quinta-feira, 8 de outubro de 2026

ANACONDA (2025)


Anaconda, dirigido por Tom Gormican, é uma releitura bastante diferente do clássico de 1997. Em vez de simplesmente refazer a história original, o filme aposta em uma proposta metalinguística: dois amigos apaixonados pelo longa estrelado por Jennifer Lopez e Ice Cube decidem produzir sua própria versão de Anaconda na Amazônia, apenas para descobrir que a realidade pode ser muito mais perigosa do que o cinema.

A história acompanha Doug, interpretado por Jack Black, e Griff, vivido por Paul Rudd. Amigos desde a infância, os dois atravessam uma crise de meia-idade e enxergam na produção de um remake de seu filme favorito uma oportunidade de realizar um antigo sonho. O problema é que a aventura cinematográfica rapidamente sai do controle quando eles encontram uma anaconda gigantesca de verdade.

A principal aposta do filme está justamente na mistura entre comédia e aventura. Anaconda não pretende ser um terror tradicional de criatura, mas uma espécie de brincadeira com os próprios clichês desse tipo de produção. O longa sabe que o público conhece a ideia básica de uma cobra gigante perseguindo pessoas na floresta e tenta encontrar humor justamente nessa situação.

Jack Black é provavelmente o maior responsável pelo tom cômico da produção. Doug é exagerado, inseguro e apaixonado por cinema, e o ator aproveita muito bem essas características. Paul Rudd funciona como um contraponto perfeito, interpretando Griff de maneira mais contida e criando uma boa dinâmica com Black. A dupla possui uma química que sustenta boa parte do filme

Steve Zahn também merece destaque como Kenny, acrescentando ainda mais energia ao grupo. Thandiwe Newton interpreta Claire, enquanto Daniela Melchior e o brasileiro Selton Mello completam o elenco principal. A presença de Selton Mello é especialmente interessante para o público brasileiro, já que o filme utiliza a Amazônia como um dos principais cenários da aventura.

A ideia de transformar a produção do próprio filme em parte da história é um dos elementos mais criativos. Os personagens estão literalmente tentando recriar cenas de Anaconda, enquanto enfrentam situações que parecem ter saído do próprio roteiro. Isso permite que o longa faça referências ao filme de 1997 sem depender exclusivamente da nostalgia.

Ao mesmo tempo, essa proposta metalinguística também é uma das limitações da produção. Em alguns momentos, parece que o filme não sabe exatamente se quer ser uma paródia, uma comédia de aventura ou uma história de sobrevivência. Essa mistura de tons pode funcionar para alguns espectadores, mas também faz com que determinadas cenas pareçam desconectadas umas das outras. A recepção crítica refletiu justamente essa divisão.

A anaconda, naturalmente, continua sendo a grande atração. O filme não esquece que o público veio para ver uma cobra gigante perseguindo pessoas na floresta. As aparições do animal proporcionam alguns momentos de tensão e espetáculo, embora o terror seja claramente secundário em relação à comédia.

A ambientação amazônica também ajuda a criar o clima de aventura. Floresta, rios, animais perigosos e situações inesperadas transformam a produção cinematográfica dos personagens em uma verdadeira luta pela sobrevivência. O contraste entre o que Doug e Griff imaginavam fazer e aquilo que realmente acontece gera boa parte das situações engraçadas.

Outro ponto interessante é a relação de amizade entre os protagonistas. Por trás das piadas, o filme tenta discutir sonhos abandonados, envelhecimento e a necessidade de recuperar algo da juventude. A crise de meia-idade dos personagens não está ali apenas como uma desculpa para colocá-los na Amazônia; ela também serve para explicar por que eles decidem finalmente realizar um sonho que carregavam desde jovens.

No entanto, Anaconda poderia aproveitar melhor algumas dessas ideias. O filme apresenta personagens carismáticos e uma premissa bastante criativa, mas nem sempre consegue transformar esse potencial em uma história realmente memorável. Algumas piadas funcionam muito bem, enquanto outras parecem depender excessivamente do exagero.

Ainda assim, é difícil negar que Jack Black e Paul Rudd tornam a experiência bastante divertida. A dupla entende perfeitamente o tipo de filme em que está e não tem medo de abraçar o absurdo. Essa energia é o que impede a produção de se tornar apenas mais uma tentativa de ressuscitar uma franquia conhecida.

No fim, Anaconda é uma homenagem irreverente ao clássico de 1997 e, ao mesmo tempo, uma aventura própria. O filme não tenta competir com o original nem reproduzir exatamente sua fórmula; prefere brincar com a ideia de refazer um filme famoso e colocar seus próprios personagens dentro de uma situação que rapidamente se torna real.

É uma produção que funciona melhor quando assume completamente seu lado absurdo e deixa Jack Black, Paul Rudd e Steve Zahn conduzirem a comédia. Não é um filme de terror particularmente assustador nem uma aventura especialmente profunda, mas entrega diversão, nostalgia e uma boa dose de humor. Para quem gosta de filmes de criaturas gigantes e comédias que não se levam muito a sério, Anaconda pode ser uma experiência bastante agradável. 

NOTA: 6/10

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