segunda-feira, 6 de novembro de 2017

DIVERTIDA MENTE


A produtora Pixar Animation Studios recebeu grandes elogios por ter lançado em parceria com o Walt Disney Pictures, o filme Divertida Mente em 2015. A animação fez tanto sucesso que lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme de Animação. Dirigido por Pete Docter, e com vozes de Amy Poehler, Phyllis Smith, Lewis Black e Bill Hader. Divertida Mente explora um tema bastante complexo para ser direcionado às crianças, e que embora seja uma animação, o tema e a mensagem central do filme só será entendida por pessoas que tem discernimento das coisas. Mas, é claro que o filme também é muito divertido, repleto de situações cômicas capaz de nos fazer rir, mas, em contraste, há um toque dramático muito forte, que nos emociona a ponto de fazer uma reflexão sobre a importância de nossas emoções.

Sinopse: Crescer pode ser uma jornada turbulenta, e com Riley não é diferente. Ela é retirada de sua vida no meio-oeste americano quando seu pai arruma um novo emprego em São Francisco. Como todos nós, Riley é guiada pelas emoções: Alegria (Amy Poehler), Medo (Bill Hader), Raiva (Lewis Black), Nojinho (Mindy Kaling) e Tristeza (Phyllis Smith). As emoções vivem no centro de controle dentro da mente de Riley, onde a ajudam com conselhos em sua vida cotidiana. Conforme Riley e suas emoções se esforçam para se adaptar à nova vida em São Francisco, começa uma nova agitação no centro de controle. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente se manter positiva, as emoções entram em conflito sobre qual a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola.

Logo de inicio, o filme já consegue nos prender por que o tempo todo, nós vemos as emoções no centro de controle trabalhando duro para fazer da vida de Riley a melhor possível. Tudo é muito bem feito, como por exemplo, os eventos do dia de Riley são armazenados em esferas que representam as memórias da vida da garota. O filme ensina com perfeição como a mente pode ser afetada com grandes mudanças na vida, o que exatamente ocorre quando Riley enfrenta o dilema de morar em outro lugar, longe de seus amigos e hábitos que eram comuns, entre eles o de jogar Hockey. Assim, mudanças de comportamento acontecem e as emoções dentro da mente da garota passam a desempenhar seu papel em meio às situações que acontecem no dia-a-dia da menina.

Um detalhe muito interessante e que logo me chamou a atenção, foi o fato da Alegria e as demais emoções repreenderem muito a Tristeza, sempre que ela ia fazer algo, Alegria principalmente, já a impedia com receio de que algo possa deixar Riley triste. Aos poucos durante o decorrer do filme, entendemos a grande lição de que todas as emoções têm um papel importante na vida das pessoas, e que se faltar alguma, tudo pode desmoronar. E é exatamente o que acontece no filme. Alegria e a Tristeza acabam se perdendo dentro do cérebro de Riley, estando longe do centro de controle. Isso acaba fazendo com que a garota mude drasticamente seu comportamento, pois as ausências da alegria e da tristeza fizeram dela uma garota rebelde, que motivada pela raiva acaba até mesmo fugindo de casa.

As emoções Raiva, Nojinho e Medo até que tentam esbanjar alguma alegria na garota, pois essa era a sua principal emoção que resolvia os problemas da melhor maneira possível, mas sem a emoção da alegria, isso não acontece. E quando o mundo na mente de Riley está um caos, pois ela quebra os padrões de moral, tal como a honestidade, várias memórias boas a respeito do Hockey sendo descartadas. O conflito com sua melhor amiga, e até mesmo a Alegria se viu ameaçada de ser completamente esquecida da mente de Riley, caindo numa espécie de lixão onde as lembranças que serão esquecidas completamente viram pó. Mas, Alegria que consegue escapar por pouco.

Durante a parte mais emocionante, onde a emoção do Medo faz Riley cair em si e voltar para a família, é nessa hora que entendemos o papel da Tristeza, e o fato dessa emoção ter sido ignorada, desde o inicio, ela consegue fazer com que os sentimentos mais sensíveis de Riley venham à tona, e assim consegue reconstruir tudo o que era perfeito em sua mente. E isso traz resultados positivos, como o retorno ao Hockey, a escola, e a convivência com a família, que estava ameaçada por sentimentos ruins. Tudo encaixado e elaborado de uma forma eficaz e esplêndida!

Se há importantes lições que possam ser tiradas através de um filme, Divertida Mente cumpre esse papel muito bem. Nele conseguimos entender a importância das emoções, como determinadas mudanças podem nos afetar mentalmente, e sentimentos como a Tristeza que desempenham um papel fundamental quando fazemos algo de errado, que depois nos arrependemos, pois ser triste não é uma coisa ruim, muito pelo contrário ajuda melhor do que qualquer outra emoção em situações assim. De fato, é um filme único, uma ideia muito bem encaixada de uma maneira divertida e emocionante.

A Pixar já é famosa em produzir animações no bom estilo, que além de divertir, consegue emocionar, isso em si é uma conquista tão grande que induzem até mesmo a aqueles que não são muito achegados à animação a conferirem outras obras da produtora. Em Divertida Mente não há o que reclamar ou falar mal, sinceramente. Os personagens que representam as emoções são tão fofos e carismáticos que dá muita vontade de ter um em casa, como eu não sou mais criança, eu poderia fingir ser uma. E por falar nisso, há um detalhe que não posso deixar de mencionar aqui, é a questão da nostalgia. Isso é explorado no filme? Sim, e como hein. Dentro do cérebro de Riley há uma parte onde ela guarda as grandes lembranças no decorrer da vida, muitas delas sendo inesquecíveis. É aí que nós relacionamos aos eventos antigos que nos deixam saudades, estão todos ali guardadinhos na nossa mente.

Simplesmente genial! Divertida Mente é um filme bastante divertido, até mesmo os adultos irão se cativar com a história, sendo que a mensagem final do filme só será entendida por quem já passou por grandes mudanças, uma criança dificilmente conseguirá captar a essência da história, para elas o que mais vale é a diversão e claro a animação colorida. Se você ainda não viu Divertida Mente não sabe o que tá perdendo, eu particularmente considero um dos melhores filmes de animação que já vi até hoje, mais do que merecido o Oscar. 


NOTA: 10/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sábado, 4 de novembro de 2017

O ORFANATO (2007)


Guillermo Del Toro foi o cara que conseguiu mesclar terror e drama de uma forma única e fidedigna. Vemos em seus filmes como A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno essas características típicas para filmes de fantasmas ou que abordam o mundo fantástico. E com o sucesso desses filmes, Del Toro foi produtor de um filme um pouco semelhante ao filme A Espinha do Diabo e Os Outros , sendo que este último não teve as mãos do cineasta mexicano. O filme intitulado O Orfanato foi lançado em 2007 e foi dirigido pelo até então estreante Juan Antonio Bayona. Estrelado por Bélen Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep e Geraldine Chaplin, o filme nos traz um drama de uma mulher que tem seu filho desaparecido, e segundo algumas suposições, o desaparecimento pode ter sido causado por espíritos.


Sinopse: Laura (Belén Rueda) passou os anos mais felizes de sua vida em um orfanato, onde recebeu os cuidados de uma equipe e de outros companheiros órfãos, a quem considerava como se fossem seus irmãos e irmãs verdadeiros. Agora, 30 anos depois, ela retornou ao local com seu marido Carlos (Fernando Cayo) e seu filho Simón (Roger Príncep) de 7 anos. Ela deseja restaurar e reabrir o orfanato, que está abandonado há vários anos. O novo local desperta a imaginação de Simón, que passa a criar contos fantásticos. Entretanto, à medida que os contos ficam mais estranhos, Laura começa a desconfiar que haja algo à espreita na casa.

Somos presenteados com uma mulher altamente determinada e que não deixa dúvidas quanto ao amor que sente pelo filho, que é portador do vírus HIV. A princípio, o filme não contém nada além de um drama, vivido por Laura naquele orfanato. O filme passa a ganhar tom misterioso com alguns amigos imaginários de Simón. E durante uma festa, o garoto desaparece, deixando sua mãe em prantos ao mesmo tempo em que ela se culpa por isso. Mas, para piorar a situação, após várias semanas sem sinal do garoto, Laura passa a desconfiar de que o orfanato está mal assombrado, e que fantasmas tenham levado seu filho, assim ela começa uma grande busca na esperança de encontrar uma solução e o possível paradeiro de seu filho.


O amor de uma mãe predomina o filme inteiro. Muitas pessoas se comovem com a situação pela qual a protagonista se encontra. A direção conduz habilmente para um desfecho de cortar o coração, ao mesmo tempo sendo inteligente e emocionante. Belén Rueda é uma atriz excepcional, e consegue mostrar através de suas emoções o que significa perder um filho, mesmo que seja adotivo, sentimentos que só uma mãe pode descrever. O filme ainda nos traz uma sessão espírita, onde Laura chama um grupo de pessoas que são especialistas em fazer contato com os mortos, entre eles está o ator Edgar Vivar, o eterno Seu Barriga do seriado Chaves, fazendo aqui uma ótima participação. É interessante e ao mesmo tempo clichê a situação dos personagens quando se deparam com a possibilidade dos espíritos viverem no orfanato, um deles sendo cético, também o fato das crianças desenharem imagens macabras, faz com que alguns se derretam quando terão de entrar em contato com possíveis fantasmas.

No entanto, apesar de ser um filme onde aborda espíritos fantasmagóricos, não temos um desfecho surpreendente, e sim um final muito triste e ao mesmo tempo comovente. Nem todos gostaram do final, há opiniões mistas a respeito dele, mas a grande maioria dos fãs gostou entre eles eu, pois houve uma interligação de eventos do passado, que o tornou muito compreensível, mas sendo impossível de não nos comover a ponto de romper em lágrimas. O Orfanato é um filme muito admirável pela sua fotografia e história. E quando o longa passa a ter um clima de suspense, levamos um choque quando ficamos ansiosos para saber quem são as crianças mascaradas que aparecem, dando o ponto de partida para a incessante busca de Laura pelo seu filho.


De modo resumido, O Orfanato é um estilo novo para o gênero terror, e que através de Guillermo Del Toro, o cinema acabou agarrando a ideia de produzir filmes parecidos, e que tem um tom amedrontador capaz de nos cativar, a ponto de nos fazer refletir por causa de seus toques dramáticos, onde algumas pessoas poderão se identificar. No geral, O Orfanato é um ótimo filme e que não merece estar atrás de outros do gênero. 

NOTA: 9/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

HOMEM-ARANHA 3



Vamos falar agora do encerramento da trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi, a saga do aracnídeo mais famosa e considerada a melhor de todas. Depois de dois grandes sucessos com o aracnídeo, Raimi mais uma vez trouxe o personagem para as telas. Lançado em 2007, Homem-Aranha 3 nos traz novamente o mesmo elenco do anterior, mas com novos personagens que contribuirão muito com a história. Tobey Maguire, Kirsten Dunst e James Franco reprisam seus papéis como Peter Parker, Mary Jane e Harry Osborn respectivamente. Nesse terceiro filme temos as novas participações de Topher Grace, Thomas Haden Church e Bryce Dallas Howard nos papéis de Eddie Brock, Flint Marko e Gwen Stacy respectivamente.

Sinopse: Peter Parker (Tobey Maguire) finalmente conseguiu encontrar o equilíbrio entre sua devoção a Mary Jane (Kirsten Dunst) e suas obrigações de super-herói. Mas uma tempestade se aproxima de seu horizonte. Quando a sua roupa de Homem-Aranha repentinamente se transforma, tornando-se negra e aumentando seus poderes, ela também transforma Peter. Sob a influência dessa nova roupa, Peter se torna convencido e arrogante, passando ainda a negligenciar as pessoas que mais ama. Enquanto dois dos mais temidos vilões já vistos, Homem-Areia (Thomas Harden Church) e Venom (Topher Grace) se unem para arquitetar uma incrível vingança contra o Homem-Aranha, no entanto, a maior batalha de Peter é consigo mesmo. O Homem-Aranha vai ter que redescobrir a compaixão que o faz ser quem realmente é: um herói.

Embora muitos críticos não tenham aprovado esse terceiro filme, por conta de Raimi ter se deixado guiar pela pressão dos produtores ao inserir personagens, que pelo olhar dos críticos não agradou. Eu em particular, não concordo com o que a crítica especializada fala a respeito de Homem-Aranha 3, pra mim ele esteve do mesmo nível que seus anteriores, é claro que houve alguns deslizes, mas não tão extremos a ponto de desvalorizar o longa como um todo. Digo isso por que a qualidade do filme, o desenvolvimento de personagens e a aparição de novos vilões, em dose tripla pra ser exato, não fazem do filme um fiasco, conforme alguns dizem. Não quero me comparar com a crítica, apenas vou dar minha opinião considerando alguns detalhes que foram criticados. 

Homem-Aranha 3 não só fez o que muitos gostaram de ver, como também trouxe mais adrenalina para a trama. Ver o Peter Parker de boa com os estudos, sua namorada e suas responsabilidades como herói, não poderia ter algo melhor do que a aparição de grandes vilões para atormentar sua vida. Vale mencionar que todos eles são desenvolvidos em conformidade com o roteiro e damos conta dos reais motivos para eles odiarem o herói. 

A primeira coisa que foi criticada no filme foi o modo como a simbiose alienígena vai parar na terra, e gruda na vida do protagonista. Na verdade, Peter e Mary Jane estavam admirando as estrelas deitados na teia de aranha presa em uma mata, e alguns criticaram o fato de um meteorito em que a simbiose aparece cair próximo ao local onde o casal estava, mas passou despercebido. O meteorito caiu a metros de onde eles estavam e como era bem pequeno, não chegou a fazer nenhum estrondo. Mas passou despercebido por quê? Por que foi justamente na hora do beijo entre Peter e Mary Jane. Não havia como ter percebido, e isso é muito claro de ver. 

O filme aos poucos vai desenvolvendo os vilões e os novos personagens. Flint Marko, por exemplo, em sua primeira cena o mostra fugindo da prisão, depois nos deparamos com o drama que ele carrega nas costas: sua filha doente. Tal motivo dele ter entrado no mundo do crime, roubar dinheiro para pagar o tratamento da filha. Embora seja atitude errada, nós o vemos como um pai desesperado com a saúde da filha. Continuando a fugir, Marko acaba caindo em um acelerador de partículas experimental, que acaba fundido seu corpo com areia, e que o acaba permitindo se metamorfosear à vontade como o Homem-Areia, em uma sequência de efeitos especiais deslumbrantes e maravilhosamente bem feitos!

Desde o final do primeiro filme, Harry Osborn ansiava vingança contra o Homem-Aranha, pois ele acreditava que o herói mascarado havia matado seu pai. E durante o segundo filme, na sua busca incessante pelo aranha, ele acaba descobrindo sua verdadeira identidade, que foi como um soco no estômago. Mas, em Homem-Aranha 3, Harry ainda não tinha se esquecido de seu objetivo, até mesmo depois de descobrir que o cara que ele desejava pegar era seu melhor amigo, por isso, Harry se torna um vilão, digamos assim temporário do Homem-Aranha, como o Duende Verde Jr. Há inclusive a cena em que Harry ataca Peter na rua, causando uma briga alucinante entre os dois no ar. Confesso que essa é uma das melhores cenas do filme.

No entanto, nessa briga, Harry acaba batendo a cabeça e perde temporariamente a memória, esquecendo até mesmo de quem supostamente matou seu pai e a verdadeira identidade do Homem-Aranha. Esse fato foi também muito criticado, pois acaba jogando todo o plano de vingança do Harry para escanteio, nesse caso eu concordo com a crítica, mas tal acontecimento foi bem encaixado com o restante do roteiro, e isso acabou sendo plausível, muito embora, desejássemos muito que o Duende Jr. tivesse outra luta com Peter.

Os demais personagens como Eddie Brock e Gwen Stacey se infiltram na trama, e infelizmente acabaram sendo alvo de críticas negativas. Nos dois casos, eu simplesmente não entendo por que os críticos odiaram o desempenho e a intenção desses personagens no filme. No caso da Gwen, ela é introduzida como uma nova colega da Universidade onde Peter estudava, sendo aquela típica colega que pede ajuda aos nerds da classe. Isso a faz ser muito próxima de Peter Parker. Depois do Homem-Aranha salvá-la após esta cair de um prédio de 60 andares, ela por ser filha do capitão de polícia, entrega a chave da cidade para o aracnídeo, em uma grande festa na qual Peter fica tão empolgado que beija a garota sem pensar no fato de que sua namorada Mary Jane estava vendo tudo. É para isso que Gwen serve no filme. Causar um desconforto imenso no relacionamento de Peter e Mary Jane, mesmo que não tenha sido para provocar, já que Gwen não sabe a identidade do herói. E após isso, aquele círculo amoroso ganha força, principalmente quando Harry recupera a memória e contribui para machucar Peter emocionalmente em relação à Mary Jane.

Eddie Brock é o cara que se tornaria mais um dos vilões. Mas será que isso acontece sem explicação e motivo? De maneira nenhuma! Em primeiro lugar, Eddie era a concorrência de Peter como fotógrafo no Clarim Diário, ele inclusive é citado no primeiro filme. Todos sabem que o chefe do jornal não gosta do Homem-Aranha e no filme ele propõe um desafio aos dois fotógrafos pegar o aracnídeo dando deslize, caso alguém trouxesse uma foto dessas ganharia a vaga de fotógrafo oficial do Clarim Diário. Mas Eddie acaba trazendo uma foto montagem, para incriminar o Homem-Aranha e ganhar a vaga, mas logo é desmascarado e humilhado por Peter na frente de todos, fazendo-o com que perca o emprego e uma possível proposta de trabalho, já que o Clarim Diário publicou uma retratação se desculpando com o Aranha, e ainda publicou a foto de Eddie como impostor. Em segundo lugar, Eddie é apaixonado por Gwen, mas ela acaba sendo usada por Peter para fazer ciúmes a Mary Jane. E na cena em que Gwen e Peter estão juntos, Eddie os avista expressando um sentimento de derrota e ao mesmo tempo com ódio de Peter. 

E é dessa forma que ele se torna o Venom, através do ódio! Vale lembrar que Peter só é possuído pela simbiose após este descobrir novos fatores sobre a morte de seu tio Ben, interligando com outros acontecimentos do filme, se tornando uma pessoa vingativa, no parágrafo seguinte irei falar sobre a nova personalidade que Peter passa a ter, mas continuemos aqui com Eddie Brock. O Venom aparece apenas nos 30 minutos finais, se mostrando mais forte e astuto do que o Homem-Aranha, a simbiose é expulsa por Peter e se apodera de Eddie que estava nutrindo ódio. Portanto, o modo como Venom é introduzido no filme pode até parecer um pouco forçado e rápido demais, mas é importante ressaltar que Raimi conseguiu encaixá-lo muito bem. Ademais, Eddie foi bem explorado, apesar de não sabermos nada sobre as origens dele, mas isso seria irrelevante para a história.

Agora a atração principal do filme Homem-Aranha 3 é a nova roupa do Peter. E ela é feita através da simbiose que conforme já mencionado, aparece no começo do filme através de um meteorito. Mas como dito no parágrafo anterior, a gosma alienígena só se apodera de Peter após ele descobrir que seu tio fora morto por Flint Marko, o Homem-Areia, na qual Peter havia enfrentado horas antes quando o vilão havia assaltado um carro forte. Após descobrir que o assassino de seu tio estava solto, Peter se deixa dominar pela raiva, e passa a ter pesadelos com o que ocorreu com seu tio, e se aproveitando do sentimento de raiva, a simbiose acaba se apoderando de Peter e transforma sua roupa de aranha em um traje preto. E também passa a dar a sensação de força e poder para Peter. Levando em conta esses fatores, é natural que a partir daí Peter passa a se tornar arrogante vingativo. Mudando sua personalidade quase que por completo, ficando irreconhecível diante das pessoas com quem ele convive. 

Peter foi criticado por sua postura diante da namorada, como por exemplo, não pensar nela no momento em que ele beija Gwen, por que estava muito feliz por ser idolatrado pela cidade de Nova York. Outro fator negativo na opinião de muitos, foi o declínio de carreira da Mary Jane, porém, esse fator acabou contribuindo para um drama ainda maior, envolvendo o círculo amoroso entre Peter, Mary Jane e Harry, já que ela estava com carência emocional e Peter não dava a detida atenção, devido aos problemas envolvendo a simbiose e o Homem-Areia. Embora esses aspectos pareçam irrelevantes, eles se tornaram um ponto chave para o desfecho e a luta final entre o Aranha e os vilões. 

Harry e Peter se esbarram em uma nova briga envolvendo Mary Jane, a essa altura Harry já havia recuperado a memória e estava se vingando de Peter. Mas quando Mary Jane é sequestrada por Venom que tinha feito parceria com o Homem-Areia para matar o Aranha, e Harry com seu traje de Duende Jr volta para se aliar ao Peter. A justificativa que o filme nos dá para tal atitude é revelada pelo mordomo da casa de Harry que explica ao jovem aborrecido que seu pai não havia sido morto pelo Aranha, e sim por ele mesmo, conforme notamos no final do primeiro filme e a raiva de Harry em relação ao Homem-Aranha era apenas causada por um mal entendido. E Harry sabendo que o Homem-Aranha estava sendo torturado por Venom e Areia, decide ajudar seu amigo. Isso se torna um pouco forçado, pois Harry teve o rosto desfigurado após Peter lhe devolver uma das bombas do Duende, e de uma hora para outra, ele se alia com o Peter para enfrentar Venom e o Homem-Areia. Com isso em mente, deveríamos nos perguntar: por que o mordomo de Harry não revelou essa verdade antes? Já que ele não escondia de ninguém o ódio que sentia pelo Homem-Aranha? Pra quê revelar algo de extrema importância no momento mais crítico de todos? Para mim, esse foi o pior erro do filme!

É importante mencionar que mesmo com alguns defeitos, Homem-Aranha 3 encerra a trilogia muito bem, embora seja triste, mas era isso que esperávamos. O fato de Flint Marko ser o verdadeiro assassino de Ben Parker foi algo muito apelativo, mas necessário para tornar o filme com mais adrenalina e dar um combustível para Peter desenvolver ódio, só assim sua fantasia de aranha se tornaria preta. Mencionando as cenas em que o Aranha luta com o Homem-Areia em cima do carro forte, é algo muito bonito de se ver, é uma cena muito bem filmada e conduzida com belos efeitos. Depois, já com o traje negro, o Aranha enfrenta o Areia mais uma vez nas instalações de metrô, novamente uma luta épica em que o aracnídeo está lutando não para salvar alguém, mas pelos motivos pessoais já citados aqui. 

Sam Raimi foi o cara que carimbou essa saga, e eu soube que as produtoras queriam mais um filme e jogaram um roteiro muito doido, repleto de personagens (para as produtoras, quanto mais gente melhor) para o cineasta que acabou desistindo do projeto, pois o que já estava feito era suficiente para consagrar o personagem, e ele não queria estragar. E conforme as principais críticas que surgiram por que Raimi se deixou levar pela pressão dos produtores que só querem saber de dinheiro ao invés de construir uma obra-prima que será lembrada por muitos anos. Para um bom cineasta, qualidade e simplicidade são muito melhores do que algo complexo que pode acabar comprometendo todo esforço e dedicação de seus realizadores. Em resumo: a trilogia do Homem-Aranha é ótima, seus três filmes são de alto nível, e até agora nenhum filme com o personagem superou essa trilogia, quem sabe no futuro... Essa eu pago pra ver. 

NOTA: 7,5/10

Leia também: Homem-Aranha e Homem-Aranha 2 
Veja o trailer no vídeo abaixo:


terça-feira, 31 de outubro de 2017

ESPÍRITOS 2: VOCÊ NUNCA ESTÁ SOZINHO



A dupla de diretores Banjong e Parkpoom, ambos dirigiram um filme de terror e suspense que fez sucesso tanto no Oriente como no Ocidente, Espíritos: A Morte Está Ao Seu Lado, que trazia uma história sombria e com um final surpreendente. A dupla de cineastas vieram mais uma vez com outro grande filme do gênero, Espíritos 2: Você Nunca Está Sozinho lançado em 2007. Esse filme foi produzido para aproveitar o sucesso do anterior, e vale dizer que conseguiu ser igualmente bom, tanto pela história quanto pelo clima de terror e boas doses de suspense que prevalece durante o filme inteiro. 

Ao contrário do que alguns podem pensar, a história de Espíritos 2 não tem relação alguma com o primeiro filme, exceto pela dupla de diretores. Nesse segundo filme, temos uma trama semelhante, mas com toques dramáticos. A história conta a vida da jovem Pim, que havia se mudado recentemente da Tailândia para a Coréia. Lá ela pretende iniciar uma nova vida com seu marido Vee, por quem é apaixonada desde criança. Entretanto, a doença de sua mãe os obriga a retornar à Tailândia, o que acaba fazendo com que Pim, se recorde da infância e de sua irmã gêmea siamesa, Ploy. Desde que voltou, Pim passa a ter a sensação de que existe alguém ao seu lado, o que posteriormente vai se confirmando como um segredo da família.

Conforme alguns sabem, o terror tailandês chega a ser incrivelmente bem feito! No caso de Espíritos 2, nos deparamos com um drama que aos poucos vai ficando tenso, e à medida que o filme se desenvolve, somos surpreendidos com o final, tão inteligente e intrigante como o primeiro, mas com um diferencial. O que difere nesse filme, é que todas as cenas não são gratuitas, todas têm um propósito. E esse aspecto vai se montando nos momentos que antecipam o clímax, e quando este chega tudo é encaixado de uma maneira perfeita! Sim, caros leitores, esse filme é um verdadeiro soco, não apenas no espectador, mas nos personagens que o compõe. 

O drama familiar de Pim é capaz de nos comover um pouco, em contraste com isso, tomamos vários sustos com aparições de fantasmas. Se há uma coisa que esses filmes tailandeses tentam inculcar na nossa mente, é a crença no misticismo. E olha que isso chega a nos causar incômodo, por quê? Por que as aparições sobrenaturais ficam gravadas na nossa mente, mesmo quando estamos acostumados com filmes de terror em que abordam esse tipo de tema. A diferença aqui, é que esses filmes orientais são fortes, com imagens assustadoras e uma história extremamente intrigante. Por isso são para ficar na mente por muito tempo. 

Voltando a falar do final, quem assistiu ao primeiro filme sabe perfeitamente o quanto foi inteligente e devastador. Nesse segundo, tem um toque um pouco mais dramático, só que não perde o grau de inteligência e coerência com o roteiro em si. Ademais, várias pistas são dadas, mas o suspense do filme é tão imenso que não nos preocupemos em tentar adivinhar o desfecho, até por que certos aspectos não deixam margem para isso. No geral, Espíritos 2: Você Nunca Está Sozinho é um filme que deve alcançar o reconhecimento dos fãs do gênero terror e suspense, principalmente por sua história intrigante e ao mesmo tempo curiosa e assustadora. 


NOTA: 9/10

Veja o trailer no vídeo abaixo:

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O NEVOEIRO (2007)



Uma das melhores adaptações de Stephen King foi dirigida por Frank Darabont, que já havia dirigido outros filmes baseado nos livros de King, como Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de um Milagre (1999), ambos do gênero drama. Dessa vez, Darabont adapta uma história de terror. O Nevoeiro, título original em inglês The Mist, foi lançado em 2007 e nos trouxe uma história amedrontadora e ao mesmo tempo recheada de mistérios. O filme é estrelado por Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Braugher e Toby Jones.

Sinopse: Depois que uma violenta tempestade devasta a cidade de Maine, David Drayton (Thomas Jane), um artista local e seu filho de 8 anos correm para o mercado, antes que os suprimentos se esgotem. Porém, um estranho nevoeiro toma conta da cidade, deixando David e um grupo de pessoas presas no estabelecimento, entre essas pessoas tinha um cético forasteiro e uma fanática religiosa. David logo descobre que o nevoeiro esconde algo sobrenatural e que sair do mercado pode ser fatal para as pessoas. Mas conforme o grupo tenta desvendar o mistério, o caos se instala e fica evidente que as pessoas dentro do mercado podem tornar-se tão ameaçadoras quanto às criaturas do lado de fora.


Uma coisa interessante de notar nesse filme é a falta de informação sobre o que estava acontecendo. Quando as pessoas percebem que existe alguma coisa no nevoeiro, a fanática religiosa (Marcia Gay Harden) já começa com seus discursos apocalípticos, convencendo as pessoas de que aquilo se trata da ira de Deus sobre os homens. Há outras pessoas que acham que não tem nada de fatal no nevoeiro, e fica nessa disputa de opiniões, até que em uma garagem, alguns homens, incluindo David abrem o portão e tentáculos enormes se instalam agarrando um garoto, matando-o de forma brutal.

As criaturas do filme são assustadoras, tanto as pequenas quanto as grandes, chegando a um determinado momento do filme, quebrar os vidros do mercado e invadindo o local durante a noite, atacando algumas pessoas. Parecia que o filme traria aquele suspense relacionado aos ataques das criaturas do nevoeiro, mas não. Na verdade, o longa aborda muito mais o confinamento das pessoas dentro daquele estabelecimento. Entre os céticos e a fanática religiosa, há um clima de disputa e controvérsias a respeito do que estava acontecendo. 


A religiosa obtém muita vantagem, principalmente depois de uma criatura pousar nela, e não a ferir, fazendo com que algumas pessoas acreditassem que ela é uma enviada de Deus para salvar suas almas. A situação mais revoltante acontece quando o fanatismo ultrapassa os limites, começando a sacrificar algumas pessoas como uma espécie de expiação, como no caso de alguns oficiais que comentam entre si, os experimentos que eram feitos em um laboratório ali nas redondezas, nos dando uma possível explicação sobre as causas do nevoeiro. Nisso, a religiosa comanda um julgamento de um dos oficiais, condenando-o pela catástrofe que estava acontecendo, dando a sentença de morrer pelas criaturas.


O Nevoeiro é uma história de terror, mas levando para o lado ideológico, que acaba motivando as pessoas a cometerem atos de violência, apenas por que acreditava que isso iria trazer paz. Extremismo? Poderia dizer que sim, afinal durante toda a história da humanidade, os atos de extremismo sempre foram motivados pela religião, e o filme faz uma crítica quanto a isso. Por isso, é importante mencionar que as criaturas são como coadjuvantes, que seus ataques não são o principal foco do filme, o centro das atenções são os personagens de diferentes opiniões que discutem durante o filme todo, foi exatamente essa a proposta do filme, não um terror onde haveria apenas a luta contra os monstros. Ele deixa bem claro que o verdadeiro terror é o próprio ser humano, e ainda faz a abordagem sobre como ele reage a esses medos.

Falando das criaturas, eu achei que foram bem criativas. Mosquitos gigantes, aranhas, e todo tipo de inseto que se possa imaginar bem construído, além das criaturas gigantes, todos eles com habilidades mortíferas. Se bem que algumas pessoas tenham exigido mais aparições desses bichos, mas isso era apenas um aperitivo para a violência e o medo psicológico que iria ocorrer nas dependências daquele mercado. E sobre o final do filme, há diferentes opiniões sobre ele. Alguns odiaram, outros acharam o final ruim, e tem pessoas que gostaram e tem outros que amaram o desfecho. Eu particularmente gostei, apesar de ser um soco no estômago, ele foge daqueles clichês, e isso foi louvável. 


Vou dizer o que acontece, se você que não viu o filme e ainda tá aqui, pare de ler agora mesmo! David, seu filho, um casal de idosos e uma professora conseguem sair do mercado e estão no carro em busca de ajuda, quando o carro quebra, ainda no meio do nevoeiro, eles acreditam que tudo acabou e que não há meios de sobreviver. Assim eles combinam suicídio, usando a arma da professora que tinha quatro balas, então David mata o casal de idosos, a professora e até mesmo o seu próprio filho, acabando as balas do revólver, depois David sai do carro e se entrega para as criaturas. De repente, ele é surpreendido com um tanque do exército e carros cheios de sobreviventes, e depois nota que o nevoeiro estava sendo controlado. Que lástima para ele! Precipitou-se demais! Agora o sentimento de culpa irá tortura-lo a partir daí. 

Vale mencionar que um dos sobreviventes visto em um dos carros, era uma mulher que estava no mercado, e que após o nevoeiro ela implora para que alguém a acompanhe até a casa dela, onde estavam seus dois filhos pequenos, no qual estavam agora ao lado dela sãos e salvos. Realmente é um desfecho que não agrada todo mundo. Quem criou esse final foi o diretor Darabont que já o havia planejado muito antes de dirigir o filme, e Stephen King gostou da ideia. Enfim, O Nevoeiro é repleto de mistérios e situações caóticas, além de conflitos ideológicos e mortes sangrentas. Na minha opinião, uma das melhores adaptações de Stephen King. 


NOTA: 9/10

Veja o trailer no vídeo abaixo: