Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, dirigido por Daniel Ribeiro, é um delicado drama brasileiro que trata de amadurecimento, descobertas e afetos com uma sensibilidade rara. A história acompanha Leonardo, um adolescente cego que busca conquistar sua independência enquanto lida com as inseguranças típicas da idade. Sua rotina muda com a chegada de Gabriel, um novo colega de escola, com quem ele desenvolve uma relação que vai além da amizade.
O grande mérito do filme está na forma natural como aborda temas como deficiência visual e descoberta da sexualidade. Leonardo não é definido por sua cegueira; ela é apenas uma característica entre tantas outras. O roteiro evita qualquer tom excessivamente dramático ou didático, optando por uma narrativa simples, cotidiana e profundamente humana. A relação entre Leonardo e Gabriel se constrói aos poucos, com gestos sutis, silêncios e pequenas aproximações que tornam o romance crível e envolvente.
As atuações são um dos pontos mais fortes, especialmente a de Ghilherme Lobo, que interpreta Leonardo com autenticidade e sensibilidade, e a de Fabio Audi como Gabriel, transmitindo leveza e cumplicidade. A química entre os dois sustenta o desenvolvimento emocional da trama, enquanto a personagem Giovana adiciona uma camada importante ao explorar amizade, ciúmes e transformação.
A direção aposta em uma estética simples e intimista, com poucos excessos técnicos. A câmera acompanha os personagens de perto, valorizando o cotidiano e reforçando a ideia de que grandes mudanças acontecem em pequenos momentos. A trilha sonora, discreta, complementa essa atmosfera leve e acolhedora. Sem recorrer a conflitos exagerados, o filme constrói sua força na sinceridade. A busca de Leonardo por autonomia — simbolizada pelo desejo de “voltar sozinho” — se entrelaça com sua jornada de autodescoberta, tornando a narrativa universal e facilmente identificável.
No fim, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é uma obra sensível e necessária, que trata o amor e a identidade com naturalidade e respeito. É um filme sobre crescer, se reconhecer e, sobretudo, encontrar coragem para viver quem se é.
NOTA: 6,5/10




Nenhum comentário:
Postar um comentário