama de intrigas e sexo, que pode acabar com a sua carreira ou até mesmo com a sua vida.


Instinto Selvagem é um filme ousado e com cenas de arrepiar. Logo na primeira cena, nos confrontamos com uma cena de sexo muito excitante, mas, durante o clímax da relação sexual, a mulher pega um picador de gelo e mata o parceiro a punhaladas. Nessa cena, o diretor foca na cara da vítima quando é atacada, mostrando o realismo da cena que foi extremamente violenta. Também as cenas de sexo tem esse diferencial, sendo explícito e com a intenção de provocar o espectador. Esse crime ocorrido é o que levará a narrativa do filme, onde uma investigação policial tenta desvendar esse mistério e encontrar a assassina.

É nesse contexto que o já mencionado Nick Curran se torna encarregado de investigar, e a principal suspeita do crime é a namorada da vítima, óbvio. O problema é que essa mulher não é uma mulher comum. Quando ela é interrogada pelos policiais, ela mostra frieza e sensualidade, causando desconforto nos oficiais, além disso, é ela quem os interroga. Muito inteligente e calculista Catherine Tramell joga muitos enigmas sobre o crime ocorrido. O fator importante nisso é que ela como escritora, havia descrevido a cena do crime em uma de suas obras, o que levanta suspeita, mas ao mesmo tempo a inocenta. E é nessa cena do interrogatório que acontece a famosa cruzada de pernas da atriz Sharon Stone, o intuito disso é distrair mais ainda os policiais, em especial Nick Curran, que fica fascinado com a misteriosa mulher.


Mas o que gerou polêmica a respeito dessa cena, é que Stone não estava usando calcinha. A cena é tão famosa que até hoje ela da o que falar, sendo considerada a “cruzada de pernas mais sexy já vista”. Com a beleza, ousadia e inteligência de Tramell, Nick Curran acaba se envolvendo com ela, mesmo que isso signifique perigo para ele. Vale mencionar que os personagens do filme não sabe nada a respeito do caráter de Tramell, mas o espectador já sabe desde o inicio que ela não é apenas uma mulher bonita e frágil.

O suspense do filme ganha seu ápice quando Catherine joga o quebra-cabeça contra outra pessoa próxima a Nick, fazendo dela a principal suspeita pelo crime do inicio, e quando ocorrem novas vítimas, Nick Curran deveria largar Tramell de uma vez, mas ele havia ficado tão apaixonado que não conseguia mais voltar. Recheado de momentos tensos e alucinantes, o filme ainda provoca o espectador na cena em que Tramell e Nick estão transando e ela o amarra na cama e ainda chega a pegar o picador de gelo, nos lembrando do assassinato que tinha ocorrido, essa cena mostra realmente quem é o assassino que a polícia queria saber, e olha que um desses policiais estava bem ali. Mas a personalidade de Nick havia mudado radicalmente com a sedução de Catherine. Ele era como um macho alfa que domina a fêmea, tal como ocorre em uma cena de sexo entre Nick e Beth, uma ex-namorada. Mas com Catherine, Nick é completamente dominado pela loira, que faz do sexo a sua melhor arma, tanto para escapar quanto para mudar as cartas do jogo, dessa forma, sem perceber Nick Curran vira um cão obediente aos comandos de sua dona. Sinistro gente! Fica impossível não gostar dessa trama.


Instinto Selvagem é um ótimo suspense, seu foco não está nas cenas de sexo ou mesmo na investigação, e sim no clima tenso e arrepiante! A química dos personagens combina muito e as situações são extremas o suficiente para nos deixar com um nó na garganta. Também é justo elogiar as cenas de sexo, sendo muito bem feitas e excitantes, o diretor ainda opta por mostrar o corpo de Sharon Stone, que esbanja muita sensualidade que cativa qualquer homem, além de ser muito linda, ela não tem papas na língua e fala o que vem na cabeça, mas tudo sendo habilmente planejado de acordo com a situação em que ela se encontra.

No entanto, Instinto Selvagem teve uma sequência que foi lançado em 2006, porém, ao contrário deste, o segundo filme decepcionou muito, sendo fraco e leve demais. Por isso, eu não recomendaria, mas se tratando deste primeiro, pra quem aprecia um bom suspense não pode deixar de conferir. Instinto Selvagem é um clássico dos anos 90, que além de obter muito sucesso, foi esse filme que lançou Sharon Stone para a fama internacional, mesmo quando ela já havia trabalhado em outros filmes famosos como O Vingador do Futuro e As Minas do Rei Salomão, mas estes não tiveram tanto impacto quanto o suspense erótico de Paul Verhoeven. 

NOTA: 7,8/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

domingo, 3 de dezembro de 2017

MULHER-MARAVILHA


Desde o final da década de 90 que a Warner Bros planejava fazer um filme da Mulher-Maravilha, muitos projetos estavam sendo elaborados, roteiros sendo escritos e atrizes sendo escolhidas para o papel da heroína. Apesar de grandes dificuldades, a Warner Bros não desistiu do projeto, e continuava planejando juntamente com outros super-heróis da DC Comics. Após a heroína aparecer no filme Batman vs Superman, tendo a atriz Gal Gadot interpretando-a, surgiu grandes expectativas para um filme solo. E assim se sucedeu. Lançado em 2017 e dirigido por Patty Jenkins, Mulher-Maravilha veio para superar as expectativas, trazendo uma história interessante que se passa durante a guerra, com um bom desenvolvimento da protagonista assim como os demais personagens que compõe o filme.

A bela atriz israelense Gal Gadot encarnou a heroína de uma forma brilhante e perfeita. Além dela, o filme conta com os nomes de Chris Pine, Robin Wright, Danny Huston e Elena Anaya. O filme contará a história da princesa Diana, que cresce na ilha de Themyscira, isolada completamente do resto do mundo. O local é o lar da raça Amazona de mulheres guerreiras criadas pelos deuses para proteger a humanidade contra a corrupção de Ares, o deus da guerra. Diana é proibida de treinar, pois a Rainha Hipólita acreditava que Ares não iria mais retornar, mas Diana e sua tia desconsideram a proibição e treinam em segredo. Após um tempo, um piloto americano Steve Trevor cai no mar da ilha e é resgatado por Diana, ele conta para ela sobre a Primeira Guerra Mundial. Diana, movida por senso de justiça e acreditando que a guerra é obra de Ares, ela deixa sua casa e parte com o piloto para a guerra, a fim de acabar de uma vez por todas com o conflito.

O filme é recheado com uma linda fotografia e efeitos especiais deslumbrantes! As cenas de combate são ótimas e é claro que ao ver uma mulher lutando contra os inimigos, é algo que irá ficar para a história. Muito bem conduzido pela diretora Patty Jenkins, o filme não é nada cansativo e logo nos momentos iniciais é capaz de prender a atenção com o treinamento na ilha onde Diana foi criada. Ela acreditava em deuses e não fazia a menor ideia do que estava acontecendo ao redor do mundo. O quadro muda quando o piloto Steve aparece lá e conta sobre a guerra. Os motivos de Diana em relação a isso são mais do que óbvio, além de acreditar que Ares é responsável pela guerra, ela também se preocupa com as pessoas, e ao saber que inocentes estão sendo aniquilados, e ela se vê obrigada a ajudar.

Além de conter ótimas cenas de ação, Mulher-Maravilha não escapa de algumas pitadas de comédia e romance. Quando Diana chega à cidade, ela não consegue perceber que ali é tudo diferente, ela ansiosa para entrar na guerra, acaba andando em público com um escudo e espada, causando constrangimento a Steve que estava a acompanhando. Também ao usar roupas normais, ela age como criança ao experimentar vestidos que ela nunca usou na vida. Esses momentos são engraçados e divertem ao longo do filme, pois se trata de uma forma de se adaptar a um novo ambiente, e conforme todos sabem, pois já tivemos que passar por isso alguma vez na vida. Diana e Steve acabam se apaixonando um pelo outro, a química entre eles é tão nítida que não da pra disfarçar, um romance inocente, porém, bem eficaz.

Quando Gal Gadot entra em cena vestida de Mulher-Maravilha é capaz de fazer qualquer marmanjo ficar babando tamanha beleza! E quando ela avança na guerra, mesmo após saber que os soldados não podiam andar nem sequer um metro adiante, senão seriam alvejados? Diana não tem medo de armas, ela utiliza suas habilidades obtidas através de anos de treinamento e sozinha consegue parar um exército, sendo ágil e forte, ela impressiona a todos, inclusive os soldados inimigos. O mais interessante é que antes disso, ela tinha invadido uma sala onde havia generais do exército discutindo a possibilidade de avançarem no campo de batalha, e ao verem uma mulher ali presente, todos eles se sentem incomodados, pois acreditam que mulheres não servem para lutar. Em vista disso, o filme critica o machismo e quando os generais percebem a façanha que Diana fez, sem a ajuda de armas, ficam admirados e é claro, ficam também confiantes agora que tinham alguém especial para ajuda-los.

Vale destacar que a história desse filme é uma lembrança de Diana, que no início estava trabalhando no Departamento de Antiguidades do Museu do Louvre, após os eventos do filme Batman vs Superman: A Origem da Justiça, ela recebe uma fotografia que ela tirou com os soldados na guerra, lembrando então o seu passado que é nada mais e nada menos do que a narrativa do filme Mulher-Maravilha.

O principal alvo de Diana é Ares, e o desfecho do filme é o confronto entre ambos. Como Diana é inocente em relação ao mundo, sua crença na mitologia a respeito do deus da guerra é que a motiva a ir até o fim, mesmo quando algo inesperado acontece, libertando a fúria de Diana, o que leva a um desfecho impactante! Sendo um dos grandes filmes de 2017, Mulher-Maravilha não decepcionou e provou que uma mulher não fica atrás quando o assunto é partir para a ação. Também a diretora Patty Jenkins merece grandes elogios por seu trabalho, assim como Gal Gadot, pois seu papel como a protagonista serviu perfeitamente nela, e ela conseguiu manter o ritmo sem forçar em nada, uma das melhores performances da atriz em sua carreira. 

NOTA: 9/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sábado, 2 de dezembro de 2017

ANACONDA 3


Ao invés de tentar manter o ritmo na franquia, Anaconda 3 tropeçou feio e nos trouxe um filme medíocre e sem nada a oferecer. Além de conter uma história rasa e diálogos forçados, o filme traz uns efeitos especiais capazes de causar náuseas de tão mal feito que é. Anaconda 3 foi lançado em 2008 diretamente em vídeo aqui no Brasil. Dirigido por Don E. FauntLeRoy e estrelado David Hasselhoff, Cristal Allen e John Rhys-Davies.

Sinopse: Em um laboratório de pesquisas secretas no interior da Europa, duas cobras gigantescas são submetidas a testes por um brilhante cientista. Mas o gerente de finanças abusa da experiência, e as cobras escapam. Elas estão famintas e vão direto para onde está a civilização. Um grupo de mercenários é contratado para impedir que os animais fujam para longe e faça um estrago. Porém, o que eles não sabem é que uma das cobras está prenha e logo vai ter sua ninhada. Começa então a corrida contra o terrível avanço das cobras antes que elas cheguem à cidade.

Para começar, já adianto que o filme é uma droga total, comparando com os dois anteriores. E nenhuma ligação é feita, exceto nas experiências que são feitas a partir das orquídeas sangrentas, mas o local aqui é na Europa. E adivinha quem participou na distribuição? Se você ao se der conta dos efeitos especiais do filme e lembrou logo do canal Syfy, acertou em cheio! O canal distribuiu esse filme, sendo a estreia exibida diretamente no canal, por que será que não foi para os cinemas né?

A produção é realmente tosca. Cobras sendo mantidas em um laboratório, e note que esse laboratório é pequeno, e o engraçado é que ele consegue abrigar duas anacondas gigantescas. Mas isso não é o pior, a cobra consegue cuspir sangue na cara das vítimas e pasmem... A sua cauda contém na ponta uma lâmina pontiaguda, que ela usa para atravessar o corpo das presas e mata-las na hora. E embora o filme não explique diretamente o porquê dessas armas surreais, é entendido que o motivo dessas cobras serem diferentes está relacionado a um soro que os cientistas produzem a partir delas no laboratório.

Sinceramente, depois de dois bons filmes com cobras, vem um terceiro para fazer um estrago total e rebaixar a franquia! Nos dois primeiros houve um clima bem mais tenso e até mesmo cômico, Anaconda 3 não consegue ser nenhum um e nem outro. Além do mais, as atuações são nitidamente forçadas, cenas de mutilação ultrapassam os limites de exagero e não há nenhum momento em que ficamos tensos com o ataque dessas víboras. Também vale ressaltar que as cobras são lerdas e a todo o momento elas fogem ao ouvirem disparos.

Como não podia faltar, há aquela típica disputa entre os personagens sobre o motivo de haver cobras com uma lâmina na cauda, e que se tratavam de experiências proibidas e tudo mais. Mas isso não corrobora com nada quando havia anacondas à solta, só servem para passar o tempo, nada mais que isso. Quando chega ao clímax, o filme começa a ficar mais maluco do que já estava, fazendo do cara que pensamos ser o protagonista virar bandido, se o roteiro fez isso na expectativa de surpreender o público, ele fracassou completamente. Antes disso, o filme estava tão idiota, e se o roteiro tenta se sobressair com um final inesperado achando que isso iria apagar toda a merda que fez durante mais de 70 minutos de filme, pode esperar sentado, a única coisa que conseguiu fazer com isso foi irritar mais ainda o público!

Enfim, embora eu goste dos dois primeiros filmes da Anaconda, esse terceiro veio de cabeça pra baixo, algo que nos fazem querer que este filme nunca fizesse parte da franquia. E ainda tem o quarto filme, que mesmo sendo melhor que esse terceiro, ele ainda teve a coragem de errar nas mesmas teclas. 

Leia também: Anaconda e Anaconda 2
Veja o trailer de Anaconda 3 no vídeo abaixo: